Recentemente começaram a ser divulgados trechos da delação mais aguardada – e recheada – de nomes: a de executivos da Odebrecht. Mostrando que não há preconceito algum com sigla partidária, temos lá demonstrados valores a praticamente todos os partidos existentes. Um nome também aparece associado ao recebimento de alguns milhões (e algumas dezenas de vezes): o de Michel Temer. Naturalmente, o efeito disso é um aumento sensível de sua impopularidade perante a sociedade.
Junto com este aumento de impopularidade há algo curioso: muitas pessoas estão associando a imagem de Temer às propostas levantadas por sua equipe econômica para o encaminhamento da crise fiscal brasileira – como a reforma previdenciária e a limitação real de gastos públicos nos próximos 20 anos. Precisamos dissociar as coisas, por um simples motivo: com Temer ou sem ele, a crise brasileira continua e a não discussão de possíveis soluções (no caso, envolvendo a redução de gastos pra fazer o orçamento caber nas receitas) é incapaz de resolver os problemas, por motivos óbvios.
Temer está conseguindo unir cada vez mais o Brasil – contra ele mesmo.
Mas não se engane: comprar a ideia de que “se ele sair tem de levar as reformas junto” não faz muito sentido, uma vez que os problemas seguirão existindo. Se o erro é político, deve ser resolvido com meios políticos – aliás, é justamente por isso que as expectativas econômicas deram uma aliviada após o impeachment de Dilma Rousseff: a possibilidade de realizar reformas que aliviem o problema fiscal brasileiro aumentou. Independente de ficar Temer ou não, as reformas econômicas devem seguir adiante.
Por Caio Augusto | Editor do Terraço Econômico
– Escrito e publicado na página do Terraço Econômico em 11/12/2016: https://www.facebook.com/terracoeconomico/posts/1388369221213884
