AMAZON E OS REMÉDIOS: A BUY’N’LARGE DA VIDA REAL

Quem assistiu ao filme de animação da Pixar, Wall-E, pode não ter notado, mas há nele uma reflexão econômica implícita. O filme se passa em uma realidade do planeta Terra totalmente lotado de sucata e, para sobreviver, a espécie humana teve de se abrigar em uma imensa espaçonave. Aí entra a curiosidade: a espaçonave, que representa o destino da humanidade e tudo que pode ser provido a ela, tem visível a marca fictícia Buy’N’Large. Em outras palavras, temos uma empresa que provém tudo que o ser humano precisa, até mesmo refúgio do planeta sucateado. E isso tem muito a ver com a Amazon.

Inicialmente, um marketplace e hoje uma empresa inserida em diversos setores diferentes e que, através dessa verticalização, intencionalmente vai se tornando aquela empresa que tudo proverá.

Há aproximadamente um ano, a empresa comprou a Whole Foods, uma gigante dos produtos naturais, entrando assim no mercado de alimentos. Mais recentemente decidiu também entrar no mercado de farmácias, através da aquisição da PillPack.

A COMPRA

Essa aquisição significa algo muito importante: novas incursões da Amazon, que é a maior varejista online do mundo, mostram que a cada novo mercado em que ela entra a concorrência toda fica em alerta.

O motivo de alarde é simples. Pensemos no seguinte: você precisa de um produto e, por já utilizar a Amazon, irá procurar na lista do que ela oferece se este produto está disponível. Caso não esteja, ainda com a necessidade presente, você então busca por outros meios. Porém, se estiver, dado que você já consome diversos outros produtos pela mesma plataforma, sabe que nunca mais deve precisar procurar em outros meios. É um efeito de rede, você usa a Amazon porque muitos vendem nela e muitos vendem nela porque muitos (como você) a usam para comprar coisas.

A simples chegada da Amazon em um novo setor oferece de maneira direta um impacto sobre a concorrência nos setores. O mais interessante disso é que isso independe do tamanho do player por ela adquirido: no caso da PillPack, por exemplo, embora seja esta empresa bastante pequena, apresenta uma notável sinergia com o modo como a Amazon funciona, que é o varejo online.

Do momento da aquisição em diante, as pessoas não estão comprando mais remédios da PillPack, mas sim, da Amazon. Se essa diferença não lhe parece fundamental, pense qual a diferença entre dizer “eu assisto vídeos por um site da internet” e “eu vejo esses vídeos pelo YouTube” (do Google, da holding Alphabet). Essa diferença, na prática, é fundamental para entender o efeito que essa aquisição acabará tendo.

Movimentos como esse ampliam a participação de empresas já enormes em diferentes mercados, concentrando-os por meio da praticidade que oferecem. Se a Amazon será a Buy’N’Large, que vimos na animação, ainda está longe de saber; mas, certamente, na corrida do trilhão, juntamente da Alphabet e todo seu conglomerado da informação, é fortíssima candidata a vencer a corrida nos próximos anos.

Terraco Econômico

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Publicações deste artigo, que foi escrito em julho de 2018:

– Blog da Guide Investimentos (05/07/2018): https://blog.guideinvestimentos.com.br/textos/amazon-e-os-remedios-nova-incursao-da-buynlarge-da-vida-real/

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