PETRÓLEO E PETROBRAS EM QUEDA, COMBUSTÍVEIS TAMBÉM

Os preços internacionais do petróleo têm observado quedas constantes nos últimos tempos. Ontem, dia 13/11, representou o décimo segundo dia seguido de queda. Tal período de baixa não ocorre desde os anos 1980.

Esse resultado ocorre por uma questão de produção da commodity: os EUA aumentaram sua produção, superando hoje a marca de 11,5 milhões de barris extraídos por dia. Mesmo a demanda em um de seus valores máximos históricos e com uma redução de produção anunciada pela OPEP em cerca de 0,5 milhão de barris por dia para dezembro, o preço segue caindo.

Com os efeitos dessa redução de oferta ainda não sendo sentidos e o preço então caindo (tanto Brent quanto WTI estão em seus valores mais baixos dos últimos 12 meses), podemos observar também a queda de valor das empresas que produzem, beneficiam e negociam o petróleo. Petrobras, por exemplo, vê suas ações perderem valor, mas agora por um motivo óbvio: seu produto principal está perdendo valor.

É importante frisar que este motivo é óbvio porque, em tempos de congelamento virtual de preços, graças ao subsídio necessário para manter o preço estável quando o petróleo tinha seu barril negociado a preços bastante altos (acima de US$110 por barril), assim que este observou vertiginosa queda (chegando a ficar nas proximidades de US$30 por barril) tivemos de manter o preço para, fazendo caixa, reduzir a dívida gerada a Petrobras por este motivo.

Por falar em preços, outra coisa que há um bom tempo não se via no Brasil deve voltar a acontecer em breve: a Petrobras já repassou às refinarias reduções no preço e, continuando essa queda, se já não se puderem ser observados, muito em breve veremos preços menores nas bombas de combustível. E, importante notar, pelo motivo correto de redução de preços, não por alguma canetada burocrática.

Os fenômenos de oferta e demanda costumam apenas serem defendidos no Brasil quando significam que os preços irão para baixo. É difícil achar algum defensor de congelamento de preços quando estes começam a cair. Porém, não se pode perder de vista que a possibilidade para queda de preços só ocorre quando se permite que eles também subam. Sem permitir oscilação, voltam à tona os caros subsídios que acabam sendo pagos por todos no fim das contas.

Petróleo caindo, ações da Petrobras seguindo este ritmo e, em breve, preços dos combustíveis também. Possivelmente isso deve aliviar a pressão sobre a política de preços da Petrobras (que deve passar de “malévola” para “uma boa ideia” segundo a opinião pública a depender da continuação dessa queda de preços) – e também a pressão sobre o governo de Bolsonaro, que terá de decidir sobre a continuidade dos subsídios ou fim deles ao diesel a partir do primeiro dia de 2019.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em novembro de 2018:

– Blog da Guide Investimentos (14/11/2018): https://blog.guide.com.br/textos/petroleo-e-petrobras-em-queda-combustiveis-tambem/

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