REFORMA DA PREVIDÊNCIA AVANÇA PARA O SENADO

Hoje, a PEC 6/2019 foi aprovada em segundo turno pela Câmara dos Deputados. Estamos falando, é claro, da reforma da Previdência que contou com o voto favorável de maioria absoluta dos deputados federais. A próxima parada do projeto, conforme dita o rito de aprovação, é o Senado.

O passar do tempo revela dois debates previdenciários: a batalha de narrativas negacionistas, majoritariamente liderada pelos militantes digitais, e a batalha da realpolitik, travada no Congresso Nacional por congressistas, algumas vezes a serviço de grupos de interesse – o típico rent-seeking praticado num Estado patrimonialista. Aos poucos, no entanto, a realpolitik, favorável ou contrária à reforma, se sobrepõe aos negacionistas.

O sistema previdenciário brasileiro chegou onde está, também, graças à inabilidade dos governos passados. Parafraseando o ex-presidente Lula, não podemos gastar aquilo que não temos. É uma questão de bom senso. O ex-presidente Temer, aliás, diria que é preciso coragem para enfrentar a reforma da Previdência.

Afinal, assim como afirmou a ex-presidente Dilma, trata-se de uma questão quantitativa. No futuro, o número de brasileiros trabalhando será menor e o número de brasileiros aposentados será maior. Considerando essa mudança sem precedentes na configuração demográfica – a população está vivendo mais – aliada à minoria das super-aposentadorias, temos o sistema previdenciário brasileiro: uma bomba-relógio que, enquanto não explode, gera mais e mais desigualdade.

De FHC a Bolsonaro, a realidade é que não houve presidente que tivesse não tocado nessa questão delicada buscando transformá-la em algo mais suave para as gerações futuras. Entretanto, hoje, a lucidez gera desconforto nos prisioneiros de uma ideologia retrógrada. É o caso, por exemplo, de Tabata Amaral e de tantos outros que contrariam meros rótulos e fazem uso do juízo racional: destaque especial aos votos dos tão celebrados representantes do Norte e do Nordeste na Câmara.

Ainda assim, a reforma da Previdência não é panaceia, apesar dos deboches negacionistas. Trata-se um passo necessário para a estabilização da dívida pública, mas, temos que solucionar os milhões de desempregos país a fora. A agenda econômica encontrará outros desafios adiante: reforma tributária, infraestrutura, educação e tantos outros.

Em uma analogia à economia brasileira no século passado, esta reforma é como o PAEG, enquanto o Plano Real aguarda seu momento para aparecer. Como dissemos inclusive em artigo, a reforma, apesar de necessária, não é o suficiente. Você que é leitor do Terraço Econômico e nos acompanha em análises sabe que, por aqui, não se vendeu a enganação de que “após essa reforma aprovada teríamos outro Brasil”. É o primeiro e importante passo, mas a caminhada apenas começou – precisamos seguir reformando.

Para além de esquerda, direita ou qualquer faixa do espectro político, a reforma da Previdência não é a reforma de um (ou mais de um) governo. Trata-se, na verdade, do princípio de uma reforma do próprio país. Por fim, o projeto segue para o Senado Federal. Observemos.

Caio AugustoPaulo André Silveira Jr. | Editores do Terraço Econômico

 

Nota publicada na página do Facebook do Terraço Econômico em 07/08/2019

LIVRE COMÉRCIO com os EUA!? Terraço em Quinze Minutos #112

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto, Paulo André e Rachel de Sá com os seguintes temas:

REUNIÕES: dia decisivo para juros americanos e brasileiros
FGTS: Caio Augusto explica melhor proposta de Paulo Guedes
BOLSOM*RDA: Presidente ataca pai desaparecido de presidente da OAB
COMÉRCIO: presidente americano abre porta para acordo com Mercosul

FGTS: TERCEIRA DESILUSÃO DA EQUIPE DE GUEDES

O oásis do governo Bolsonaro é sua equipe econômica. Para confirmar isso basta um Google rápido para verificar o que se é noticiado a respeito. Ainda assim, a equipe econômica também dá “botes na lua” de vez em quando. Tivemos dois grandes, agora temos o terceiro.

Os dois primeiros ocorreram entre o período de transição (ainda no governo Temer) e o primeiro trimestre do novo governo. “Vamos conseguir um trilhão de reais vendendo estatais” e “ainda em 2019 zeraremos o déficit das contas públicas” são duas afirmações fortes, diretas e bastante discutíveis. A primeira porque, na prática, boa parte do que está aí “pronto para ser vendido” tem imbróglios imensos no caminho de aprovação (e o valor não chega a 70% disso); a segunda, porque o déficit é estrutural e, mesmo se o valor do item anterior fosse conseguido, o “azul” dessas contas seria de efeito não recorrente – quase igual a ganhar na loteria federal R$5.000,00 e decidir usar isso para dar entrada em um novo apartamento.

Importante frisar que estes dois itens acima podem ocorrer, mas sob condicionantes que não os tornam necessariamente as grandes vitórias como foram anunciadas. Privatizações são (muito) bem vindas e reduzir o déficit, é claro, também. Mas que se faça de maneira sustentada, não baseada em direcionamentos curto-prazistas apenas.

Chegamos então ao terceiro item. Esse que possivelmente o leitor dirá que não é uma desilusão porque ocorrerá de fato, mas olhando bem entre o anunciado e o realizado, pode se colocar perfilado aos dois tópicos anteriores: a liberação de recursos do FGTS.

O FGTS, direito dos trabalhadores, soa mais como um dever das pessoas para com o Estado. Todos os meses as pessoas que são registradas em carteira de trabalho veem 8% de seus salários serem depositadas em contas na Caixa Econômica Federal recursos que, para o caso de uma demissão sem justa causa ou em outras condições específicas, servirão para garantir uma estabilidade em tempos instáveis. A ideia é boa, mas o inferno está nessas “outras condições”. Na prática, o dinheiro é do trabalhador, mas a “poupança forçada” fica sob decisão e tutela do Estado, desde seu rendimento (míseros 3% ao ano) até as possibilidades de saída.

Buscando dar um fôlego na economia, a equipe de Paulo Guedes pensou na ideia de liberar o dinheiro do FGTS. Isso já havia sido feito pela equipe de Henrique Meirelles antes e permitiu que o dinheiro parado em contas inativas fosse resgatado. Logo de imediato, desta vez, tratou-se de anunciar que agora seria possível resgatar também o das contas ativas. Quem acompanha seu próprio saldo – e as tantas possibilidades melhores do que fazer com esse dinheiro – comemorou, sem saber que era cedo demais.

O “dinheiro de contas ativas e inativas” logo virou “35%” e desaguou em “no máximo R$500,00”. Dinheiro desprezível? Claro que não: servirá para reduzir dívidas, pode ajudar a quem está formando reserva de emergência ou investindo e, ainda, pode servir para consumo. É sim boa ideia.

Mas, tal qual dizer que vamos zerar o déficit neste ano (talvez em 2023 veremos isso ocorrer de verdade) ou que arrecadaremos um trilhão de reais em privatizações, a ideia de “a liberação do FGTS dará impulso à economia” é bastante superficial – afinal, mesmo que fossem os recursos todos disponíveis e todos eles fossem utilizados, ainda assim o avanço do PIB em 2019 seria reduzido (pelo alto endividamento ainda presente e também porque esse crescimento “à base de esteroides” não é mais tão acessível quanto antigamente).

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 30/07/2019

TRUMPISMO EUROPEU no Terraço em Quinze Minutos #111

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto respondendo às perguntas dos seguidores do Instagram:

lucasalmeidaluc – “Qual o impacto da MP da Liberdade Econômica?”
bbecher – “E a PEC 108, tem futuro ou não?”
tiagofachiano23 – “Trump, Bolsonaro e Boris Johnon estão na mesma coletiva. Qual pergunta você faria pros três?”
brunalaisa – “Saque do FGTS aumenta produtividade e empregos?”
renan.turci – “Um país com liberdade econômica mas com políticas de bem estar social é uma social democracia?”

HACKEAMOS O GUEDES no Terraço em Quinze Minutos #110

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto, Paulo André. Rachel de Sá e Renata Kotscho Velloso com os seguintes temas:

PRIVATIZAÇÕES: Petrobras vende 35% das ações da BR Distribuidora por R$ 9,6 bi
TRUMP: Relator investigações do FBI depõe ao congresso americano
LOBBY: Ministro recebe representantes do setor produtivo para discutir tabela de frete de caminhoneiros
HACKERS: Via Telegram, hackers conseguiram acessar o celular de Paulo Guedes
BREXIT: Boris Johnson é eleito e será o novo primeiro ministro do Reino Unido