DILMA ATRAPALHA O MERCADO ATÉ HOJE? Terraço em Quinze Minutos #123

Nesta edição, Lucas Goldstein, Caio Augusto e Pedro Lula Mota respondem às perguntas dos seguidores do Instagram:

quartiere: “Qual a polêmica envolvendo o teto de Gastos?”
matprax: “Para onde caminha o mercado de debêntures no Brasil?”
fabfranca02: “Podemos dizer que na gestão Dilma houve um ‘crowding out’?”
gabrielmussi: “Recessão EUA 2020: um aumento nos juros americanos pressiona a Selic?”
ronaldofr_brs_: “E o Bitcoin, no contexto de pré-crise mundial, vai bem?”

EUA, CHINA E UM JOGO ADICIONAL DE QUASE US$200 BILHÕES

As tensões comerciais entre EUA e China não é novidade para quem acompanha o noticiário político-econômico dos últimos meses. Porém, por mais que a situação esteja instável, sabemos como brasileiros a triste verdade de que “sempre pode piorar”. Para além das taxações cruzadas entre os dois países, há um ponto importante e pouco discutido, que é o da pressão feita pelos EUA para que as empresas deixem a China – ou mesmo voltem ao seu país de origem e façam do made in USA uma realidade de novo.

Tratado ainda como algo em possibilidade remota, tal pressão envolve quase US$200 bilhões. Este valor é a soma dos Investimentos Estrangeiros Diretos dos EUA na China (US$ 107,6 bi), em Hong Kong (US$ 81,2 bi) e em Macau (US$ 2,5 bi).

Por um lado, é inimaginável que Trump recorra a estratégias mais agressivas que as atuais porque, diante de um mundo que sinaliza instabilidade e desaceleração, criar fissuras desta magnitude seria bastante danoso à economia global. Por outro, temos que a própria guerra comercial que estamos vendo seria algo inicialmente fora de termos e, com o vizinho logo abaixo (o México), tal pressão já faz seus efeitos.

clima de tensão entre EUA e China já fez com que algumas empresas norte-americanas se mudassem. Porém, no recente relatório do Conselho de Negócios EUA-China vimos que a cada 100 empresas questionadas sobre planos de mudança da China, 87 disseram que não veem isso como realidade, três dizem que voltarão aos EUA e 10 dizem que sairão da China, mas irão a outros países. O número de respondentes “não sairemos da China” é o menor desde 2016, mas, aparentemente, a maioria dos que saem da China estão se direcionando a outros países que não os EUA.

A saída da China que não é direcionada aos Estados Unidos indica basicamente dois fatores: que os custos e dificuldades de se produzir na China têm aumentado e que a pressão dos EUA pela repatriação não tem surtido os efeitos desejados (já que as empresas continuam na China ou vão para outros países quando saem de lá).

Quem “agradece” esse tipo de pressão são os demais países asiáticos, que têm recebido fábricas (ou ao menos planejamento de instalação delas) aos borbotões. Tais produtores unem o útil ao agradável ao fugirem de tributações norte-americanas e ainda reduzirem seus custos produtivos. Para além do agro brasileiro, que se beneficia aumentando suas vendas quando a China decide boicotar os EUA, talvez sejam esses os maiores “vencedores” dessa competição.

Tratando-se da estratégia externa dos EUA e da instabilidade recente que esta tem transparecido, não podemos descartar a possibilidade de que uma pressão ainda maior seja exercida sobre esse imenso grupo de empresas que permanecem na China. Isso teria efeito bastante negativo sobre a economia, principalmente agora.

Para além dos elevados montantes que sofreram com aumento de tributação cruzada, é preciso também manter atenção sobre esses bilhões de dólares pouco discutidos. A próxima grande instabilidade pode estar a um tweet de distância.

 

Publicado no blog da Guide Investimentos em 06/09/2019

PIB 2019: MENSAGENS DO SEGUNDO TRIMESTRE

Recentemente tivemos a divulgação do PIB do segundo trimestre de 2019: 0,4% de avanço em relação ao trimestre anterior. Grande avanço? Ritmo de parada? Há, na verdade, pontos a se comemorar e outros a se lamentar.

É sabido amplamente que, da virada entre 2018 e 2019 até hoje, as previsões para o PIB 2019 derreteram. Houve quem apontasse que neste ano cresceríamos pelo menos o dobro do que no ano anterior, 1%, e alguns diziam que poderia ser até o triplo. Essa reversão de expectativas trouxe, para as edições mais recentes do Boletim Focus, uma previsão de que nossa economia tenha acréscimo ao redor de 0,85% neste ano.

Porém, nem só de más notícias vive nossa recuperação econômica após a maior crise já registrada em terra brasilis. Esse resultado trimestral nos traz boas notícias, tais como: a décima alta trimestral seguida no consumo das famílias, formação bruta de capital fixo (investimentos) teve um aumento pela primeira vez após duas quedas seguidas e uma surpresa positiva pela indústria e pela construção civil. O setor de serviços continua a segurar o crescimento, enquanto o agro e a indústria pouco interferem.

Especificamente no tocante a construção civil, temos que seu crescimento é importante porque, em se tratando de um setor intensivo em mão-de-obra e em uma situação ainda muito complicada de desemprego em dois dígitos, a aceleração desse setor pode significar um arrefecimento mais intenso do desemprego no país.

Estamos saindo a passos lentos da maior crise econômica da história do Brasil. Mas, por mais que não seja o ritmo de retomada igual ao previsto por alguns economistas, não dá para negar que o fundo do poço está ficando cada vez mais para trás. Ainda bem.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 03/09/2019