FED DESCEU A MARRETA no Terraço em Quinze Minutos #155

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Renata Velloso e Rachel de Sá com os seguintes temas: Coronavírus e a reação surpresa do FED (50bps de uma vez, em reunião extraordinária: HAMMER TIME!), a treta do orçamento impositivo (você finalmente vai entender o que está acontecendo) e a Super Tuesday dos Democratas nos EUA (que você deve ter ouvido falar mas vai entender aqui conosco também). Não deixe de acessar todos os conteúdos do Terraço Econômico em terracoeconomico.com.br

 

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19. CRISES ACONTECEM: prepare-se para elas

No Bolso e Na Bolsa

Na última semana, bolsas ao redor do planeta sofreram com a expansão de uma nova epidemia.

Neste episódio, Lucas Goldstein e Gabi Mosmann recebem o editor do Terraço Econômico Caio Augusto – que explica o que é uma crise, como as bolsas reagem a ela e, principalmente que, pensando no longo prazo, não há razão para pânico.

Fique com a gente nessa nova jornada rumo à liberdade e independência financeira – e conte com a Suno pra isso. Siga nossos perfis!

Gabi Mosmann – http://www.instagram.com/gabrielamosmann

Suno Research – http://www.sunoresearch.com.br

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CASO GUGU: SEGURANÇA JURÍDICA E SUCESSÃO PATRIMONIAL IMPORTAM

Um dos maiores ícones da televisão brasileira, possivelmente a pessoa que mais nos lembramos quando se fala nos anos 1990 por aqui, nos deixou de maneira precoce e trágica no final de 2019. Augusto Liberato, o Gugu, acabou falecendo em um acidente doméstico. O que se sucedeu após isso envolve desde uma chuva de elogios ao trabalho realizado por tantos anos até uma quantidade imensa de críticas pela maneira como materialmente ele decidiu que sua família viveria após sua morte.

O caso é notório: a mãe de seus filhos e sua companheira por tantos anos, Rose Miriamnão apareceu constando em seu testamento. Seus filhos sim, sobrinhos também, mas nada ficou apontado para aquela que o acompanhou por tantos anos – ainda que agora seja apontada como “apenas a mãe dos filhos dele”.

Para além de todo e qualquer aspecto moral – deixe de lado o “isso é uma sacanagem com a Rose Miriam” -, dois pontos importantes dessa história mostram como, apesar de parecer um tanto quanto sombrio, tratar da morte quando há aspectos materiais posteriores a serem considerados é mais importante do que se imagina. Ou, mais diretamente: em se tendo uma herança material, o assunto deve em algum momento ser discutido e, obviamente, isso deve ocorrer antes do acontecimento que origina as novas destinações.

O primeiro ponto é que, como bem diz o latim juridiquês, pacta sunt servanda: em teoria, os acordos deveriam ser válidos pelo que eles apontam, e não pelo que uma visão externa apontaria. Especificamente em relação a este caso: podemos concordar ou não com o testamento existente (este que vos escreve está no time de quem achou de uma ingratidão enorme), mas não se pode negar que, tendo em vista que há um documento apontando o que deveria ser feito, representa grau de insegurança jurídica não desprezível o fato desse documento ser questionado (uma vez que ele tem validade legal).

O segundo está no coração dessa discussão tão complexa. Processos de sucessão familiar, de discussão mais acertada a respeito do que fazer com os bens e ativos de uma certa propriedade a partir do momento em que esse indivíduo não se faz mais presente em vida, são importantes para quem, no fim das contas, deseja que a situação patrimonial ao menos tente seguir da mesma maneira mesmo após o falecimento do ente. Em se tratando de relações do direito privado, na prática, há dois meios de decisão: as partes decidem entre si da maneira que julgarem mais adequada ou, em caso de nenhuma decisão, a justiça entra para analisar e tomar essa decisão. O item “ninguém toma decisão” não existe, o que muda de fato é a possibilidade de serem definidos os eixos da maneira mais adequada para quem conhece a situação ou com o peso da caneta de quem não conhece na totalidade o que ali se passa – ou, de maneira mais direta, é a diferença entre o encaminhar das situações em paz ou de alguma guerra familiar por bens capaz de amealhar o próprio patrimônio no meio desse turbilhão de acontecimentos.

OS PONTOS DAS RELAÇÕES SOCIAIS

Esses primeiros dois pontos estão dentro da esfera legal, mas há outros dois que abarcam as relações sociais e não necessariamente se relacionam com a lei (por mais “injusto” que sejam, não são tão facilmente aceitas como argumentações quando a decisão cai em âmbito judicial). Chamarei esses dois pontos de “terceiro e quarto”, que serão debatidos a seguir.

O terceiro ponto chama-se parceria. Com quem quer que você decida construir sua vida amorosa, levando em consideração que existam carreiras de sucesso envolvidas, um avanço em termos materiais é esperado. Por mais materialista que isso pareça ser, é interessante que você e sua pessoa amada tenham em mente (e, sempre que possível, em “papel passado”) o que aconteceria no caso da ausência de um dos dois. Neste caso do Gugu nunca saberemos de fato que tipo de conversa ocorria com Rose Miriam sobre esse assunto mas, com o falecimento dele, vimos qual era o direcionamento que ele escolheu. Por mais óbvio que pareça, é sempre importante lembrar que esse tipo de discussão ocorre enquanto ambos estiverem fisicamente vivendo aqui.

O quarto chama-se independência pessoal. É louvável quando vemos casais em que, diante de uma excelente oportunidade de um dos parceiros, temos o outro abrindo mão de sua própria carreira profissional já que, no fim das contas, aquele parceiro conseguirá suprir financeiramente as demandas do casal e da família que representam. De fato, quanto a isso, sem problemas. Mas lembre-se sempre do que pode acontecer com você no caso de algum infortúnio com a outra pessoa. A dependência do outro pode ser, a curto prazo, uma possibilidade – mas é menos sustentável a cada dia que passa. Rose Miriam literalmente abriu mão de toda sua vida profissional como médica para ser “apenas a mãe dos filhos” do Gugu. Vivia uma vida magnífica nos EUA até o falecimento do apresentador. E mesmo diante de um patrimônio estimado em R$1 bilhão, agora procura meios para sobreviver a seu próprio custo de vida.

Cada caso guarda a sua própria particularidade, é verdade. Mas, você leitor, já parou para pensar nessas possibilidades diante de um infortúnio? Não é, definitivamente, um assunto tranquilo. Mas coloque em sua mente uma verdade triste sobre a humanidade: somos, por natureza, maus e focados apenas em nossos próprios interesses; a melhor maneira de verificar se existe intersecção entre o que esperamos da realidade e o que ela de fato se mostra ser é colocando estes anseios todos na mesa de discussão.

Parece trágico pensar em uma questão como essas em vida. Mas, dado o histórico de famílias que não levaram isso em consideração e acabaram por arruinar-se (material e emocionalmente), tenha absoluta certeza que é ainda mais trágico não levar nada disso em consideração enquanto há tempo.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 02/03/2020

DEMOCRACIA E TESOURO DIRETO

Apesar do significado de democracia ser majoritariamente associado a uma determinada forma de sistema político, é possível encaixar esse termo como sendo algo muito mais amplo, com relação a qualquer situação em que o indivíduo possui, pelo menos, mais do que uma alternativa (real) de escolha. Seguindo essa linha fora das fronteiras do mundo da política, podemos citar a opção de investimento no Tesouro Direto como um bom exemplo de democracia.

Para a esmagadora maioria de especialistas em finanças, a poupança  não é considerada como um investimento, mas apenas como uma forma de poupar dinheiro e formar alguma reserva ao longo do tempo. Não obstante a isso, e por motivos que vão da falta de informação até à comodidade, grande parte da população brasileira ainda insiste em enxergar na caderneta de poupança como uma forma de investimento. Em um contexto antidemocrático, que não ofereça outras escolhas minimamente viáveis – no sentido de serem populares e acessíveis – para investir, a poupança acabaria sendo a única escolha possível. A tradicional alocação brasileira fechou 2019 com um estoque de R$845 bilhões, ainda com captação positiva de R$ 13,3 bilhões.

Mas a opção de investimento no Tesouro Direto torna democrático esse contexto, dado que é uma alternativa (real) de investimento e que pode ser realizada por indivíduos dos mais diferentes perfis socioeconômicos, com acesso, segurança e rendimento que acabam por superar a poupança. Esse é um tipo de investimento que não fica restrito a mega investidores donos de portfólios milionários ou a especialistas em finanças, dado que investir no Tesouro Direto pode ser mais barato do que ir no cinema, podendo ser realizado passo a passo e sem burocracia.

Se pensarmos do ponto de vista de risco, quando pensamos no Tesouro Direto é quase impossível pensarmos numa situação de calote da dívida. Até porque os bancos tem boa parte de seus recursos alocados na dívida do governo e, em caso de não pagamento, todos os outros ativos seriam afetados, como é o caso da poupança. Lembrando que o governo tem a prerrogativa de emitir nova dívida para pagar os juros e principal de dívidas que estão vencendo. Em 2019, devido a queda dos juro básico da economia, o governo economizou quase R$ 100 bilhões com pagamento de juros devidos aos credores.

Dessa forma, o Tesouro Direto, além de outras formas de investimento, traz democracia para o ato de investir. Assim, o “investimento” na poupança é uma questão de escolha e não uma falta de opção. Aqui na Guide, há opção de investimento no Tesouro Direto, nos mais diversos papéis atrelados à dívida do governo (pós, pré e inflação). Em tempos de juros baixos, a renda fixa ainda pode balancear adequadamente a relação risco x retorno das carteiras de investimento.

Especialmente em uma semana como essa, que se encerra com uma das maiores baixas para a renda variável em um longo período de tempo, convém lembrar ainda que, nesta “democratização dos investimentos” que a Selic em 4,25% está nos permitindo, é válido sempre verificar seu perfil de investidor e estar diversificado em seus investimentos – ou, de maneira mais direta, não buscar estar presente apenas nos que “ganharam mais nos últimos tempos”, mas sim no que, em termos gerais, poderá lhe garantir uma segurança maior ao longo do tempo, uma liquidez financeira que lhe permita ter mais sossego ao longo dos anos.

Certamente o Tesouro Direto faz parte do tipo de alocação que te permite este sossego.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 28/02/2020