ESFORÇO DE GUERRA PARA SUPERAR A CRISE no TerraçoCast #162

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Rachel de Sá e Victor Candido sobre os seguintes assuntos:

– Rachel, o que é essa tal PEC do Orçamento de Guerra? O que ela significa na prática?

– Victor, diante das informações que temos até agora com os efeitos econômicos do coronavírus, que tipo de previsões já temos para o PIB?

– Rachel, e essa PEC do Banco Central? Que tipos de novos poderes na política monetária ele deve ganhar caso ela seja aprovada? Boa ou má ideia?

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Cisnes negros em 2020: pouso suave que virou queda livre

Errei. Inicio este artigo com essa informação importante. Mas o faço porque tenho motivo. Na virada de 2019 para 2020, os maiores riscos observados para o mundo eram as eleições nos EUA e a guerra comercial entre os americanos e os chineses e, por aqui, a continuidade das reformas e as eleições municipais (questionando se seria possível aprovar mesmo com o calendário mais curto). No entanto, o que fazia de 2020 um ano potencialmente mais lento em termos de crescimento econômico, principalmente no mundo desenvolvido que já desacelera desde o terceiro trimestre de 2019, se transformou em um cenário totalmente adverso e intenso.

Cisne Negro é um conceito cunhado por Nassim Taleb em um livro homônimo e significa todo e qualquer evento que, por não ser esperado, acaba por pegar todo mundo desprevenido e despreparado. Afinal de contas, mesmo os mais cautelosos acabam sendo atingidos fortemente.

2020 até então (e tomara que pare por aí) nos trouxe dois deles.

O coronavírus (ou Covid-19), doença contagiosa que se iniciou na China e se espalha pelo globo com uma velocidade avassaladora, coloca todo e qualquer tipo de previsão de crescimento ou desaceleração que vinha sendo elencada em suspensão. O Brasil, por exemplo, que começou o ano com previsão de crescimento no Boletim Focus nas proximidades de 2,3%, já vê previsões de grandes bancos circundando 0%. De “isso é um PIBinho” para “não ter recessão já era um alívio”. Isso ocorreu dentro de um mesmo trimestre.

A OPEP, organização (também chamada de cartel) dos maiores produtores do petróleo, em reunião no início de março chegou a um impasse. Russos demandavam uma redução da produção para que os preços pudessem retornar a subir, Sauditas discordavam disso. Resultado? Preços do petróleo que já vinham em queda desde a virada do ano em função de redução da demanda afundaram. Com isso, a cadeia produtiva que envolve essa commodity é fortemente afetada e, junto dela, também a de outras commodities.

Estes dois acontecimentos mudam radicalmente as previsões que existiam até poucos meses atrás para o crescimento do Brasil e do resto do mundo. Isso acontece porque enquanto o primeiro representa literal paralisação de países que optaram por fechar fronteiras e isolar suas populações para reduzir o contágio do vírus, o segundo mostra como um dos pilares de estabilidade e crescimento tem se comportado diante dessa desaceleração e também da quebra do cartel de petróleo.

Tudo que se pode recomendar em um momento como esse é cautela. Cautela de quem emprega, cautela de quem é empregado, cautela de quem presta serviço, de quem contrata serviço. Seguir as recomendações médicas mais adequadas para reduzirmos ao máximo os danos desse vírus (econômicos, sociais, humanos, totais).

O pouco que podemos ter de certeza agora é que o pouso suave que se anunciava para a economia virou uma queda livre.

 

Artigo publicado na Edição 280 (Abril de 2018) da ACIF em Revista, página 12

Como será a recuperação econômica pós-coronavírus?

Começamos o artigo já com algo que o leitor deve ficar ciente caso ainda não esteja: 2020 será um ano de recessão global. As previsões mais amplas indicam que este ano que acaba de entrar em seu segundo trimestre será negativo para o mundo todo. Sem muita tecnicidade, é razoavelmente fácil explicar: China teve uma forte paralisação por quase dois meses e meio e o mundo desenvolvido, que já desacelerava desde o ano passado, vê a diminuição de movimento suave virar uma queda abrupta.

Dado que teremos um período recessivo, a pergunta que não quer calar é: há algum meio de saber como vamos sair desse período e como será a recuperação quando tudo isso passar?

Em primeiro lugar, tenha em mente que, diferentemente da crise internacional de 2008 ou da crise que tivemos por aqui no biênio 2015-2016, as razões pelas quais nos encontramos em situação complicada vão muito além do fator econômico. O aspecto da saúde faz com que, na prática, seja muito mais complexo de verificar cenários de recuperação. Feito o disclaimer, vamos para essas possibilidades.

Estudo recente da consultoria McKinsey apresenta algumas possibilidades de recuperação pós-coronavírus. Dentre as possibilidades elencadas, a análise realizada se concentra em quatro cenários mais prováveis: considerando que o vírus seja contido poderemos ter uma recuperação lenta (“em U”) ou uma recuperação rápida (“em V”) e, levando em conta que o vírus terá novas ondas que demandarão períodos de quarentena após o que atualmente estamos vivendo, uma recuperação lenta significa um crescimento menor no longo prazo e uma recuperação mais rápida significa que, mesmo aos trancos e barrancos, o mundo terá capacidade de retomar o crescimento em curtos ciclos. Outros cenários tidos como menos prováveis vão desde uma queda consistente da economia até um atraso considerável de tempo para recuperação total da economia.

O aspecto estratégico a ser considerado nesta recuperação envolve dois aspectos importantes.

O que importa para sairmos dessa situação?

O primeiro é a capacidade de cada país de contenção do avanço do vírus. Enquanto na China a situação parece ser de retomada (embora com receio e lentidão), na Europa alguns países  têm visto os efeitos da pandemia começarem a se reduzir, nos Estados Unidos a doença se alastra e faz com que Trump já sinalize esticar a quarentena até o fim de abril e, por aqui, a situação de não coordenação nacional faz com que cada estado decida de maneira autônoma. Por este lado, diferentes soluções são tentadas, embora grande parte delas caminhem para o isolamento social horizontal e a testagem da maior quantidade de pessoas possível. Importante apontar aqui que falamos de um cenário em que ainda não se sabe exatamente como o comportamento do vírus é em se tratando de novas ondas de contaminação – o que reforça ainda mais a ideia de que o isolamento social não deve ser descartado até que exista uma segurança maior para deixá-lo de lado.

Um ponto a ser observado a respeito deste primeiro tópico é um estudo que analisou a reação dos países à gripe espanhola (entre 1918 e 1920): segundo ele, os países que fizeram uma política mais adequada de isolamento social tiveram como resultado uma recuperação econômica mais robusta, isso porque os danos econômicos e sociais com a doença em si acabaram sendo menos disseminados do que onde a ideia foi permitir uma circulação inalterada da população.

O segundo coloca todos os países do mundo em uma mesma situação: a busca por uma vacina que seja eficaz contra o vírus ou mesmo contra remédios que consigam reduzir consideravelmente o tempo de internação nos hospitais (o que é, no fim das contas, um dos maiores aspectos de preocupação mundo afora). Apesar de já termos algumas discussões sobre soluções prováveis (como a hidroxicloroquina tão falada pelo presidente), é importante frisar que o período atual é de testes sobre a eficácia de quaisquer soluções. De fato temos uma parte importante da comunidade científica diariamente sobre essa urgente questão mas, novamente, o que se tem até então são intensos testes, sem confirmações reais do que pode ser mais útil.

Apesar de ainda nada confirmado sobre este segundo aspecto, dois fatores mostram como os avanços já podem ser algum sinal de esperança: a Johnson & Johnson anunciou estar em fase de testes de uma vacina que pode vir a ser lançada no início de 2021 e a Bill & Melinda Gates Foundation anunciou que está construindo sete fábricas diferentes para testar vacinas que possam ser eficazes.

Especialmente sobre esse segundo tópico, a entrevista com Bill Gates apresenta algo pouco intuitivo para a maioria de nós mas que, para quem pensa adiante, talvez seja trivial: serão gastos bilhões de dólares para construir fábricas que, no fim das contas, talvez nem sejam utilizadas; porém, se uma delas der certo (e seis ficarem sem utilidade, ao menos inicialmente), trilhões de dólares em perdas econômicas poderão ser revertidas – ou seja, o cálculo no fim mostra que o esforço valerá a pena porque cada mês economizado contará.

Em termos de prazo, o que podemos esperar?

Do que depender do esforço dos países, o que se tem até então é que um lockdown parece mesmo mais interessante para encaminhar um achatamento da curva de contaminação e permitir que os sistemas de saúde possam lidar melhor com a situação toda. Em relação ao esforço internacional que está sendo empenhado para encontrar um tratamento/cura para este vírus, a não ser que algo muito fora da curva ocorra, apenas entre o final deste ano e o início do próximo teremos algo próximo de uma vacina (e, quanto ao remédio, nos próximos meses é possível que tenhamos maiores confirmações).

Neste mês de abril a contaminação e a mortalidade devem aumentar sensivelmente em nosso país. Seguimos recomendando fortemente que, sendo possível que você não saia de sua casa, o faça. É muito mais seguro levando em consideração tudo que conhecemos até agora deste vírus.

Afinal de contas, como já dissemos aqui nesta coluna, apesar dos impactos do atual momento sobre os mercados, uma hora essa crise vai passar e vamos poder, dadas as novas circunstâncias do mundo, retomar as atividades. Ganhar dinheiro é algo que pode (e provavelmente vai) mudar depois disso tudo. Mas a alternativa a não fazermos nossa parte reduzindo as atividades agora é o caos mais adiante.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 06/04/2020

O QUE DIZ O PMI CHINÊS no TerraçoCast #161

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Arthur Lula Mota, Rachel de Sá e Renata Velloso sobre os seguintes assuntos:

 – Arthur: PMI Chinês e a recuperação econômica no pós-coronavírus (vem recuperação forte por aí?);

– Renata: CoronaNews (atualização semanal com ótica econômica e médica da evolução da doença mundo a fora);

– Rachel: Bolsonaro “contra a rapa” ou o discurso soft irá prevalecer?

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