Coronacrise: até onde irá?

Antes mesmo de seguir a leitura deste artigo saiba que essa resposta não está disponível a ninguém completamente. Mas com essa leitura você terá um direcionamento maior do que realmente precisa observar para saber como sairemos dessa.

A pergunta de bilhões de dólares que dá título a este texto tem como maior dificuldade de ser respondida o fato de que, diferentemente de outras crises econômicas, essa tem como origem um fator bastante diverso de ser analisado, que é o da saúde. Para piorar, trata-se de um aspecto de saúde e que ainda não é completamente analisado. Se alguma outra doença que já fosse conhecida estivesse se espalhando agora, já teríamos com maior certeza um tratamento e talvez até uma imunização. Por enquanto, tudo que temos são testes. Alguns mais otimistas que outros, mas todos testes.

O primeiro e mais importante fator que deve ser observado para termos uma ideia de até onde será necessário manter as atuais medidas de restrição (que impactam diretamente na economia) é o acompanhar da evolução da curva de contaminação. Em cada país ela tem ocorrido de maneira diferente, mas o que se tem de mais conhecido até então é o fato de que essa doença se espalha em centros concentrados. Começou em Wuhan, na China; na Itália, concentrou-se na Lombardia (ao norte); na Espanha, as regiões de Madri e da Catalunha são as mais afetadas; nos Estados Unidos, Nova York o maior centro até então; no Brasil, a concentração maior está em São Paulo, mas Rio de Janeiro e Brasília também concentram muitos casos.

A verificação da curva de contaminação é essencial para ter um conhecimento mais palpável de quando as atividades poderão retomar à “normalidade”. Isso porque, em termos práticos, embora seja uma doença com uma mortalidade não tão elevada (em dados agregados do mundo todo em número de casos e mortos, se aproxima atualmente de 5%), ela se espalha com bastante velocidade. E é esse o ponto chave: por mais que uma boa parte das pessoas acabe não tendo sequer sintomas do vírus, caso as atividades ocorram normalmente a circulação de pessoas não se altere, quem não tem reação alguma ao vírus provavelmente o leva para quem terá complicações severas e poderá até falecer.

Acompanhar o evoluir da doença em termos geográficos é, assim, o primeiro ponto.

O segundo ponto a ser observado é a efetividade de meios de tratamento ou mesmo a viabilização de uma cura (através de uma vacina). Novamente, friso: até o momento em que este artigo é escrito muitos testes já foram realizados mas a eficácia definitiva ainda não foi alcançada; o que está no alvo até então é a hidroxicloroquina, que tem apresentado sinais cada vez mais notáveis de que seja eficaz no tratamento (e, desde o início de abril, entrou no protocolo oficial de tratamento de doentes a partir da internação, de acordo com o Ministério da Saúde). Quanto a vacina, no melhor dos cenários, devemos ver algo viável (que além de resolver a questão do coronavírus não cause efeito adverso indesejável) apenas ao início de 2021.

O leitor talvez estranhou ler sobre uma doença em uma coluna de economia. Não estranhe: de fato é uma questão de saúde que está sendo mais relevante para a economia agora. Espero não ter estranhado o termo normalidade entre aspas no quarto parágrafo – porque não é desprezível que, quando tudo isso passar, o que conhecemos por normalidade seja bastante diferente.

 

Publicado na edição de Maio de 2020 da Revista da ACIF Franca (página 54)

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