Previsões para 2020: Feliz 2021

Desde que tivemos a entrada em cena da pandemia do coronavírus já se tinha em mente que a economia mundial sofreria um baque grande. O quanto, no fim das contas, ainda não temos como prever com tanta acurácia basicamente porque a informação mais importante – que é quando entraremos no chamado novo normal em definitivo – ainda não temos. Mas, para além de estimativas sobre recuperações alfabéticas (em V, em W, em L e afins), temos algumas expectativas já sendo calculadas.

Na semana anterior, uma delas saiu, a do Banco Mundial. O que se encontra no prospecto para o crescimento esperado, não só faz com que pensemos que este ano está perdido, como também façamos o desejo pela chegada o mais breve possível de 2021. Ao redor do planeta o tombo esperado é de 5,2% e, especificamente aqui no Brasil, de 8%.

Para se ter uma ideia do que esses 8% de queda esperada para o Brasil significam, o biênio 2015-2016, que teve a pior queda registrada na economia brasileira, ficou em aproximadamente 7%. Dessa vez, pelo que se prevê por enquanto, teremos um recorde negativo de queda – e, dessa vez, em um único ano.

Algo que não podemos deixar de lembrar é que, antes mesmo do coronavírus ser uma realidade, já caminhávamos para a recuperação mais lenta de nossa história. O baque de 2015-2016 seria superado apenas em 2022; só nessa altura retomaríamos o mesmo nível de Produto (PIB), que foi o de 2014. No momento, a situação é ainda mais dramática: pode ser que recuperemos o atual nível de PIB somente após o final de 2022 e, quanto ao maior que já tivemos, somente mais alguns anos após isso.

A recessão

Outro aspecto que chama a atenção para o atual quadro recessivo é que ele é o mais amplo desde a crise de 1929: segundo também este relatório do Banco Mundial, 90% das economias sofrerão com essa retração, o que é superior aos 85% que representou o impacto no crash que finalizou a década de 1920.

Para além de efeitos observáveis, como destruição de riqueza que tanto puderam ser observados (apesar dos rallies mais recentes nas bolsas mundiais), um ponto que preocupa é o aumento da situação de pessoas em pobreza extrema. Em momentos como esse, de uma forte retração, milhões de pessoas que haviam saído dessa situação retornam à ela.

Este ponto do parágrafo anterior deve ser levado em consideração justamente pelo fato de que acaba por antecipar um movimento que, sem a Covid-19, seria discutido mais amplamente na economia global apenas daqui mais alguns anos: a automação e a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho que nos faria pensar com mais seriedade em programas com o de renda mínima, por exemplo, e avaliarmos a permanência dessa política pública.

Diante das atuais circunstâncias, muitos países estão colocando em prática esse tipo de ideia como uma maneira emergencial de permitir que muitas pessoas não fiquem totalmente desamparadas em meio à essa imensa crise. Porém, algo a se pensar, é se com a brusca redução sobre a renda mundialmente que vivemos agora não haverá de fato uma demanda pela colocação na mesa de programas assim já na atual situação como permanentes.

Um conjunto imenso de ideias que entrariam no foco da discussão nos próximos anos acaba por se destacar nesse momento extraordinário em que vivemos. Fato é que devemos experimentar agora a maior e mais rápida queda de renda ao redor do planeta dos últimos tempos e, não será surpreendente se ocorrer, talvez a maior queda de toda a história.

Nosso curto prazismo diante de momentos complicados talvez nos faça esquecer que estamos somente no meio de 2020 (e que, na prática, tivemos apenas seis meses em uma situação tão tensa quanto essa). Porém, mesmo que nos próximos anos nos questionemos sobre como talvez tenhamos exagerado nas previsões nesse exato momento, a ideia agora é de que se o tempo corresse mais rápido talvez teríamos mais respostas e possibilidades.

Ao apagar das luzes em 2020 será raro encontrar quem, diante de tudo que passamos neste ano – e olha que sequer completamos a metade dele -, diga que “o ano passou voando”. A quantidade de paradigmas quebrados e a dificuldade para se recuperar o baque deste ano ficará para sempre em nossa história.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 15/06/2020

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