Não, o leitor não está lendo errado. Estamos mesmo na edição de setembro. Mas vamos falar do quão relevante pode ser o próximo ano. O motivo? No vai e vem das aberturas e reaberturas e no aguardo de uma vacina para o coronavírus – que, dando tudo certo, ocorre entre o primeiro e o segundo trimestres de 2021 -, pouca coisa bastante relevante ainda acontece nesse ano. Duas, basicamente: as eleições municipais no Brasil e as presidenciais nos Estados Unidos.
Comecemos pelo que ocorre nesse ano e impacta fortemente os próximos.
Nos Estados Unidos, a eleição fica entre a continuidade de medidas mais nacionalistas se Trump lá seguir ou um certo retorno a acordos comerciais mais amplos caso Biden sagre-se o vencedor – nisso o Brasil se beneficia mais com a vitória do Democrata e se souber se posicionar arrumando a casa para receber recursos vindos de fora.
Por aqui as eleições municipais serão um teste da continuidade do movimento político que levou Jair Bolsonaro a presidência em 2018. Geralmente nessas eleições certa base é ampliada ou implodida com foco nos dois anos seguintes. Nosso presidente aos poucos aprende que isso é sim importante e, no fim do dia, pode sair ainda mais beneficiado desse pleito.
Então vamos para 2021, o personagem principal deste artigo. Independente do cenário eleitoral que se aproxima, em Terra Brasilis o presidente, como já apontado, entendeu que precisa de uma base e tem se articulado com ela. Não vemos mais tanta hostilidade com o Congresso, nem mesmo geração de ruídos desnecessários com jornalistas diuturnamente. Gostando dele ou não, aparentemente ele começou a entender o que precisa fazer. E isso é bastante positivo: 2021 não tem eleição nenhuma e, caso o governo entre com a faca nos dentes e uma reforma (seja ela a tributária ou a administrativa) embaixo dos braços, teremos chances reais de vê-la aprovada.
Atenção a esses dois pontos: o governo precisa continuar com o movimento atual de ampliação de base e também entrar em 2021 sem desculpas como “o Congresso não está ajudando” (e quando será que ajudou?). Se esses dois fatores ocorrerem, devemos fechar o próximo ano tal qual o fizemos em 2019: com uma relevante reforma aprovada.
Em termos da pandemia em que vivemos, aquele assunto complicado que mais concerne à medicina do que a economia, nos resta esperar que a ciência consiga entregar o que o mundo todo – e bilhões de dólares – aguarda: encontrarmos uma (ou mais) vacina(s) que possam ao menos nos direcionar com maior firmeza ao famigerado “novo normal”.
Já quando olhamos para as Relações Internacionais, o acordos EUA-China e Mercosul-UE estarão em pauta, com foco maior. A eleição norte-americana terá influência direta em tudo isso, pois contribuirá com o clima nacionalista ou e maior abertura global.
Ainda temos alguns meses, que talvez demorem como anos. Será difícil encontrar ao final desse ano quem tenha achado que “ele passou voando”…
Publicado na edição de Setembro de 2020 da Revista da ACIF Franca (Página 14)
