“Uma parte de todos os seus ganhos pertence exclusivamente a você”
O que um livro de 1926 pode fazer para melhorar a sua relação com as finanças? Parece estranho, mas uma história escrita 100 anos atrás pode mudar a forma que você pensa sobre dinheiro.
Estamos falando do livro ‘O homem mais rico da Babilônia’, cuja última edição é de 2017. Em uma história envolvente, o autor George Clason escolhe contar seus ensinamentos justamente no local onde existia um mercado próspero e cheio de gente, ainda antes da Era Cristã.
Do mesmo jeito que havia milionários, donos dos mercados e produtos, havia também pessoas humildes e trabalhadoras, que compartilhavam um problema em comum: apesar de ganhar um dinheirinho no final do mês, não conseguiam poupar nada do que ganhavam.
É assim que começa a história…
O homem que desejava ouro
O autor nos apresenta Bansir, um humilde fabricante de carruagens e seu amigo Kobbi, um músico sem muito prestígio. Sem entender muito bem a relação entre seus ganhos mensais e a acumulação de riqueza ao longo do tempo, os dois conseguem um horário para conversar com Arkad, reconhecido por todos da redondeza como o homem mais rico da Babilônia.
Em uma conversa franca com os participantes (em torno de 15 pessoas), além de Kobbi e Bansir, Arkad é muito claro em suas colocações: para qualquer quantia arrecadada com seu trabalho, uma parte (10%) deve ser guardada para a formação de um patrimônio.
Muito mais do que a quantia (que pode ser pequena no início da vida profissional), a ideia é que o hábito é o mais importante. Por diversas vezes, as histórias contadas no livro enfatizam o papel da mudança de mentalidade como fator determinante parauma evolução real no padrão de vida.
Até porque, na saída dessa primeira visita a Arkad, três grupos se formaram: aqueles que sequer entenderam o assunto, outros que não acreditaram nos ensinamentos transmitidos fazendo até chacota com a situação e um terceiro grupo que continuou visitando Arkad e mudou a sua mentalidade e, consequentemente, a sua visão e comportamento sobre o dinheiro e acumulação de patrimônio.
Os 7 ensinamentos para a falta de dinheiro e mais histórias
Em seguida, o autor nos apresenta, detalhadamente, as 7 lições para que nunca falte dinheiro em nossas vidas. São elas:
- 1. Comece a fazer seu dinheiro crescer
- 2. Controle seus gastos
- 3. Multiplique seus rendimentos
- 4. Proteja seu tesouro contra a perda
- 5. Faça do lar um investimento lucrativo
- 6. Assegure uma renda para o futuro
- 7. Aumente sua capacidade para ganhar
Cada um desses ensinamentos é tratado em um capítulo à parte. Apesar de parecerem óbvios, muitos não se atentam a dificuldade que é ser disciplinado a ponto de formar um patrimônio ao longo da vida e poder usufruir disso no futuro. Parece fácil, mas na prática, não é.
Por meio de exemplos, o autor consegue dar leveza ao assunto ao discutir as 7 lições. E mais do que isso: há outras histórias em seguida para reforçar a importância da formação de um patrimônio, como é o caso das cinco leis de ouro, contada pelo filho de Arkad.
Nela, Nomasir, teve que provar o seu valor para ser digno de participar do testamento do pai e receber a sua grande herança. Mas seu Arkad não deixou o filho desprovido de recursos: lhe deu um saco com moedas de ouro, e uma tábuade argila gravada com as 5 leis de ouro.
Será que Nomasir conseguiu provar o seu valor?
Uma obra dos anos 1920, mas com conexões mais próximas do que você imagina
Apesar de tais lições serem praticamente atemporais como o leitor já deve ter notado, é interessante observar que elas também se relacionam com expoentes do pensamento sobre uma vida financeira mais confortável dos dias mais recentes. Isso pode ser verificado quando em certos momentos a obra trata sobre a real necessidade das despesas que temos – e como a vaidade pode significar um corroer do que acumulamos pela vida.
Duas dessas ligações que podemos fazer são com Robert Kyiosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre e Warren Buffet, que inclusive tem um documentário sobre sua vida que já abordamos aqui nesta coluna.
Nos dois temos a preocupação com o encontrar de um estilo de vida que supra suas necessidades, não a dos outros. Gastar e investir no que a gente gosta – e não no que aquilo que as pessoas que gostamos gostam – faz uma diferença imensa ao longo dos anos. Ainda, importante lembrar outra indicação que fizemos aqui: os Axiomas de Zurique: também um livro antigo mais como lições extremamente atuais.
Sem mais spoilers e uma reflexão
As finanças têm evoluído em uma velocidade impressionante. Se antes tínhamos apenas algumas opções de investimento, hoje temos uma infinidade de produtos e serviços financeiros disponíveis a apenas um toque.
Mas o que O homem mais rico da Babilônia tenta mostrar é que muitas vezes não importa a quantidade de opções de investimento que temos, mas sim se a nossa mentalidade e ações decorrentes dela estão preparadas para iniciar o processo de enriquecimento via acumulação recorrente de patrimônio.
Embora sutil, esse ‘virada de chave’ é primordial para mudar a nossa relação com o dinheiro e com as finanças pessoais.
