TODOS OS PRÉDIOS IMPORTAM no TerraçoCast #174

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Renata Velloso e Rachel de Sá sobre os seguintes assuntos:

– Renata, faça um levantamento a respeito das manifestações após o brutal assassinato de George Floyd nos EUA;

– Rachel, explica pros nossos ouvintes sobre a ampliação do programa de financiamento de folha (e o que ele pode significar);

– Renata, atualize nossos queridos ouvintes a respeito das novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

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LUAN SPERANDIO E O FIM DO LIBERALISMO BRASILEIRO no TerraçoCast #173

Nesta edição especial, Caio Augusto acompanhou Luan Sperandio, Editor Chefe da Apex Partners, sobre o liberalismo brasileiro em tempos de pandemia:

– Na lata: o coronavírus é o fim do capitalismo?

– Sobre as reformas fiscais, devemos abandoná-las em função da mudança econômica que a pandemia traz?

– No Brasil de hoje em dia, liberalismo e livre mercado ainda têm espaço?

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CAGED: podia ser pior, muito pior

Os dados mais recentes a respeito do desemprego no país foram divulgados. Dados do CAGED, o cadastro que mostra a diferença entre admissões e demissões – e o saldo novo de desempregados – mostrou uma baixa de 860 mil empregos neste mês de abril de 2020.

O resultado, como pode observado na série histórica apresentada abaixo, é o pior para este mês desde 1992:

Resultados de empregos formais em abril

Péssima notícia? Tudo dentro do esperado? Ou podia ser pior? Neste mesmo mês de abril tivemos 20 milhões de demissões nos Estados Unidos. É preciso fazer uma importante ressalva nessa comparação: a rigidez do mercado de trabalho (dificuldade para contratar e demitir) é muito menor nos EUA, o que significa que movimentações para cima e para baixo no desemprego tendem a ser observadas mais por lá.

Números absolutos talvez não explicitem exatamente a situação, mas há um aspecto que ajuda a entender como esse número do desemprego em abril no Brasil poderia ter sido substancialmente pior.

Os programas até então apresentados pela equipe econômica do governo com o objetivo de suavizar a situação das empresas neste momento de forte crise, têm sofrido duras críticas por, dentre outros motivos, não estarem chegando de verdade onde precisam chegar. Segundo o Sebrae, linhas de crédito especiais para esse período só têm sido acessadas por 14% das empresas, sendo que grande parte delas simplesmente teve recursos negados.

Porém, existem dois programas que têm cumprido seu papel de maneira a aliviar este período. O primeiro é a linha de financiamento do BNDES que paga diretamente o salário (até dois salários mínimos por funcionário) por dois meses e tem como regra que, caso o CNPJ se utilize dele, não seja possível rescindir contratos até 60 dias após o último dia que utilizar o recurso. O segundo é programa emergencial que permite redução de carga-horária e salários – o que tem certa compensação por parte do governo – para que não seja preciso demitir.

Antes de chegarmos no encaminhamento do que esses programas significam em termos práticos, três ressalvas precisam ser feitas. A primeira é que a linha de financiamento do BNDES tem chegado a muito menos empresas do que poderia, porque leva em consideração que os funcionários têm todos conta salário no mesmo banco  (o que significa que, se os funcionários tiverem contas em bancos diferentes ou se eventualmente são pagos em dinheiro ou cheque, o recurso não fica disponível para uso). A segunda é que esse programa emergencial mantém os empregos apesar de que, por essa diminuição de salários, acabe também reduzindo a massa salarial total da economia no fim das contas. A terceira é que são programas apenas disponíveis para quem está no sistema regular de trabalho, portanto não atingem aos informais.

Ressalvas feitas, sem sombra de dúvidas esses programas são os mais eficientes no que se propõem a fazer. O objetivo de ambos é, na prática, a manutenção de empregos nesse período de turbulência. Não existem dados publicamente disponíveis sobre o de financiamento de folha pelo BNDES, mas o que permite redução de jornada e salários apresenta um contador em seu site que, no momento em que esse artigo é escrito, se aproxima de oito milhões e duzentos mil empregos mantidos por via dele.

Ainda que por efeito da rigidez do mercado de trabalho e da considerável informalidade, é interessante notar que alguns milhões de empregos estão, por enquanto, sendo poupados de virarem estatística negativa no CAGED. Quantos empregos não sabemos, são diversos fatores a serem considerados, mas certamente são alguns milhões deles – ao menos pela duração em que esses programas tiverem e, torcemos todos, que sejam suficientes para superarmos esse período caótico.

Precisamos seguir atentos a continuidade desses programas para verificar se eles serão suficientes para o período em que atravessamos – e, na prática, até então não se sabe qual será a extensão desse período, a depender de como funcionará nossa entrada em um novo normal. Mas, de fato, enquanto há uma infinidade de outros programas que muito anunciam e pouco fazem de efeito prático, é mister apontar que esses dois em específico fazem trabalho notável neste momento.

Cada emprego mantido, ainda que sob eventual redução do montante pago ao funcionário, é um alento a mais para a economia neste período complexo em que vivemos. Quando menos a massa salarial da economia for prejudicada, menores serão os efeitos de diminuição da renda após essa mudança toda ocorrer.

Isso está longe de significar, contudo, como Paulo Guedes tem dito que “vamos surpreender o mundo” com nossa recuperação, mas, novamente, é preciso reconhecer que esses dois programas cumprem com maestria seu objetivo pretendido – e, num período como o que vivemos agora, a diferença entre países que verão o desemprego caminhar para cima aos milhões contra os que o fizerem de maneira mais suave será considerável.

 

Publicado no blog da Guide Investimentos em 29/05/2020

LUCRO DO BC NO TESOURO no TerraçoCast #172

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Pedro Lula Mota, Renata Velloso e Rachel de Sá sobre os seguintes assuntos:

– Pedro, para além do polêmico vídeo da sexta passada, que efeitos essa instabilidade toda coloca nos mercados brasileiros em relação ao resto do mundo?

– Renata, atualize nossos queridos ouvintes a respeito das novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

– Rachel, é verdade que o lucro em operações cambiais do Banco Central pode acabar ajudando o caixa do Tesouro Nacional nesse ano?

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Moeda e seus riscos: como isso afeta seus investimentos

Em um ano como 2020 a pergunta “o que não perdeu valor?” parece ser tão complicada de responder que, possivelmente, a resposta seja “o dinheiro que deixei parado no banco”. Neste artigo de hoje, em parceria com a Hurst Capital, você vai descobrir que, na verdade, esse dinheiro também perdeu valor.

Comecemos com uma indagação um pouco filosófica: o que faz o dinheiro ter valor? Até a década de 1970, o que fazia com que o dinheiro tivesse valor era sua garantia em reservas de ouro que um país tinha. Na prática, o famoso padrão ouro significava que a emissão de moeda de um país teria um certo lastro e não poderia se expandir para além disso.

Hoje, todas as moedas emitidas por entidades centralizadas estão sujeitas puramente a uma confiança de que exista valor transacional por parte delas, mas não há valor intrínseco ou que possa ser lastreado em algum metal, por exemplo. Pelo lado negativo, a expansão da moeda agora não tem um porto seguro facilmente utilizável para se guiar. Pelo lado positivo, há uma possibilidade mais ampla de, por meio de expansão ou retração monetária, fazer política econômica que reaja a mudanças na economia.

Os Bancos Centrais, assim, ficaram muito mais poderosos.

Essa movimentação no volume disponível de moeda – e, consequentemente, nos níveis de preços disponíveis – é realizada pelos Bancos Centrais da seguinte maneira: quando da ocasião de um choque econômico que reduza a liquidez da economia (como vimos em 2008 e como estamos observando na atual crise do coronavírus), são injetados recursos para que o sistema não venha a colapsar, o que se convencionou chamar de Quantitative Easing (ou QE); em “tempos de paz”, esses recursos vão sendo pouco a pouco retirados da economia para que as transações voltem a ocorrer sem que essa necessidade se faça presente.

Um aspecto que não pode ser esquecido no meio do caminho é que essa expansão monetária, em algum momento do tempo, irá fazer seus efeitos sobre a economia real desvalorizando o preço dos ativos em termos reais – ou seja, a clássica inflação vem cobrar a conta desse esticar de liquidez.

Em teoria, essa movimentação é bastante prática e direta. Mas, na prática, desde 2008 vivemos em um mundo que não dá mais coordenadas tão claras e objetivas sobre isso. No período compreendido entre 2008 e meados de 2017, taxas de juros em boa parte do mundo desenvolvido (EUA, Europa e Japão) estavam nas proximidades de zero como maneira de estimular a liquidez na economia. Entre 2017 e 2019, ao menos nos EUA, uma reversão deste cenário começou: a taxa de juros viu pequenos aumentos e, assim, parte da enorme liquidez colocada na economia começava a ser retirada dela. Porém, com uma desaceleração que já vinha sendo sinalizada no mundo desenvolvido desde o terceiro trimestre de 2019, somada ao impacto que o coronavírus nos trouxe, voltamos a ver no mundo todo um incentivo a essa injeção maior de liquidez.

Não é preciso entrar em todo o ferramental técnico-econômico para explicar o que ocorre na atual circunstância. Os balanços dos Bancos Centrais, que já estavam em tamanho elevado pela liquidez que injetaram na economia, tiveram um pequeno alívio nos últimos três anos mas já voltaram a acumular novas extensões – dessa vez, inclusive os dos países em desenvolvimento.

Levando em consideração que estamos há um período não desprezível de tempo esticando o tamanho dos Bancos Centrais, voltemos a pergunta do início deste artigo: o que faz o dinheiro ter valor real?

As teorias sobre o dinheiro

Existe uma teoria econômica chamada Modern Monetary Theory (ou simplesmente MMT) que tenta entender esse fenômeno ocorrido há mais de uma década, que permite até então aumentarem os balanços dos Bancos Centrais de maneira considerável sem que o efeito inflacionário venha se fazer presente. Dentre outros pontos que essa teoria busca compreender, um tem causado certa polêmica na discussão econômica: em certas condições, não haveria problema de se aumentar indefinidamente os balanços dos Bancos Centrais e nem a dívida, porque o efeito inflacionário não causaria mais danos.

O valor real que o dinheiro tem é colocado cada vez mais a prova em momentos como o atual. Bancos Centrais de todo o mundo, ao garantir liquidez suficiente para a economia se manter de pé, expandem seus balanços fazendo-nos questionar: em que momento a inflação virá fazer uma grande correção sobre tudo isso? Ou, caso isso não aconteça, no que se tem real valor então?

Após toda essa reflexão o leitor provavelmente já entendeu que, de fato, a pergunta “o que não perdeu valor em 2020?” não tem como resposta adequada “o dinheiro que ficou parado”, porque mesmo que ainda não existam grandes efeitos inflacionários advindos da enorme expansão monetária que tem ocorrido desde 2008 (com destaque para o entorno daquele ano e também para as fortes movimentações de 2020), essa expansão imensa nos meios de pagamento ao redor do mundo não se dá efetivamente sem custos.

Enquanto se aguarda a chegada inflacionária – ou mesmo um novo momento econômico em que esse custo inexista de verdade -, é importante ressaltar que os ganhos reais em investimentos estão justamente nos ativos reaisPrecatórios, por exemplo, são lastreados com base na receita real auferida pelo Estado em um determinado período de tempo. São diferentes de tantos outros ativos ao redor do mundo hoje (como as ações) que podem estar adquirindo valor apenas em virtude do aumento da liquidez na economia e não necessariamente por maior valor atribuído.

Recentemente uma capa da The Economist colocou em questionamento justamente este descolamento entre os ativos financeiros em Wall Street e a economia real. Os primeiros, que em março viram uma queda vertiginosa, observaram em abril (e seguem observando agora) ganhos que parecem não ter relação alguma com a economia real, esta que observa perdas e números negativos tão notáveis quanto os vinte milhões de norte-americanos que perderam seus empregos apenas no quarto mês do ano.

Melhor do que aguardar os efeitos práticos de uma desvalorização imensa advinda da moeda é considerar o investimento em ativos reais.

Pense nisso quando for fazer novos investimentos.

 

Publicado no Terraço Econômico em 28/05/2020

O vídeo saiu, e agora?

Em mais um evento de sexta-feira – essas que, em Terra Brasilis, andam tão emocionantes quando o assunto é a política -, tivemos a divulgação na íntegra de um vídeo revelador.

Para quem não acompanhou, um pequeno resumo dos fatos: Sergio Moro anunciou em 24 de abril (uma sexta-feira) sua decisão de sair do Ministério da Justiça e Segurança Pública após saber da decisão de que o diretor da Polícia Federal seria trocado por Jair Bolsonaro e, dentre outros motivos, o fez porque afirmou discordar das intenções do presidente em interferir no órgão. Uma das provas dessa interferência seria o vídeo de uma reunião ministerial ocorrida dois dias antes, além de mensagens trocadas entre os dois.

Após toda uma saga que envolveu um longo depoimento (quase oito horas) de Sergio Moro na Polícia Federal em Curitiba para apresentar suas provas, todas as atenções se voltaram para o juiz do STF que estava com a decisão de levantar ou não o sigilo do tal vídeo. Celso de Mello o fez na última sexta-feira.

Uma semana toda de tensões antecedeu o momento em que tivemos a suspensão do sigilo e a seguinte publicização do mesmo. Bolsonaro apareceu algumas vezes dando a entender que queria que o vídeo fosse inteiramente apresentado, outras dizendo que isso não poderia ser feito. A defesa de Moro insistia que o vídeo deveria ser todo colocado para a sociedade. Então chegamos às proximidades do horário limite de divulgação (17h da última sexta-feira).

O que tinha no tal vídeo?

O país assistiu a uma reunião ministerial com nível elevado de tensão, em que o presidente cobrava de seus subordinados que fizessem uma defesa pública dos pilares de seu governo e também de sua figura quando essa fosse arranhada de alguma forma. Diversos palavrões foram ditos também, mas isso era o de menos.

Alguns dos itens apontados por Sergio Moro se fizeram presentes, mas, no todo, o saldo parece apontar para uma vitória política de Jair Bolsonaro. Essa vitória política ocorre porque, no fim das contas, os discursos de que o povo estaria sob uma “quase ditadura” dos governadores e prefeitos, acaba por assinalar a visão que muitas pessoas no país têm de que muitas atividades econômicas estão paradas não pelo efeito da pandemia, mas porque esses chefes de poderes executivos subnacionais ordenaram o fechamento de tudo – ao contrário do que o presidente preconiza.

Uma reunião com ares de “grava aí que depois vamos utilizar isso”, cheia de frases feitas e direcionamentos que indicam uma preocupação elevada do presidente com seu povo e como este estaria sofrendo com a situação. No caso, a situação que causaria o sofrimento seria a da economia parada, dado que apenas em duas situações isoladas de todo o evento o coronavírus foi citado, pelo ex-ministro Nelson Teich.

O que não tinha no vídeo?

Por mais que no momento em que a reunião tenha ocorrido um número alarmante de casos e crescente de mortos já se verificava no país, não se verifica nesta extensa reunião uma discussão mais ampla do que deveria ser feito em termos de protocolos de saúde ou de qualquer natureza para que a situação pudesse ser encaminhada rumo a um novo normal.

Aparentemente não é um erro de análise indicar que em nosso país o último assunto da pauta seja justamente o que está sendo mais discutido ao redor do mundo.

Quando a crise chega, não há espaço para conversa fiada

Conversa fiada, para o leitor que eventualmente não saiba, é aquela cujo objetivo é justamente se esvair de si mesma, chegando a lugar nenhum. Sem medo de arriscar, boa parte da condução do poder público com a pandemia do Covid-19 por aqui envolve encontrar culpados mais do que resolver os problemas.

No curto prazo de algumas semanas isso poderá fazer sentido. Atualmente, após esse vídeo, a impressão de que o presidente do país nada tem a ver com o que se passa e, na verdade, só queria ajudar o povo, provavelmente prevalecerá. As culpas sobre o aumento nas mortes e a crise econômica cairão sobre o colo de prefeitos e governadores. O discurso está pronto.

Porém, nos próximos meses duas coisas notáveis devem ocorrer.

A primeira é que a arrecadação de impostos cairá vertiginosamente – o que já acontece agora, já que a arrecadação federal de abril foi a menor desde 2006. Contra isso não haverá remédio: serviços públicos começarão a não ter mais capacidade e algo que nunca havia acontecido em termos gerais no país passará a acontecer: acabará o dinheiro para pagar até salários do funcionalismo.

A segunda: com a reabertura de tudo devemos observar uma queda na demanda advinda de um receio das pessoas de voltarem “ao normal” ou mesmo de uma volta abrupta a tudo que se conhecia antes seguida de um aumento elevado no número de casos e mortes seguida de um isolamento voluntário, independente de direcionamentos de governadores e prefeitos. Somente neste momento observar-se-á que a redução da atividade econômica se deu na verdade pelo coronavírus, não por ordem de quem quer que seja de fechamento de atividades que envolvam aglomeração.

No momento em que esse duplo impacto atingir o país a estratégia de passar a culpa no lugar de procurar como solucionar o problema poderá seguir na mesa. Mas com uma diferença fundamental: até quem não tiver “sentido no bolso” estará reclamando quando isso acontecer.

O aprendizado disso tudo

O mundo discute protocolos de segurança enquanto por aqui discutimos quem seria o culpado de tudo. É como ver uma casa pegando fogo e, em vez de ligar para os bombeiros, começar a brigarmos uns com os outros sobre quem esqueceu de chamar o eletricista para verificar aquele fio desencapado que estava fazendo um barulho esquisito.

Temos chances não desprezíveis de sermos um dos últimos países a sair dessa situação toda. Optamos por deixar a política como assunto principal mesmo quando o foco deveria ser lidar mais adequadamente com este período de travessia ou mesmo sobre como sairemos dessa situação com segurança mais adiante.

Novamente: no curto prazo, enquanto ainda há uma forte ilusão de que “logo tudo volta ao normal”, a ideia de procurar culpados em vez de soluções para os problemas serve como uma luva; o mesmo provavelmente não poderá ser dito quando o dinheiro acabar – tanto em termos de arrecadação do governo quanto do caixa das empresas para segurar esse período – e “de repente descobrimos” que perdemos tempo com qualquer coisa menos o que deveríamos ter perdido.

Ou, como diz aquela clássica frase de Abraham Lincoln:
“Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” 

Até quando irá a ilusão em que vive a política brasileira, de achar que pode enganar a todos o tempo todo?

Qualquer que seja o calendário em que essa viva, não é difícil imaginar que em poucos meses tenhamos a dura resposta dessa pergunta.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 25/05/2020

DE BOAS INTENÇÕES… JÁ SABE NÉ no TerraçoCast #171

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Rachel de Sá e Renata Velloso sobre os seguintes assuntos:

– Rachel, no início de maio tivemos a aprovação do Open Banking. O que é isso?

– Renata, atualize nossos queridos ouvintes a respeito das novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

– Rachel, alguns PLs estão discutindo ótimas intenções a respeito dos juros no país e, como sabemos, de boas intenções o inferno está cheio. Que PLs são esses e o que eles significam?

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Coronacrise: até onde irá?

Antes mesmo de seguir a leitura deste artigo saiba que essa resposta não está disponível a ninguém completamente. Mas com essa leitura você terá um direcionamento maior do que realmente precisa observar para saber como sairemos dessa.

A pergunta de bilhões de dólares que dá título a este texto tem como maior dificuldade de ser respondida o fato de que, diferentemente de outras crises econômicas, essa tem como origem um fator bastante diverso de ser analisado, que é o da saúde. Para piorar, trata-se de um aspecto de saúde e que ainda não é completamente analisado. Se alguma outra doença que já fosse conhecida estivesse se espalhando agora, já teríamos com maior certeza um tratamento e talvez até uma imunização. Por enquanto, tudo que temos são testes. Alguns mais otimistas que outros, mas todos testes.

O primeiro e mais importante fator que deve ser observado para termos uma ideia de até onde será necessário manter as atuais medidas de restrição (que impactam diretamente na economia) é o acompanhar da evolução da curva de contaminação. Em cada país ela tem ocorrido de maneira diferente, mas o que se tem de mais conhecido até então é o fato de que essa doença se espalha em centros concentrados. Começou em Wuhan, na China; na Itália, concentrou-se na Lombardia (ao norte); na Espanha, as regiões de Madri e da Catalunha são as mais afetadas; nos Estados Unidos, Nova York o maior centro até então; no Brasil, a concentração maior está em São Paulo, mas Rio de Janeiro e Brasília também concentram muitos casos.

A verificação da curva de contaminação é essencial para ter um conhecimento mais palpável de quando as atividades poderão retomar à “normalidade”. Isso porque, em termos práticos, embora seja uma doença com uma mortalidade não tão elevada (em dados agregados do mundo todo em número de casos e mortos, se aproxima atualmente de 5%), ela se espalha com bastante velocidade. E é esse o ponto chave: por mais que uma boa parte das pessoas acabe não tendo sequer sintomas do vírus, caso as atividades ocorram normalmente a circulação de pessoas não se altere, quem não tem reação alguma ao vírus provavelmente o leva para quem terá complicações severas e poderá até falecer.

Acompanhar o evoluir da doença em termos geográficos é, assim, o primeiro ponto.

O segundo ponto a ser observado é a efetividade de meios de tratamento ou mesmo a viabilização de uma cura (através de uma vacina). Novamente, friso: até o momento em que este artigo é escrito muitos testes já foram realizados mas a eficácia definitiva ainda não foi alcançada; o que está no alvo até então é a hidroxicloroquina, que tem apresentado sinais cada vez mais notáveis de que seja eficaz no tratamento (e, desde o início de abril, entrou no protocolo oficial de tratamento de doentes a partir da internação, de acordo com o Ministério da Saúde). Quanto a vacina, no melhor dos cenários, devemos ver algo viável (que além de resolver a questão do coronavírus não cause efeito adverso indesejável) apenas ao início de 2021.

O leitor talvez estranhou ler sobre uma doença em uma coluna de economia. Não estranhe: de fato é uma questão de saúde que está sendo mais relevante para a economia agora. Espero não ter estranhado o termo normalidade entre aspas no quarto parágrafo – porque não é desprezível que, quando tudo isso passar, o que conhecemos por normalidade seja bastante diferente.

 

Publicado na edição de Maio de 2020 da Revista da ACIF Franca (página 54)