Governabilidade importa – vamos ver até quando

Se gritar pega centrão, não fica um meu irmão.” (General Heleno)O realismo mágico que vive o Brasil ganhou um novo capítulo recentemente. Não, não estamos falando das estrondosas saídas do Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro e do Ministro da Saúde Nelson Teich (menos de um mês após sua entrada para substituir Luiz Henrique Mandetta), nem mesmo do presidente indo à manifestações que exaltam a si mesmo e minimizam medidas de segurança contra a pandemia que já ceifou mais de quinze mil vidas em nosso país. Mas sim de algo que, como a citação que inicia este artigo mostra, é difícil de acreditar.

Durante a campanha eleitoral em 2018, dois pontos pareciam pacíficos àquele que se sagrou vencedor após o segundo turno: a ideia seria colocar apenas pessoas que obedecessem a critérios técnicos para ocupar as pastas do executivo que comandariam o país, diferenciando-se de “tudo que havia sido feito até então”, que era basicamente um amontoado de indicações políticas geralmente advindas do… Centrão. Quanto às indicações técnicas, até foram feitas a priori, mas com o tempo temos ao menos desconfianças sobre o quanto têm autonomia. Agora a novidade é abraçar justamente o que se demonizou menos de dois anos atrás.

Independente do que isso signifique em termos políticos, já que essa salada iria longe, vamos aos aspectos pragmáticos que importam sobre essa união um tanto quanto inacreditável para quem realmente acreditava que o que chegou em 2018 o fazia para “mudar isso daí” mesmo.

Governabilidade pelo lado positivo

O desafio imposto às contas públicas brasileiras se agiganta. Antes mesmo de toda a discussão sobre o coronavírus, já entrávamos em 2020 com a praticamente certeza de que teríamos o sétimo ano seguido em déficit primário. Possivelmente abaixo de R$100 bilhões, mas ainda um notável déficit primário. Já o cenário mais recente, apresentado pelo próprio Secretário do Tesouro Mansueto Almeida, é de que podemos chegar a R$1 trilhão, tudo isso apenas este ano. De longe, o maior déficit primário nominal da história do país.

Dado este enorme desafio, o que não pode desafinar de jeito nenhum no pós pandemia é o retomar de discussão sobre as reformas, essencialmente aquelas que impactam mais sobre o lado fiscal. A reforma administrativa, que trata da estrutura do Estado e envolve muito de seu custear, e a reforma tributária, que trata do aspecto arrecadatório e também do que tange a dificuldade que os negócios têm em pagar seus tributos, ganham ainda mais importância em um cenário de retomada econômica.

É importante lembrar que antes mesmo da atual crise que se abate sobre o país ainda não tínhamos superado a anterior, de 2015-2016. A recuperação mais lenta da história, que não chegou a se completar, agora virou passado. Se o maior PIB da história (2014) parecia inalcançável antes de 2022/2023, agora sabe-se lá quando é que iremos alcançá-lo. Em função disso, toda e qualquer mudança que possa facilitar o ritmo da retomada econômica importa bastante.

Neste sentido, a governabilidade é um alento, pois é justamente através dela que podemos imaginar uma possibilidade maior de aprovação de reformas que consigam pavimentar uma retomada econômica mais sustentável. Imaginemos por exemplo um cenário como o da aprovação da reforma previdenciária: mesmo sem o tal condenável “toma lá dá cá” pudemos observar uma larga votação favorável nas casas legislativas. Não se pode desprezar o poder que o pragmatismo de uma união entre o governo e o centrão possa ter neste aspecto.

Porém, tudo depende de…

Como nem tudo são flores – na verdade, ultimamente, quase nada o são -, é importante lembrar que tudo isso depende de um ajuste fino entre o presidente e seus próprios ímpetos.

Não que seja difícil de explicar para quem lê este artigo, mas o presidente está longe de ser a pessoa menos inconstante do país e, em virtude disso, o “estamos namorando” dito em relação ao presidente da Câmara Rodrigo Maia e a distribuição de cargos que tem ocorrido ultimamente podem, ao menor sinal de novo surto presidencial, virarem fumaça. Lembrem-se que apenas nessa história de “meus ministros têm carta branca” já tivemos três saídas relevantes nas últimas semanas.

O jogo político a ser jogado depende muito de Bolsonaro

Em uma situação sui generis, o presidente pode, tal qual no início de seu mandato, depender apenas de sua própria boa vontade em colaborar para que os planos não só de permanecer na presidência como também de passar reformas se concretizem.

Três aspectos são relevantes para explicar como isso pode de fato acontecer. O primeiro é o apoio popular: apesar de ver sua rejeição subir, a aprovação ainda é de 30%, nível este que, de longe, não sinaliza às casas legislativas que exista possibilidade palpável de impeachment. Em segundo lugar, a oposição atualmente utiliza a estratégia “vamos esperar desidratar”, esperando que o presidente siga errando, além do fato de talvez não querer assumir um abacaxi enorme como esse que Bolsonaro tem nas mãos. E, em terceiro, o adicional mais recente: agora conta-se com o antes demonizado e agora agraciado centrão.

No fim das contas, a tal da governabilidade está de volta. Resta saber se é pra ficar ou, se como há um mês, terá acabado o “espaço para negociação”. Acompanhemos as cenas dos próximos capítulos.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 18/05/2020

Comunicação e liderança política fazem diferença em tempos de crise

Logo ao início deste artigo já queremos colocar um ponto importante: envie este texto a quem você conhece que diz algo como “ninguém está levando a sério o que o presidente do Brasil diz sobre essa pandemia, não precisa se preocupar”.

Crises têm começo, meio e fim

Por mais difícil que pareça acreditar quando se está em meio a uma crise, sim, crises têm começo, meio e fim. Usaremos como exemplo para o artigo a crise que estamos enfrentando no momento, o Covid-19.

Doença cujo descobrimento se deu na Ásia no último trimestre de 2019, com epicentro na região chinesa de Wuhan, teve seu primeiro caso confirmado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020 – uma quarta-feira de cinzas, ironicamente.

Não era segredo algum que um dia o vírus chegaria aqui no Brasil. Tivemos um certo tempo de observação das reações internacionais (ao menos na China, na Itália e na Espanha com grandes e danosos efeitos) e, consequentemente, para nos prepararmos. É importante questionar: quando o Brasil começou a se preparar para a chegada do vírus?

Poderíamos ter nos preparado em termos de conscientização da doença e também da capacidade técnica necessária para lidar com ela. Não se trata de problema fácil de lidar, mas preparação da população com uma comunicação mais unívoca faria enorme diferença. Porém, o que vimos foram discursos desencontrados de que, dentre outras coisas, precisaríamos entender como o vírus se comportaria num país tropical já que o caso começou em países com temperaturas mais frias. Todo tipo de subterfúgio foi utilizado para não ser necessário admitir que teríamos, de uma forma ou de outra, de lidar com essa pandemia.

Ah, mas a economia…

Importante ressaltar que mesmo antes do Covid-19 nossos indicadores econômicos estavam bem ruins – seja na parte do crescimento, que patinava, ou mesmo no aspecto do endividamento público, após seis anos seguidos de déficit primário e já deixando claro que 2020 seria o sétimo ano. Contrariando a “decolagem” que alguns supunham na equipe econômica entramos nessa crise como um país quebrado e endividado. Ao contrário da Alemanha que possuía superávit fiscal e dos Estados Unidos que tinham desemprego ao redor de 4%.

Entramos em situação ruim na crise, com ela ficaremos em dificuldades ainda maiores. A situação poderia ser bem diferente caso tivéssemos, no pós-previdência (terceiro trimestre de 2019), já encaminhado outras reformas de impacto fiscal e econômico em geral, como a administrativa e a tributária – reformas essas que, agora, ganham ainda mais destaque dada a situação do endividamento que se deteriora em virtude dos desembolsos necessários para a lida com a pandemia. Com a corda orçamentária cada vez mais esticada e frágil, as justificativas para não entrarmos em um ritmo acelerado de reformas após este momento extraordinário são cada vez mais insustentáveis.

Outro ponto que muito provavelmente não será relegado ao último plano após toda essa catastrófica gestão de crise é a capacidade de gerir políticas públicas mais eficazes e, em tempos de crise, ter lideranças políticas que saibam efetivamente promover uma comunicação que faça a diferença.

Tenha você, leitor, em mente, que a partir do momento em que essa pandemia se fez presente a economia ao redor do globo já entrou em fortes dificuldades – segundo o FMI, a maior crise desde 1929.

Em um momento difícil como esse para o planeta inteiro, a decisão não a cargo de termos uma crise econômica ou uma na saúde, mas sim de, dado que a crise econômica seria inevitável, quais os caminhos para que isso não acompanhasse também um colapso na saúde? Por aqui, “sem querer querendo”, parece que optamos por ter as duas coisas.

Liderança impacta!

Em toda crise, o líder e sua capacidade de liderar é primordial. E o que é liderar? É ser o exemplo, transmitir segurança e, principalmente, ter uma excelente comunicação com a sociedade.

Vale ressaltar que espera-se do líder preparação para ser julgado independente do resultado ou da eficácia das decisões, ou seja, o líder deve caminhar contra ventos e correntezas. É fundamental que o líder transmita confiança e segurança para seus liderados. Podemos citar como exemplo Churchil no pós Segunda Guerra Mundial quando, diante de toda a expectativa de que findo o conflito as dificuldades teriam desaparecido, ele lembrou que, na realidade, ainda havia muito por se fazer. Certamente isso é bem diferente de amenizar os problemas – ou mesmo, como tivemos em uma campanha presidencial de 2014, fazer troça de quem os coloca na mesa.

Aqui no Brasil, nesse momento, estamos vivendo um apagão de lideranças. A sociedade está perdida e procura se segurar em algo que lhe dê confiança. Mas o que vemos? Discursos desencontrados, piadas e brigas políticas. A única coisa que não vemos é um líder que luta pela sua nação e principalmente por vidas. É um desencontro de opiniões e comunicação.

O maior sinal dessa liderança desencontrada é o fato de que embora o assunto principal seja a pandemia, tudo que vemos por aqui são demonstrações diretas de tentar dar nome aos avanços – em vez de focar nos avanços em si.

A frase “não importa a cor do gato, contanto que apanhe o rato” nunca se fez tão ausente em nosso país quanto agora. Aparentemente, por aqui vale discutir muito mais a tonalidade do gato do que se efetivamente o rato foi pego.

Se há um momento em que se espera uma atitude mais altiva de direcionamento do Estado é esse. E se existe um momento mais tosco para demonstrações de poder, também estamos nele.

Comunicação importa!

Não podemos deixar de falar que a crise é um ambiente fértil para boatos, afinal temos uma sociedade sedenta por informações e respostas, e com isso vai acreditar em tudo que lhe é dito.

O grande líder tem o dever de informar a sociedade de forma clara, com a verdade, e principalmente, trazendo esperança e colocando as pessoas como parte da resolução do problema, não do problema em si.

A comunicação deve ser feita com empatia e quem comunica não pode esquecer que cada ouvinte passa por diferentes situações e está com os sentimentos vulneráveis.

Toda decisão tomada deve ser explicada de forma clara, qual o objetivo e resultados esperados, ou corre-se o risco não desprezível de perder em credibilidade.

Nesta crise do coronavírus peguemos um breve exemplo do que é mais eficaz do que o que tivemos por aqui. Na Alemanha, Angela Merkel foi a televisão e disse claramente: “desde a Segunda Guerra Mundial nosso país não enfrenta um desafio que depende tanto de nossa solidariedade coletiva”.

Uma comunicação como essa exime que algumas pessoas sejam irresponsáveis? Não, mas coloca-as como irresponsáveis de maneira mais direta.

Por aqui, nossa “grande estratégia” foi digna dos filmes dos Trapalhões: o presidente não levou a doença a sério e deu a entender que não precisava ser levada, quando governadores começaram a agir reagiu como se “estivessem em campanha política”, houve uma demissão do Ministro da Saúde que discordava dele e desautorizações públicas diversas de seus próprios comandados.

E daí que o presidente fala besteira?

Provavelmente neste momento o leitor se perguntará qual a diferença dos discursos do presidente porque “é claro que sabemos que ele está equivocado”. Pois é, nem tudo é tão límpido assim. Um terço da população acredita que a gestão de crise (se é que ela realmente existe) por parte do presidente é ótimo/boa. Na prática, temos uma quantidade não desprezível de pessoas no país que também acredita que a doença não é algo que demande tanta seriedade assim. E o impacto disso é relevante: por todo o país pessoas pressionam prefeituras e governos estaduais a respeito de uma abertura que precisa ocorrer já que, na prática, “nem é tudo isso aí essa doença”.

Comunicação em crise muda o jogo

Como foi dito anteriormente, tivemos um tempo razoável para começar uma campanha educativa sobre o que estava acontecendo na China, Itália, Espanha, EUA e o que poderia acontecer aqui aqui no Brasil.

Mas já que não tivemos essa capacidade de comunicação educativa pré crise, como deveria ser feito durante a crise?

A principal ação é intensificar campanhas educativas sobre o vírus explicando as consequências mais graves que ele pode ter quando a pessoa é contaminada, o que acarreta para o sistema de saúde e a importância de se proteger. Não há necessariamente um espaço de tempo para que uma mudança cultural seja colocada em prática, mas o máximo de informações possível sobre os cuidados com a doença é o que deveríamos estar vendo o tempo todo. Um exemplo é enviar mensagens de texto simples e educativas.

É essencial manter o bom relacionamento e uma comunicação eficaz com a imprensa. Imprensa vive de furos, então não dê motivos para que dúvidas sejam geradas em relação aos números de saúde, gravidade da crise e conflitos políticos. O que menos precisamos em um momento de crise são suposições.

Não existe gestão de crise sem uma comunicação alinhada e coordenada entre lideranças (como exemplo: federais, estaduais e municipais) para que a população não fique com dúvidas e incertezas em relação às medidas adotadas e, principalmente, qual liderança seguir.

Líderes têm como obrigação comunicar transparência com o cenário atual e previsões para o futuro.

Todas as ações devem ser comunicadas à população com antecedência, clareza, transparência, explicando o porque daquela medida e o resultado esperado. Se a população tem tempo para se programar, as mudanças tendem a ser menos traumáticas.

Caso medidas tomadas sejam revogadas, o líder deve pedir desculpas e explicar onde foi o erro e deixar claro quais serão as novas medidas adotadas para os novos resultados.

Importante perceber se a comunicação está clara e empática para mostrar que a sociedade também é responsável pelo avanço da crise.

A comunicação precisa ser transparente em como será uma futura realidade, as pessoas precisam sentirem-se seguras com o futuro para ter incentivos e agir no presente.

Infelizmente podemos citar inúmeros exemplos de lideranças políticas que têm desempenhado um importante papel e se comunicado de maneira eficaz com a sociedade e são eles: Boris Johnson (Reino Unido), Angela Merkel (Alemanha), Andrew Cuomo (NY), José Luis Martínez (Madrid), entre outros.

O Brasil está dando aulas em ruídos de comunicação e do que não fazer em termos de gestão de crise. É importante notar que artigos como este que você está lendo servem para que, no futuro, não se possa apontar que “não se sabem as causas do caos na lida com uma pandemia como a do coronavírus no Brasil” e, além do mais, também servem para suscitar uma discussão mais séria sobre como a comunicação política mais eficaz faz diferença quando do Estado se esperam ações efetivas de direcionamento.

Caio Augusto

Editor do Terraço Econômico.

Nara Borges

Mestranda em comunicação na contemporaneidade pela Cásper Líbero e chefe de gabinete do Dep. Estadual Daniel José.

 

Publicado no Terraço Econômico em 18/05/2020

CADÊ O TAL VÍDEO BOMBÁSTICO? no TerraçoCast #170

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Victor Candido, Renata Velloso e Rachel de Sá sobre os seguintes assuntos:

– Victor, o que a última ata do COPOM indica sobre os rumos da Selic?

– Renata, atualize para nossos queridos ouvintes as novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

– Rachel, e a novela política brasileira? O que tivemos de novo nessa semana?

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Rendimento CDB: taxas e liquidez em 2020

Tendo em vista que você já leu nosso artigo-guia sobre o que é CDB, agora é hora de aprender resumidamente um pouco mais sobre como funcionam o rendimento e a liquidez desse tipo de investimento.

Tipos de rentabilidade do CDB

Todo CDB apresenta um tipo de rentabilidade que está entre os seguintes três tipos: prefixada, pós-fixada ou híbrida.

O CDB prefixado é aquele em que, no momento da aplicação, você já sabe exatamente qual será a remuneração em todo o período, pois ela já é declarada como fixa. Um exemplo: CDB com taxa de 5% ao ano e duração de um ano.

O segundo tipo, que é o CDB pós-fixado, é aquele em que o rendimento tem relação com alguma taxa que varia ao longo do tempo. Exemplo: CDB que tenha rentabilidade de 102% do CDI.

Já o terceiro é uma união dos dois primeiros, dado que uma parte do rendimento é conhecida por ser fixa e outra parte dependerá de alguma taxa que varia ao longo do tempo. Imagine como exemplo um CDB que remunere ao IPCA (variável) somado a 2% (fixo) para o período.

Investimento mínimo no CDB

Esta informação depende bastante de como a instituição financeira consegue fracionar o título que coloca para venda. Mas, geralmente, o valor inicial para aquisição de um CDB está em R$1.000,00 ou em múltiplos disso (R$5.000,00 ou R$10.000,00).

Isso ocorre porque o banco que coloca esses títulos no varejo tem um custo para o fazer e, na prática, colocar o valor de um CDB muito abaixo disso talvez não compense a operação. Importante notar que, ainda assim, existem instituições que permitem o investimento nesses títulos em valores menores.

Prazo de aplicação

A liquidez do CDB é outro fator conhecido já no momento da aplicação. Basicamente aqui temos dois tipos: o título de liquidez diária e o que não tenha essa liquidez.

Um CDB de liquidez diária é aquele que, independente do momento da aplicação, permite que haja um resgate do valor corrigido para aquele período. Geralmente, por oferecerem essa liberdade, remuneram menos do que o tipo sem liquidez, explicado a seguir.

Aquele CDB que não oferece liquidez diária é, em termos práticos, aquele em que o seu dinheiro ficará com a instituição financeira por um determinado período sem que você possa tirá-lo de lá e, ao final deste período, você receberá o valor corrigido (seja ele pós-fixado, pré-fixado ou híbrido, como já apresentamos).

Taxa de juros no CDB

Por se tratar de um investimento em renda fixa, o referencial do rendimento de um CDB é o CDI, que é uma taxa bastante próxima da Selic. Outros fatores de correção podem sim ser usados, mas para uma referência, um acompanhamento do rendimento, o foco se dá sobre o CDI.

Atualmente a Selic encontra-se em 3% ao ano e o CDI encontra-se ligeiramente abaixo disso (2,90%).

Como calcular o rendimento do CDB?

Em se tratando de uma taxa prefixada, o rendimento pode ser calculado corrigindo a aplicação pela taxa combinada ao início e deduzindo ao final o Imposto de Renda. Exemplo: um CDB de 5% ao ano para o período de um ano terá o rendimento de 5% menos o Imposto de Renda.

Quando se trata de uma taxa pós-fixada ou até mesmo híbrida, a simulação do investimento CDB torna-se um pouco mais complexa porque passará a depender da expectativa existente sobre a parte variável. Porém, dado que exista uma expectativa, a lógica é a mesma: trabalhar com o rendimento da aplicação do CDB (rendimento bruto) e deduzir o Imposto de Renda (rendimento líquido). Um exemplo: considerando que a Selic permaneça em 3% pelos próximos 12 meses, um investimento em CDB que renda 105% do CDI (que dá aproximadamente a Selic) apresentaria um resultado ao final de um ano igual a Selic deduzida do Imposto de Renda.

Importante notar que o Imposto de Renda que incide sobre um CDB é regressivo e funciona da seguinte maneira: para aplicações de até 180 tem a taxa de 22,5%, aplicações de 181 a 360 dias têm a incidência de 20%; entre 361 e 720 dias apresenta incidência de 17,5% e, para aplicações acima de 721 dias, a taxa passa a ser de 15%.

Investir em CDB é uma opção menos volátil e mais segura diante de momentos de incertezas como o que vivemos atualmente. Agora que você já sabe um pouco mais sobre o rendimento e a liquidez dele, bons investimentos!

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 11/05/2020

O que é CDB?

Talvez não por seu nome completo – Certificado de Depósito Bancário -, mas pela sua sigla, o famoso CDB, certamente você já ouviu falar disso. Mas, você sabe o que significa? Neste artigo-guia você vai ficar a par desta alternativa de investimento.

Como funciona o CDB?

CDB nada mais é do que um título de renda fixa que os bancos emitem para captar recursos que serão usados em suas atividades e projetos. Assim como em um título do Tesouro Direto em que você financia a dívida do governo, no CDB você está emprestando dinheiro para um banco tocar suas atividades, também em troca de uma taxa acordada ao início, logo no momento da compra.

Quais são os tipos de CDB?

A taxa que você combina com o banco no momento da compra pode ser de dois tipos, pré-fixada ou pós-fixada.

Prefixado

No caso da taxa pré-fixada, você sabe exatamente qual será o rendimento percentual do período em que deixará aplicado o dinheiro com o banco e, em função disso, acaba por acordar também que o dinheiro ficará com o banco naquele período todo. Imaginando um exemplo: você quando compra um CDB pré-fixado de 5% ao ano com prazo de um ano já sabe que aquele título comprado nesta data te renderá um valor corrigido em 5% (menos os impostos no momento do saque) daqui a um ano e antes da conclusão deste período você não poderá retirar o seu dinheiro do banco. Existem bancos também que oferecem a opção do pós-fixado com liquidez diária, a diferença é que você pode ter acesso ao dinheiro a qualquer tempo.

Pós-fixado

Já quando se trata de um CDB pós-fixado, o rendimento estará atrelado a alguma taxa, mas de olho em sua variação ao longo do período. Exemplo: você pode adquirir um CDB cujo rendimento seja de 102% do CDI e, na prática, isso faz com que, no período em que você deixar seu dinheiro com o banco (que pode ser de um dia para o outro ou mesmo deixar o título até o final do prazo), ele tenha o rendimento daquela taxa combinada. Assim como no caso acima, também temos o inverso em termos de liquidez: há bancos que colocam CDBs pós-fixados sem liquidez imediata.

Com uma Taxa Selic de atuais 3%, você leitor deve ter notado que há uma diferença razoável entre o CDB de taxa pré-fixada e o de taxa pós-fixada. Isso ocorre porque os bancos irão te remunerar mais por um tempo em que você não terá liquidez (com os títulos pré-fixados) do que pela possibilidade que você tem de sacar o dinheiro em liquidez diária (com os títulos pós-fixados). Aqui apresentamos apenas um exemplo numérico, mas realmente os títulos que você encontra têm esse diferencial – e isso se explica pela diferença de liquidez entre eles.

Híbridos

Existe ainda um terceiro rendimento possível, o híbrido. Neste o combinado inicial envolve duas taxas diferentes, sendo que uma estará fixada e outra não. Um exemplo: você pode encontrar um CDB que lhe pague o IPCA adicionado a alguma taxa fixa ao longo do tempo. Este terceiro tipo na realidade é uma subdivisão do CDB pós-fixado, dado que mesmo com essa diferente remuneração, ele funcionará da mesma maneira, com o investidor deixando seu dinheiro com o banco pelo período acordado, sem liquidez diária e tendo ao final do processo o recebimento do valor corrigido. Um exemplo desse caso híbrido é um CDB que pague o IPCA (índice de inflação) + 2% ao ano.

O que é CDI e como ele se relaciona com CDB?

A diferença entre o CDB e o CDI é que o primeiro é o título e o segundo é a remuneração associada. CDI significa Certificado de Depósito Interbancário, que é a taxa de juros utilizada entre os bancos quando se emprestam recursos. Ela está sempre nas proximidades da Selic, ligeiramente abaixo dela.

Como funciona o rendimento do CDB?

A simulação de rendimento de um CDB leva em conta o período que você deseja manter o seu dinheiro investido. Independente de ser pós-fixado ou pré-fixado, você pode comparar o investimento levando em conta os mesmos períodos.

Vamos para um exemplo. Supondo o mesmo CDB que apresentamos na explicação da diferença entre pós e pré fixados logo acima, vejamos quais os rendimentos para um ano. Condições: CDB pré-fixado pagará 5% ao ano, CDB pós-fixado pagará 102% do CDI (com liquidez diária) e a Selic terá os atuais 3% (sendo que, por aproximação e para facilitar as contas, teremos um CDI de 3% também). Outra suposição importante: cada título terá o valor de R$1.000,00. Vamos aos resultados:

 

  • CDB pré-fixado terá rendimento bruto de R$50,10 e, após o Imposto de Renda (de 17,5%), seu valor a receber será de R$1.041,33; CDB pós-fixado terá rendimento bruto de R$1.038,26 e, após o Imposto de Renda (também de 17,5%), você poderá retirar R$1.031,56.

 

Como bem apontado anteriormente, você pode conferir que há uma diferença entre os dois CDBs: tendo em vista que o pré-fixado não apresenta liquidez diária, o banco te remunera a mais por isso e, na prática, o “preço” da liquidez diária é ter um rendimento menor, afinal, não existe almoço grátis. Importante ressaltar que também podemos ter pré-fixados de liquidez diária e pós-fixados sem liquidez diária, mas a remuneração tenderá a ser sempre maior para os casos em que você não tenha a liquidez mais próxima.

Qual CDB tem mais rendimento?

Os CDBs que apresentam maior rendimento são aqueles que pagam a mais pela liquidez tomada do investidor. Ou seja, em termos práticos, o CDB que não tem liquidez diária tende a ter rendimentos maiores do que aquele que a tem. Isso é a demonstração de que o dinheiro tem valor no tempo – e que quando você aplica seus recursos com uma instituição financeira sem poder movimentar esse dinheiro por um tempo, ela deve lhe remunerar por esse tempo.

Quando vencem os títulos do CDB?

Como apresentado aqui neste guia, o prazo de resgate é conhecido no momento em que se faz a aquisição do CDB. É possível encontrar basicamente dois tipos: o que apresenta liquidez diária (que pode ser resgatado a qualquer momento) e outro que não tem resgate imediato. Para este segundo caso, temos desde o resgate em meses quanto também em anos. É preciso estar atento também a essa característica antes de investir em um CDB.

Investimento em CDB tem declaração no IR?

A tributação, como de costume nos investimentos, leva em conta o prazo investido. Existem dois tipos de impostos que você pode encarar num CDB.

O primeiro é o Imposto Sobre Operações Financeiras (o IOF), que incide de maneira regressiva durante os primeiros trinta dias da operação. Ele começa em 94% do rendimento para o caso de você o manter por um dia e deixa de existir após o trigésimo dia.

Já o Imposto de Renda (o IR) estará sempre presente independente do período do investimento, porém irá sendo reduzido conforme ele se esticar em prazo, da seguinte maneira: mantendo-o até 180 dias, ele será de 22,5%; de 181 a 360 dias, de 20%; de 361 a 720 dias, de 17,5%; e acima de 721 dias, de 15%. Veja que existe um estímulo real para que você mantenha seu dinheiro com a instituição financeira por mais tempo, pois no fim das contas seu rendimento terá menor incidência de imposto de renda.

Tem garantia de crédito pelo FGC?

O Fundo Garantidor de Créditos assegura que, caso a instituição esteja nele (e você pode consultar), você possa ter garantidos até R$1.000.000,00 em caso de conjuntas e R$250.000,00 em contas individuais de volta (por instituição financeira) no caso dela vir a falência. Essa é uma situação que não ocorre com tanta frequência, mas é importante notar que esse risco de falência existe e deve ser levado em conta no momento de comprar um CDB. Veja as regras completas desse mecanismo.

CDB x Poupança

As diferenças são basicamente três: o rendimento, como ele ocorre e os impostos incidentes.

Sobre o rendimento, a Poupança está sujeita a Selic e a Taxa Referencial, enquanto o CDB pode ter possibilidades diferentes, como ser fixo, ter relação com o CDI ou mesmo ser híbrido (ter parte fixa e parte que varia ao longo do tempo).

O meio como os rendimentos ocorrem também são diferentes: na Poupança ele ocorre uma vez ao mês (o chamado “aniversário”) e no CDB ele ocorre diariamente.

Já sobre os impostos, enquanto a Poupança não tem IOF nem IR, o CDB tem incidência de IOF e IR nos primeiros 30 dias e IR sempre.

CDB x LCI/LCA

As diferenças entre CDB e LCI/LCA estão em dois pontos: tributação e liquidez.

Em termos de tributação, CDB tem incidência de IR, enquanto LCI/LCA não.

Sobre a liquidez, temos que o CDB pode ser de liquidez diária ou não, mas LCI/LCA tem sempre algum prazo para que seja feito o resgate dos valores corrigidos (geralmente é de no mínimo um ano).

CDB x Tesouro Direto

São duas as diferenças: no CDB a garantia dada de pagamento é pela instituição (e, em caso de não pagamento, pela cobertura do FGC), enquanto no Tesouro Direto a garantia de pagamento é feita pelo próprio Tesouro Nacional e, em relação aos rendimentos, enquanto no CDB você sabe que a correção será feita na taxa acordada pré ou pós ao início, no Tesouro Direto você tem essa segurança apenas segurando o título até o final, porque caso decida vendê-lo no meio do caminho (com exceção ao Tesouro Selic, que tem rendimento acumulado o tempo todo), estará sujeito ao que o mercado está pagando no momento – e isso pode resultar em um rendimento positivo ou negativo.

Quais são os passos para investir em CDB?

Primeiro de tudo, você precisa levar em consideração que deseja ter uma segurança maior ao longo do tempo e que precisará contar com aqueles recursos como em uma reserva de emergências. Com esse objetivo, é interessante que a alocação seja feita em um CDB pós-fixado de liquidez diária.

Sendo o caso de uma aplicação que tenha foco em um prazo maior de tempo, que o recurso não precise ficar disponível no curto prazo e que a ideia seja buscar rendimentos maiores para o futuro, passa a ser mais vantajoso que a aplicação seja em um CDB prefixado de prazos maiores.

No fim das contas, o mais importante é inicialmente conhecer seu perfil de investidor e, em segundo lugar, conhecer minimamente a instituição financeira que você está afim de comprar o CDB. Por conhecer minimamente entenda verificar se ela consta na lista de instituições garantidas pelo FGC e também o quanto ela está pagando em rendimentos em relação ao que se tem de taxas de renda fixa no momento.

Agora que você já conhece mais sobre CDB, aproveite para fazer bons investimentos neste mecanismo de renda fixa!

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 11/05/2020

SELIC NO CHÃO (E CAINDO) no TerraçoCast #169

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Rachel de Sá, Renata Velloso e Victor Candido sobre os seguintes assuntos:

– Rachel, faz uma atualização da novela política brasileira pra quem não tem conseguido acompanhar tanta informação;

– Renata, atualize para nossos queridos ouvintes as novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

– Victor, COPOM mandou uma queda de 75bps de uma vez e agora a Selic é de 3%. E agora?

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THOMAS CONTI SOBRE COVID-19 no TerraçoCast #168

Nesta edição especial, Caio Augusto acompanhou Thomas Conti, que é professor no Insper e no IDP e também é divulgador científico (hoje dedicado à crise do coronavírus).

Eis os assuntos tratados:

– Se há sorte do Brasil é de ter visto o coronavírus chegar aqui após outros impactos fortes no mundo (China, Itália, Espanha, etc). Fizemos a lição de casa corretamente durante esse intervalo de tempo?

– O que é, na prática, essa questão de achatar a curva de casos? E por que é tão importante deixar o pico da doença mais baixo e ao longo do tempo? – Lockdown ou não lockdown: o que deveríamos fazer agora para evitar um possível/provável/esperado colapso em nosso sistema de saúde?

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NAvalha Política – 08 – 03-05-2020 – Economia em risco e visões de um futuro.

Neste episódio debatemos sobre o quadro econômico brasileiro atual e perspectivas para políticas e elementos futuros. Tivemos a presença especial de Caio Augusto que é formado em Economia Empresarial e Controladoria pela Universidade de São Paulo (FEA-RP), atualmente cursando o MBA de Gestão Empresarial na FGV e júlio Amorim que é formado em Ciências da Computação e atua no mercado financeiro como Gestor de Risco em carteira de Fundos de Investimentos.

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GUEDES DE SAÍDA? no TerraçoCast #167

Nesta edição, Caio Augusto acompanha Rachel de Sá, Renata Velloso e Victor Candido sobre os seguintes assuntos: – Rachel, na novela brasileira da tríplice crise (saúde, economia e política), Moro saiu. Será que o Guedes também sai?

– Renata, atualize para nossos queridos ouvintes as novidades sobre o coronavírus (o já consagrado CoronaNews);

– Victor, que a Selic deve cair a gente já sabe. Mas não é tão simples assim o quanto. Conta pros nossos ouvintes o que o COPOM está de olho antes de tomar essa próxima decisão. Gostou do nosso podcast? Compartilhe com quem você gosta! É com muito amor, satisfação e suor que produzimos conteúdo novo constantemente pra você.

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O que são CICLOS ECONÔMICOS?

Um país pode estar crescendo enquanto outro desacelerando, ou até mesmo em recessão. Veja com nosso editor Caio Augusto sobre ciclos econômicos, que visualizam o crescimento ou desaceleração dos países ao longo do tempo.

Disclaimer: vídeo gravado antes da pandemia de coronavírus (por isso se inicia afirmando que o Brasil está em ritmo ascendente e o mundo desenvolvido desacelerando). É de conhecimento da equipe que, em virtude dessa condição extraordinária em que vive o mundo quando da publicação do vídeo, na verdade, todos os países estão desacelerando ou mesmo em recessão.

 

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