NETSHOES NA MAGAZINE LUIZA: INTEGRAÇÃO COM BASTANTE POTENCIAL

Após uma emocionante disputa entre Magazine Luiza e Centauro, a Netshoes acabou ficando com aquela primeira. Não se tratou de uma questão puramente financeira, afinal, enquanto Centauro ofereceu US$4,10 por ação, Magazine Luiza ofereceu R$3,70. Se não foi uma questão financeira, o que teria contribuído para essa aquisição?

Magazine Luiza é uma empresa que se modernizou e, em virtude do acompanhamento que realiza do varejo e das novidades integrativas presentes nele – como a otimização de logística e a compra direto por meios móveis -, mostrou impressionante ganho de valor acionário nos anos recentes. Dado o conhecimento do nosso varejo nacional e a recente expansão para regiões que antes não tinha acesso, não é difícil dizer que é uma das mais fortes concorrentes à expansão da Amazon no Brasil.

Netshoes é uma empresa da qual dificilmente se ouvem reclamações – ou, quando se ouvem, são rapidamente resolvidas. A queridinha do setor esportivo já representa recorrência de compras com seus clientes, mas uma dificuldade em termos operacionais e financeiros a impede de expandir-se nacionalmente. Inclusive, sua estratégia de expansão era desejada, mas muito custosa sobre seus resultados operacionais, o que colocava à prova sua real capacidade. Ou melhor, a impedia até agora.

Centauro, outra proponente na disputa, tem um grande capital operacional e conhecimento no setor esportivo, isso seria de fato grande vantagem para a Netshoes. Porém, a sinergia que acaba entregando mais valor – e que justifica a venda ter sido acordada com a Magazine Luiza por preço inferior – é o fato de que, ao lado da rede que se expandiu e se modernizou com tanta velocidade, ela pode cumprir justamente os planos de expansão.

A integração entre as duas empresas acaba sendo muito positiva basicamente porque o que uma busca de melhoria encontra na outra – e o que eventualmente teria falta, passa a ser suprida pela outra. Na prática, Netshoes joga muito bem no campo virtual, mas precisava de muito recurso para se expandir caso ficasse apenas no digital. E Magazine Luiza já tem a proximidade do varejo físico, mas estar em mercados mais específicos (e sobre os quais pode ditar os rumos de expansão com maior segurança) do meio digital, acaba por fortalecer ainda mais os negócios dela como um todo.

Existem análises que acreditam ter-se chegado a um limite sobre a expansão de valor do Magazine Luiza, que a otimização possível teria chegado ao máximo. Aquisições como essa que acabou de ser realizada podem dizer exatamente o contrário e o caminho de subida ainda esteja muito distante do fim.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em junho de 2019:

– Blog da Guide Investimentos (19/06/2019): https://blog.guide.com.br/textos/netshoes-na-magazine-luiza-integracao-com-bastante-potencial/

POR QUE O BRASIL NÃO DÁ CERTO no Terraço em Quinze Minutos #99

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto, Paulo André, Rachel de Sá e Renata Kotscho Velloso respondendo às perguntas dos seguidores do Instagram:

raphamgomes: “Como tornar o Real uma moeda mais forte e até que ponto isso é bom ou ruim?”
marques_economista: “Qual a opinião de vocês sobre taxação de lucros e dividendos?”
tiagofachiano23: “Qual o próximo passo após a reforma da previdência?”
felipepnunes: “Quando o Brasil começou a errar como nação? Nem calçada aqui a gente faz direito”

MORO EM APUROS no Terraço em Quinze Minutos #98

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto e Renata Kotscho Velloso com os seguintes temas:

Moro/Deltan são pegos por hacker: Juiz pode ter orientado investigações
Trump compra briga com México e FED em uma mesma entrevista
Governadores apoiam reforma da previdência, desde que sem regime de capitalização. Isso é um problema?

Orçamento Base Zero: um ótimo Plano B

Enquanto tramita a reforma previdenciária – agora chamada de Nova Previdência -, vemos na equipe capitaneada por Paulo Guedes um pensamento bastante interessante e, se formos ver, talvez seja a primeira vez que isso ocorra. A ideia é: temos um plano principal para as contas públicas que envolve equilibrar as contas no sistema de aposentadorias pelos próximos dez anos, mas, caso isso não ocorra, vamos alterar a perigosa trajetória da dívida pública por outro meio, que é a desvinculação de desembolsos do governo.

Essa ideia, que tem sido chamada pela imprensa de “Plano B”, não tem fácil execução, mas coloca um paradigma interessante sobre as alocações feitas nos diversos orçamentos públicos. Provavelmente, seria o quinto marco importante para as contas públicas desde a Constituição de 1988.

O primeiro destes marcos é a própria Constituição que, ao ampliar o guarda-chuva da atuação do Estado, ampliou ano a ano (e ainda o faz) o tamanho do orçamento necessário. O segundo, o Plano Real, que permitiu estabilização da moeda e, no fim das contas, acabou com o financiamento inflacionário que os entes públicos se acostumaram até então. O terceiro, a Lei de Responsabilidade Fiscal que, na virada do milênio, estabeleceu limites (ou ao menos recomendações) para os desembolsos públicos, sendo obrigatoriedade de mínimos para alguns setores como saúde e educação e recomendação de máximo para folha salarial. Mais recentemente, tivemos no Teto de Gastos o quarto, que força as alocações públicas a algo que na esfera privada já se conhece desde sempre: entender que, diante de limites, escolhas terão de ser feitas.

Orçamento Base Zero é, em linhas gerais, a observação a cada período dos desembolsos realizados e a análise sobre a necessidade de se continuar tal desembolso ou descontinuá-lo. Na prática, nenhuma despesa seria mais vinculada ao orçamento público – o que significa que ele não teria mínimo -, mas, em contrapartida, saídas que não geram tanto retorno quanto se espera podem deixar de ocorrer com maior facilidade, evitando desperdícios.

Imagine o caso de uma cidade em que a participação dos idosos dentre os habitantes é três vezes superior ao de crianças. Pense também em uma cidade em que o contrário ocorre e temos muito mais crianças do que idosos. Faz certo sentido imaginar que a primeira cidade demandaria mais desembolsos em saúde pública do que educação, ao passo que a segunda necessitaria de maior atenção a educação do que saúde, não faz? Mas, atualmente, as duas cidades estão sujeitas aos mesmos padrões mínimos de alocação orçamentária – e, na prática, mesmo se não precisarem de novos recursos em uma determinada área, o “carimbo” no dinheiro determina que terá de ser gasto. Logo, desperdícios ocorrem apenas na boa intenção de evitar que a área seja “esquecida”.

Baseado em quê poderiam ser os desembolsos, se não por uma fixação legal? Em dados socio-econômicos da região, por exemplo. Taxa de natalidade, composição demográfica, renda per capita e outros aspectos ajudariam.

Não é um plano tão simples, exige muito mais esforço do que simplesmente atualizar o orçamento pela inflação do ano anterior – como é feito atualmente na imensa maioria dos casos. Porém, dado que nem o Plano A será capaz de domar a questão fiscal por completo, trata-se de ideia que deve ser pensada seriamente. É mesmo um ótimo Plano B.

Publicações deste artigo, que foi escrito em abril de 2019:

– Revista da Associação Comercial e Industrial de Franca (ACIF Franca), Edição 271, Página 06: http://www.acifranca.com.br/SITE/edicao/acif-em-revista-edicao271.html

MAIO: O PASSADO NÃO DESCREVE O FUTURO – AINDA MAIS AQUI

O mês de maio, nos últimos anos, tem ficado conhecido como o temeroso período de perdas na bolsa de valores. A estratégia sell in may and go away (em tradução livre: “venda em maio e vá embora”) parece estar consolidada entre muitos, que já entram neste mês vendidos em diversas posições, aguardando a hora de confirmar suas expectativas.

Chegamos a maio de 2019. Durante a primeira quinzena, expectativas negativas tomaram o cenário. Reforma da previdência não passa mais, desaprovação ao governo começa a superar a aprovação, articulação política tendendo a zero… Em suma, o caos que se aguardava em termos temporais parecia dar sinais de sua presença.

Então fomos para a segunda quinzena de maio: as tramitações começaram a avançar, uma reforma tributária também entra em jogo por proposta do congresso (aquele que parecia apático a qualquer necessidade do país) e, quase ao final do mês, uma manifestação popular demonstra que o apoio à reforma previdenciária, diferentemente de outros períodos, é real e notável. Reversão do caos e, para surpresa de alguns (tantos), maio fechou no azul depois de muitos anos.

O que podemos aprender apenas com a análise de um mês observando atentamente os mercados no Brasil é fascinante. Podemos dividir este aprendizado em dois pontos.

Em primeiro lugar, lembremo-nos de uma das leis mais importantes das finanças: o passado não é capaz de descrever o futuro. Isso não significa que você não possa ter suas previsões, mas, que fique bem claro, o conjunto de dados passados, por si só, não consegue apontar direções futuras. Isso porque a quantidade de variáveis é imensa e, entre gestão interna das empresas e cenário externo que as rodeiam, tudo pode mudar e causar mudança na previsão realizada inicialmente. Caso seja considerado apenas o histórico de preços então, fica ainda mais difícil de apontar com maiores certezas a direção futura.

Outro aspecto importantíssimo é o institucional do Brasil. Tendo em vista nossa enorme gama de questões ainda a serem resolvidas – como a previdência, a simplificação tributária, a infraestrutura, dentre outras -, sinais de que alterações podem ocorrer ou que haverá continuidade do mesmo fazem muita diferença (além do que a própria gestão de cada empresa consegue direcionar). O anúncio de uma concessão de rodovias pode melhorar a logística e deixar as previsões futuras mais positivas (com uma queda de custo logístico), mas quando se anuncia por exemplo que o saneamento básico não será concedido à iniciativa privada, alguns investimentos que dependiam da expansão desta malha sanitária deixarão de ocorrer. Por aqui, essas duas coisas podem acontecer dentro do mesmo mês.

Provavelmente, se neste maio, que se encerrou na semana passada, o negativo tivesse prevalecido, a tese do “neste mês sempre observamos quedas” teria ganhado um ponto a mais no tempo – e mais adeptos para os próximos anos. Porém, sabendo que o passado não descreve o futuro (ainda mais por aqui), fique esperto quando ler previsões certeiras sobre um futuro “igual ao que já se viu”.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em junho de 2019:

– Blog da Guide Investimentos (07/06/2019): https://blog.guide.com.br/textos/maio-o-passado-nao-descreve-o-futuro-ainda-mais-aqui/

POR QUE DILMA ERROU no Terraço em Quinze Minutos #97

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto respondendo às perguntas dos seguidores do Instagram:

savegocapital: “Depois da reforma da previdência, qual a medida mais importante a ser tomada?”
costadiego_bra: “inflação causa juro ou juro causa inflação?”
leaoteixeiraf: “falem em números: por que essa reforma vai dar certo. É porque o outro modelo é tão…”
leosouza_lss: “por que os governos anteriores tiveram que liberar tanto crédito após a crise de 2008? Como isso aprofundou a crise interna? E o que explica os juros e o consumo das famílias?”

TÁ CHOVENDO PODCAST no Terraço em Quinze Minutos #95

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto, Paulo André e Pedro Lula Mota respondendo às perguntas dos seguidores do Instagram:

@daniel.ortolani – “Bolsonaro está perdendo tempo com coisas inúteis?”
@joyceapg – “Guedes fica até o fim do mandato?”
@beladalpozzo e @brandaovictor – “O que é esse negócio de conta em dólares? Quais as vantagens e possibilidades?”
@igorchornobai – “Existe algum livro “bala de prata” para aprender economia numa leitura só? Se não, por onde começar a estudar?”

ESPECIAL ENEF: REGRA 50-35-15 – ORGANIZANDO O ORÇAMENTO PESSOAL

Dentro do campo das finanças pessoais, uma das grandes dúvidas que paira sobre a mente de quem deseja organizar melhor suas contas é como direcionar o dinheiro que entra para que, no fim das contas, sobre recurso a ser poupado/guardado/investido. Ou seja, organizar o orçamento pessoal.

Considerando inicialmente que seu orçamento consiga cobrir todas as suas despesas – e a recomendação clássica de Warren Buffet de que você não deve guardar o que sobra após os gastos, mas sim gastar o que sobra após seus investimentos -, uma regra razoavelmente simples ajuda a organizar o dia a dia financeiro.

Essa regra delimita que você divida seu orçamento em três grupos de destinações. Em 50% estariam alocados todos os seus desembolsos obrigatórios, dos quais você não pode deixar de fazer porque tornariam inviáveis sua vida ou seu trabalho. 35% seria a fatia de seu orçamento sob a qual cortes poderiam ser efetuados, gastos que estão envolvidos com seu estilo de vida. 15% pertence ao seu eu do futuro, são as “despesas” financeiras, o quanto você deve alocar para ter um futuro mais confortável.

primeiro passo para colocar essa regra em prática é levantar com a maior exatidão possível quais são suas receitas e despesas. Inicialmente, coloque-as todas “na mesa” para, em seguida, atribuir a elas a destinação adequada.

Com altas chances, de imediato você perceberá que seus gastos não se encaixam nesta regra. Provavelmente seu 50% é muito maior e talvez seu 15% não exista.

É neste momento que a regra se torna mais interessante em sua aplicação, porque há a consciência de que ajustes podem ser feitos. Tudo que você nomeou como obrigatório é mesmo obrigatório ou poderia se reduzir? Aquela assinatura de TV a cabo que você quase nunca assiste, aquele plano de celular muito acima do que você usa… Olhando com cuidado, quase sempre há o que reduzir.

Enquanto você reduz, surge o espaço para os 15%. A maioria dos brasileiros têm esse item nas proximidades de zero. Que tal utilizar a estratégia de colocar você mesmo como uma despesa futura? Assim, haverá menor sensação de “não está sobrando nada”. Coloque-se como uma obrigação sua.

Quanto aos 35%, o lembrete: não adianta enxugar seus gastos obrigatórios para seu eu do futuro e não viver o presente.

Provavelmente o leitor terá dores de cabeça após ler este artigo. É normal que aconteça – e positivo, porque indica que alguma atitude será tomada. Busque colocar esta regra em ação e veja, ao longo do tempo, como a preocupação com suas finanças pessoais se tornará mais algo bom a se lembrar do que um pesadelo.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em maio de 2019:

– Blog da Guide Investimentos (22/05/2019): https://blog.guide.com.br/textos/especial-enef-regra-50-35-15-organizando-o-orcamento-pessoal/

ACABOU O DINHEIRO no Terraço e Quinze Minutos #91

Nesta edição, Lucas Goldstein acompanha Caio Augusto e Paulo André respondendo às perguntas dos seguidores do Instagram:

@keytonsouza: há alguma fonte que é possível fazer cortes que não seja a educação?
@herbetgomes: O protesto de ontem teve a ver com educação ou foi de puro caráter político?
@fegasparetto: Até quando deve durar o pão com ovo que está essa bolsa em maio?
@leoobx: Bitcoin, expectativas futuras?

Os quatro itens principais na hora de investir

Provavelmente você já ouviu por aí a frase “o que o banco te oferece é bom pra ele, não pra você”. Em muitos casos, é verdade: as metas internas dos bancos em relação a lucratividade e ao mix de produtos financeiros oferecidos levam em consideração os objetivos de aumento de eficiência do banco, não do que o produto em si oferecerá ao cliente. Ainda assim, isso por si só não significa que qualquer coisa que uma corretora te oferecer será positivo também. É preciso que sejam observados alguns aspectos antes de colocar seu dinheiro em algum investimento.

Tendo isso em mente, fica a pergunta: o que então devo olhar quando for fazer um investimento? Tenha a maior informação possível dos quatro próximos itens e você reduzirá bastante seu risco de fazer um investimento que te decepcione.

Retorno. A expressão “esse produto rende muito” não é válida se não acompanhar um comparativo ou ao menos um guia de referência. Rende muito do quê? Geralmente esse guia é o CDI, que é a taxa de empréstimos interbancários, sempre próxima da Selic (que é nossa taxa básica de juros). Saiba qual o rendimento esperado antes de aportar recursos, para não dizer depois que se arrepende dos resultados alcançados mesmo se forem exatamente iguais aos que você contratou.

Tipo de investimento. Em se tratando de renda fixa, tipo de investimento em que o dinheiro aportado será devolvido com correção, os retornos serão pré-fixados (uma taxa combinada ao início, como por exemplo “7% ao ano”) ou pós-fixados (um percentual de algo, geralmente o CDI, sendo pago ao redor do tempo, como por exemplo “110% do CDI”). Em se tratando de renda variável, que é aquela em que o recurso aportado pode aumentar ou reduzir de valor, os retornos apresentados são passados – tome cuidado com possíveis casos em que quem está te oferecendo assume que “vai seguir sempre assim”, porque renda variável, como já diz o título, pode subir ou descer (portanto, o risco é maior, esteja ciente disso antes de entrar neste investimento). Se seu perfil de risco for mais arrojado e você suporta perdas de curto prazo, renda variável terá um espaço em sua carteira; se não, a renda fixa será seu lugar preferido de alocação.

Prazo de resgate. Considerando que você já tenha uma reserva de emergência que consiga suprir suas necessidades por alguns poucos meses em casos extraordinários, é hora de decidir sobre o tempo de resgate dos investimentos. Aqui, são basicamente duas as categorias: a dos investimentos de liquidez diária (que podem ser resgatados em qualquer dia útil após os aportes) e os que não tem liquidez diária (não são imediatos para resgate). Esse ponto é importante mas, de vez em quando, esquecido: é possível que a “ótima oportunidade” que estejam te oferecendo envolva “congelar” seu dinheiro por seis meses. Esteja atento a isso, pois pode resultar em dor de cabeça: se precisar de recursos no curto prazo, aplique mais em liquidez diária e, se puder esperar mais (ou seja, não precisar usar aquele recurso no curto prazo), aloque nos resgates mais longos. Pelo risco e custo do dinheiro no tempo, prazos mais longos tendem a remunerar mais.

Custos. Apenas em histórias mágicas fazer um investimento não resulta em custo algum. Em todos os outros casos da realidade, existem no mínimo três: os impostos, as taxas operacionais e o custo de oportunidade. Quanto aos impostos, dois estarão quase sempre presentes: o IOF (imposto sobre operações financeiras, que dura até o último dia do primeiro mês da aplicação e é decrescente) e o IR (imposto de renda, que também é decrescente, mas não zera e sua menor alíquota ocorre apenas após dois anos de investimento). Em relação a taxas de operação, existe um grande grupo delas, que podem envolver a performance do fundo, o carregamento, a manutenção, etc. Esteja pronto para perguntar sobre isso – mesmo que o gerente de seu banco esteja muito pouco disposto a te apresentar, já que essa é a parte mais desanimadora e que ele menos espera que você fique pensando. O custo de oportunidade é a resposta da pergunta “se não estivesse neste investimento, quanto meu dinheiro poderia estar rendendo em outro?”; quanto mais clara a resposta dessa pergunta, menor o arrependimento possível com um investimento de longo prazo.

Especialmente quanto aos impostos, as duas tabelas regressivas abaixo, do IOF e do IR, ajudam bastante. Lembrando que esses percentuais são o que você pagará sobre os rendimentos, não sobre o capital todo aplicado:

Na prática, como você deve proceder diante de uma oferta de investimento? Fique com esses quatro pontos na mente e, quando oferecida tal oportunidade, pergunte sobre os quatro. Não fique apenas no “este fundo Ultra Mega Blaster do Banco XYZ é excelente, confie em mim”, opte por perguntar o quanto ele rende (historicamente ou a porcentagem do CDI), que tipo de investimento ele é (renda fixa ou variável), por quanto tempo seu dinheiro ficará com a instituição (se você pode retirar os recursos a qualquer momento ou em quanto tempo pode fazer isso) e quanto custa a operação (impostos e todas as taxas é o que você perguntará ao banco e “que rendimento teria em outro lugar?” é o que você perguntará a si mesmo).

Com os dados de retorno e custos, você chega a um quinto ponto importante, que é o retorno real. De nada adianta ter um fundo magnífico de nome chamativo que renda 15% ao ano (o que é mais de 200% do CDI atual) se, entre impostos e taxas, você chegar a um rendimento real de 4,5% (próximo do que rendeu a poupança, o mais básico dos investimentos, no ano de 2018).

Informação é poder, principalmente em relação ao que você pode fazer pelo seu dinheiro. Sempre que receber uma proposta de investimento financeiro, não se esqueça de fazer essa breve análise de custo-benefício apresentada aqui. Outros fatores certamente pesarão mais sobre essa conta (como o custo de oportunidade do capital, no caso de um investimento produtivo), mas são basicamente esses quatro que farão a maior diferença ao longo do tempo.

 

Caio Augusto – Editor do Terraço Econômico

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em maio de 2019:

– Terraço Econômico (16/05/2019): https://terracoeconomico.com.br/as-quatro-primordiais-coisas-a-verificar-quando-for-investir/

– Investing.com Brasil (17/05/2019): https://br.investing.com/analysis/os-quatro-itens-principais-na-hora-de-investir-200226211?preview_fp_admin_1234=this_is_1234