SOBREVIVEU (ATÉ AGORA) A POLÍTICA DE PREÇOS DA PETROBRAS

O mês de maio de 2018 é inesquecível aos brasileiros. Uma greve que parou o país e nos ensinou sobre nossa imensa dependência do modal rodoviário, teve como base a questão do preço dos combustíveis, especificamente do diesel. O problema seria a política implementada de Pedro Parente, cujos reajustes permitidos eram diários. Mas que política de preços é essa?

A política de preços que a Petrobras aplica para os combustíveis é a seguinte: de acordo com a cotação internacional do petróleo e de outros fatores que sobre ela influem (a taxa de câmbio, por exemplo) passa a ser definido o preço nacional. Com isso, caso o preço do petróleo suba e/ou nossa moeda se desvalorize, o preço do combustível sobe. Desde a mudança dessa política, em julho de 2017, diesel e gasolina já tiveram seu valor aumentado em cerca de 50%.

Duas perguntas surgem quando este assunto vem à tona: se o Brasil tem petróleo, qual seria a razão de preferir importar e não refinar aqui? E, afinal, se essa política de preços permite que tantos aumentos aconteçam, por que ela continua em vigor?

A resposta da primeira pergunta é técnica, mas pode ser resumida no fato de que, apesar do Brasil ser autossuficiente em petróleo, é no tipo grosso, que é mais difícil de ser refinado, e, na prática, faz compensar que seja exportado o óleo grosso para que depois seja importado o óleo refinado. Diminuir essa dependência é uma estratégia possível, mas que poderia vir a aumentar os custos da empresa – e, por isso, vem sendo paulatinamente abandonada.

Quanto a segunda resposta, trata-se de uma questão mercadológica: como a Petrobras detém o monopólio do refino de combustíveis, mas não o de importação dos mesmos, para haver paridade o suficiente que incentive a chegada de novas empresas, é preciso que a competição de preços ocorra via importação.

Longe de ser uma unanimidade, principalmente em relação ao fator “quem vai arcar com essa subida de preços”, tal política ficou em cheque após a saída de Pedro Parente – que ocorreu logo após o final da greve dos caminhoneiros, entre o final de maio e o início de junho. Tal política resiste até hoje, apesar de agora contar com mudanças, por exemplo, na periodicidade dos reajustes.

Sobre ela, dois questionamentos seguem em aberto, infelizmente com menos destaque do que a suposta “maldade neoliberal” que vende tantas manchetes: se não houver mais monopólio do refino por parte da Petrobras, será que mais empresas não entraram nesse mercado e, via concorrência, veríamos uma queda de preços? E, quanto a “quem vai pagar essa conta”, não seria melhor deixar sobre quem consome o combustível (e sobre a cadeia do modal rodoviário) do que difundindo mais um custo por toda a sociedade e fingindo que ele não existe?

Enquanto existir a discussão e a política seguir em frente, ao menos temos um positivo realismo de preços (que parece obviedade, mas por aqui talvez seja estranho): uma empresa de comércio e industrialização de derivados de petróleo pode se beneficiar, vejam só, de um aumento nos preços dos produtos que comercializa (não só com a retomada de geração de lucros como também com a redução da dívida, ambos fatores positivos ao país, já que o Estado brasileiro é o maior acionista da empresa).

Vamos ver até quando dura essa tão combatida – e tão positiva – política…

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em setembro de 2018:

– Blog da Guide Investimentos (17/09/2018): https://blog.guide.com.br/textos/sobreviveu-ate-agora-a-politica-de-precos-da-petrobras/

APPLE E AMAZON: QUEM FICA ACIMA DO TRILHÃO?

Recentemente, a Apple e a Amazon conseguiram superar a histórica marca de um trilhãode dólares em valor de mercado. Já indicamos que essas duas empresas estavam na chamada “corrida do trilhão” e que provavelmente seria a Amazon a primeira a superar. Erramos: foi a Apple.

O superar de uma marca de valor tão alta passa uma mensagem de que as empresas foram, ao longo do tempo, um bom investimento para quem deteve seus papéis. Mas, na prática, o que isso quer dizer sobre a continuidade dessa valorização – ou o que isso tem a ver com a empresa seguir acima do trilhão?

A Apple é uma empresa acostumada a quebrar paradigmas quando o assunto é tecnologia. Inovou no meio de vender mídia pelo iTunes, no meio de ouvir mídias externamente com o iPod, mudou a estrutura do setor de comunicação com o iPhone (tornando a estrutura inclusive uma espécie de padrão para todos os fabricantes), adicionou uma nova forma de trabalhar com o iPad e fez uma incursão intensa no mercado de tecnologias wearable com o Apple Watch. Em suma, isso resume praticamente 20 anos de expansão de mercado e crescimento da empresa. Porém, fica o questionamento: é essa reinvenção continuada que sustenta o crescimento – e depender exclusivamente disso é perigoso, pensando no longo prazo, mesmo que a empresa tenha “criado demandas” com tais invenções?

Amazon é um empresa multi-setor. Começou como um marketplace e hoje se expande de maneira vertiginosa. Não é à toa que, no artigo que mencionamos no primeiro parágrafo, há uma comparação com a Buy’n’Large, empresa que fornece todos os produtos e serviços na animação Wall-E. Seu crescimento tem se baseado em uma abertura para estes novos mercados e também em inovações logísticas que têm promovido ao redor do mundo. Aqui há uma diferença fundamental em relação a Apple: também há dependência de inovações tecnológicas, mas a expansão para novos mercados tem maior potencial de fidelizar clientes amplamente do que se fosse única e exclusivamente depender do que de novo seria apresentado a cada ano. Mais diretamente: é mais fácil imaginar que comprar quase tudo de um mesmo lugar e é maior fidelização do que comprar apenas alguns itens tecnológicos individualmente.

No fim das contas, o que definirá a capacidade dessas empresas – e de outras que ainda não alcançaram essa cifra, mas têm altas chances, como a Alphabet – de continuarem sua escalada em valor estará no meio em que elas oferecerão aos seus consumidores, como demandas que justifiquem sua continuidade consumindo seus produtos e serviços. Isso depende não só de tecnologia como também de inovação e de presença na vida das pessoas.

Depender basicamente de novas invenções acaba, na prática, sendo algo que coloca em xeque a capacidade da Apple de crescer ad infinitum. Ampliar a presença em muitos setores (colocando seu jeito de fazer as coisas) sinaliza ser uma força da Amazon. Talvez ambas sigam acima de um trilhão de dólares durante muito tempo – mas é possível que, no longo prazo, a Amazon apresente um crescimento mais sustentável e robusto.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em setembro de 2018:

– Blog da Guide Investimentos (14/09/2018): https://blog.guide.com.br/textos/apple-e-amazon-quem-fica-acima-do-trilhao/

Patrimônio dos candidatos: pouco significa, mas significa algo

O tema central das últimas semanas são as eleições presidenciais. Comparativos com o pleito de 1989, extremismos ganhando espaço e insegurança com o futuro do país não faltam. Dentre todas as discussões, uma que de vez em quando é levantada como suposto mérito ou demérito: o patrimônio dos candidatos.

Não surpreendentemente, neste tópico também temos dualidade: enquanto alguns afirmam que os maiores patrimônios são frutos de roubo (porque seria impossível ficar milionário de outro jeito), outros apontam que os menores seriam fruto de extrema incapacidade, principalmente considerando aqueles que tiveram certa condição de fazer este acúmulo.


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O maior patrimônio declarado dentre os candidatos a presidente é o de João Amoêdo, do Novo, enquanto o menor é o de Guilherme Boulos, do PSOL. Isso significa necessariamente que um é extremamente hábil e outro absolutamente inapto? Na verdade, não.

É preciso ter em mente o fato de que ter sido hábil em uma área, não indica que será óbvio ver um bom desempenho em todas – já escrevi sobre isso aqui no Terraço, levando em conta a ótica política de criação de heróis que o brasileiro médio tanto admira.

A capacidade de atuação na esfera pública, no fim das contas, é o que vai mais importar em relação ao potencial de um candidato em ser ou não um bom político na prática. E, é claro, a avaliação disso envolve uma complexidade de fatores muito maior do que simplesmente observar o patrimônio acumulado.

A comparação direta do patrimônio acumulado, com a capacidade de atuação política, é tão frágil quanto a analogia entre o orçamento doméstico e as contas públicas. Mas diante da mais notável fragilidade, pode ser encontrada uma mínima relação (que estimo ser o motivo pelo qual essa questão dos patrimônios dos candidatos render tantas manchetes). Neste caso, a relação é a de que aqueles que tiveram um patrimônio acumulado mostraram-se mais capazes de lidar com algum patrimônio (o deles).


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Usar como argumento que seu candidato é o mais rico e portanto é o mais capaz – ou que é o que tem menor patrimônio e por isso seria o mais honesto – não parece ter qualquer relação com a capacidade dele de articulação política ou de ser, de fato, um bom governante. Mas não deixa de significar, pelo menos, que ele tenha alguma noção maior sobre o que é um orçamento – reforço aqui, nem que seja o dele.

Por isso, da próxima vez que se deparar com uma reportagem a respeito do patrimônio de um candidato – nestas eleições ou nas próximas -, pense no que realmente existe de relação entre isso e a vantagem ou desvantagem em se depositar seu voto nele. Com altas chances, se este for seu único pré-requisito (não dá para duvidar que em um país de 147,3 milhões de eleitores pelo menos uma ínfima parte pense assim), provavelmente você estará fazendo uma escolha vazia.

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em setembro de 2018:

– Terraço Econômico (13/09/2018): http://terracoeconomico.com.br/patrimonio-dos-candidatos-pouco-significa-mas-significa-algo

– Investing.com Brasil (13/09/2018): https://br.investing.com/analysis/patrimonio-dos-candidatos-pouco-significa-mas-significa-algo-200222803?preview_fp_admin_1234=this_is_1234

Saem Lula e Garotinho, entra Eduardo… Campos!? Terraço em Quinze Minutos #44

Nesta edição, Lucas Goldstein, Arthur Solow, Renata Kotscho Velloso e Caio Augusto abordam os temas:

Brasil consternado: Museu Nacional arde em chamas no Rio
Ele voltou: Horário eleitoral e seus personagens
EUA: Indicado de Trump para a Suprema Corte pode ser aprovado
Trump: novo livro polêmico será lançado no dia 11/9
Argentina: peso entra em queda livre e Macri anuncia novos cortes

Museu Nacional: mais uma vítima da falta de prioridades

O mais antigo e vasto museu brasileiro, o bicentenário Museu Nacional, foi consumido por um incêndio em praticamente sua integralidade na noite deste domingo, dois de setembro de 2018. Muitos são os culpados: descaso, má alocação orçamentária dos responsáveis por sua conservação, atrasos em manutenções anunciadas. Acidentes acontecem, mas algumas fatalidades infelizmente têm uma previsibilidade triste no Brasil. Essa foi mais uma delas.

Para além do apontar de culpados, algo muito importante precisa entrar em discussão. Por que em nosso país as questões importantes acabam tornando-se urgentes para que possa enfim se pensar em alguma saída? Quantos espaços de tal importância precisaremos ver serem destruídos enquanto outros, com prioridade que pode ser questionada, continuam recebendo recursos vultosos? O Maracanã, nas vizinhanças do museu destruído, teve seu orçamento inflado em 211 milhões de reais, segundo o TCU. O orçamento anual do Museu Nacional era de menos de 0,25% desse superfaturamento.

Neste ano, completando 200 anos de existência, organizadores do museu colocaram no ar uma vaquinha virtual que visava angariar recursos para a reforma de uma sala que havia sido consumida por um ataque de cupins. O item da sala: o Maxakalisaurus, primeiro dinossauro de grande porte montado montado no Brasil. A vaquinha teve seu objetivo de R$30.000,00 alcançado em quase duas vezes.

Outra reflexão importante neste momento: até quando o temor de que outras formas de financiamento possam ocorrer irá impedir com que muitos pontos importantes de cultura e história em nosso país possam ser melhor conservados? Por que há tanto impedimento legal, tanta complicação, tanto embaraço, mesmo quando existe o interesse privado em angariar ou mesmo diretamente doar recursos com essa finalidade? Atualmente, uma das limitações é, curiosamente, constitucional: a Emenda Constitucional 241/95 impede que o orçamento se amplie além da variação da inflação do período.

É claro que a questão é mais complexa do que isso. Não necessariamente esse repasse de recursos de origem privada iria diretamente para tais projetos. Peguemos a UERJ, responsável pelo Museu Nacional desde 1954, como exemplo: a universidade vive uma crise orçamentária sem precedentes e poderia usar esse recurso adicional de diversas maneiras diferentes. A própria USP, como já escrevi em 2016, utilizou seu orçamento crescente entre 2010-2014 ampliando a folha de pagamentos, enquanto outros projetos (como o Museu do Café, que fica dentro do campus de Ribeirão Preto) seguiram no esquecimento.

A abertura para incursão de capital privado em entidades públicas ou de interesse público poderia ter um outro efeito positivo: o do aumento do interesse por essas estruturas. Através de tais possibilidades, o orçamento destes entes poderia ser reforçado não apenas financeiramente como também em nível de atenção, já que aqueles que direcionarem recursos, ao menos teoricamente, terão uma preocupação maior com os efeitos disso do que aqueles que pagam sem perceber, por meio de impostos. Novamente, no caso da USP, cujo orçamento é composto por parte do ICMS paulista: há uma diferença entre a atenção dada ao recurso que entra tendo sido pago na compra de um produto por um dos 40 milhões de habitantes do estado e o recurso que, por exemplo por um programa deendowment (a Escola Politécnica da USP tem um), entra diretamente através de uma contribuição de alguém que já fez parte daquela comunidade acadêmica.

Há um projeto, de autoria da Senadora Ana Amélia (PP-RS), que trata do assunto. Através de tal medida, seriam muitas as possibilidades adicionais para diversos entes públicos, sem que inclusive ocorresse o temido “corte orçamentário justificado por essa entrada de capital privado”. Essa complementaridade entre o orçamento público e privado, com execução pública – ou seja, não orientada para geração de lucro, mas sim com foco no bem-estar gerado -, poderia ser uma verdadeira revolução que, no fim das contas, impediria tragédias como as da noite deste primeiro domingo de setembro de 2018.

Novamente, para além do apontamento de culpados e responsáveis, será preciso analisar o tamanho do dano causado ao Museu Nacional após esse incêndio. Seu acervo de mais de 20 milhões de itens catalogados certamente foi bastante prejudicado, perdendo-se assim um montante imenso de registros da história brasileira que, em comparação com o que se tem em outros países, já é deveras escasso. Mas, além do tratamento de contingências, é importante pensarmos em como diminuir tais ocorrências no futuro.

Abrir a mente para novas possibilidades, para além do medo típico do capital privado, pode ser uma boa ideia.

Publicações deste artigo, que foi escrito em setembro de 2018:

– Terraço Econômico (03/09/2018): http://terracoeconomico.com.br/museu-nacional-mais-uma-vitima-da-falta-de-prioridades

MISSÃO BRASIL: conheça o novo projeto do Terraço Econômico

Podcast especial sobre o projeto Missão Brasil, com os editores do Terraço Econômico Lucas Goldstein, Caio Augusto e Victor Candido.

Lançada em um capítulo decisivo da história brasileira, MISSÃO BRASIL é uma minissérie de 8 capítulos produzida pelo Terraço Econômico em parceria com o Infomoney.

Nela são entrevistados alguns dos principais nomes da economia brasileira que mostram, por A mais B, o caminho para o Brasil se tornar um país justo e desenvolvido.

Trata-se de um projeto temático, dividido com os maiores anseios da população – como saúde, educação e infraestrutura – como do mercado – como produtividade e mercado de capitais. Aprenda o que é necessário e torne-se mais consciente do nosso papel (e poder) como cidadão nos próximas eleições.

A política brasileira não muda – nem seus debates

No dia 09/08 ocorreu na Band o primeiro debate presidencial para as eleições deste ano. Apesar de ter contado com caras novas – algumas nem tanto -, esse debate foi bem parecido com os que foram realizados em eleições anteriores. É como um almoço de domingo em família: passam-se os anos e a macarronada talvez ganhe um pouco mais de parmesão com o tempo e o tiozão das piadas acrescenta uma ou outra piada nova em seu repertório. Mas, na média, esses almoços são sempre iguais.

Em um debate, guardadas as devidas proporções da comparação, não temos tantas diferenças de um almoço dominical. Sempre tem aquele candidato que se enrola com o próprio discurso, o que desvia de maneira quilométrica das perguntas, e claro, não podemos esquecer do candidato responsável pelo stand-up comedy.

É preciso mudar as regras dos debates

Talvez a palavra mais repetida nas propostas eleitorais seja “mudança”. “Precisamos mudar!”, “Eu represento a mudança!”, entre outras frases parecidas, que já viraram clichês. Apesar desse apelo, é complicado acreditar, visto que até a forma pela qual os candidatos debatem, parece não ter mudado muito com o tempo.

Grande exemplo disso, são as próprias regras que definem os debates de rádio e televisão, como a de candidatos que estão fora dos debates televisivos. Devido a ausência de congressistas representando a sua sigla partidária, mesmo candidatos com certa expressão em outros meios acabam ficando de fora.


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Apesar da última reforma política ter flexibilizando as regras de participação, ainda se faz necessário que o partido do presidenciável tenha ao menos cinco congressistas para que ele esteja presente. Tal medida pode ser considerada como um avanço – antes era necessário no mínimo nove deputados – e acabou ajudando partidos menores, com pouca representação no Congresso, como a Rede e o PSOL.

Mas esse avanço é limitado, dado que ainda impede a participação de candidatos provenientes de partidos novos que, por estarem estreando, não possuem representação no Congresso. É o caso de João Amoêdo, candidato à presidência pelo partido Novo.

Apesar de ter muitos seguidores nas redes sociais e de sempre aparecer pontuando nas principais pesquisas eleitorais, Amoêdo não participou dos debates da Band e da Rede TV. O motivo apresentado é o de que ele não obedece a lei pós-reforma.

Tal medida restringe a participação de novos candidatos, algo paradoxal em tempos onde se clama por profundas mudanças na forma de se fazer política.

Menos restrições e mais participação popular

Um bom argumento para restringir o número de candidatos, é que muitos candidatos acabariam deixando os debates fracos e sem conteúdo. O grande problema é que mesmo com as restrições, os debates no geral continuam sendo de um nível baixo em termos de apresentação de propostas e conteúdos.

Para contornar essa situação, evitando a superlotação nos debates, uma ideia seria ao mesmo tempo permitir a participação de novos candidatos através de uma consulta popular realizada pelas próprias emissoras, de modo escolhido por elas com foco nessa intenção, algo como “Quais candidatos você gostaria de ver em nosso debate?”.

Uma abertura como essa faria sentido por um motivo prático: provavelmente nem assim João Amoêdo participasse, mas, certamente, um candidato de zero apelo popular antes da participação inicial em debates como Cabo Daciolo, certamente estariam de fora. Pelas regras atuais, entretanto, é justamente o oposto que acontece: Daciolo tem presença confirmada e Amoêdo, mesmo com a presença que o mesmo tem em redes sociais.


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Em um país como o nosso, passar pela televisão faz muita diferença para quem participa de uma eleição – mesmo que esse diferencial pareça estar migrando para as redes sociais, a importância da TV ainda é notável. Um exemplo rápido: você provavelmente teria mais chances de conhecer ou ao menos ter ouvido falar de João Amoêdo do que de Cabo Daciolo antes do debate da Band, ao passo que, logo após ele, passou a saber de quem era o segundo; a presença na televisão importa bastante nas eleições brasileiras.

As ondas da mudança no mar das redes sociais

Mesmo com todas as suas imperfeições –  como o fake news -, as redes sociais, se bem utilizadas, constituem em um mar de oportunidades para melhorar o debate político e permitir que candidatos “fora do páreo” possam se fazer presentes.

Como a criação do abaixo-assinado online, para que Amoêdo possa participar dos debates. O abaixo-assinado já conta com mais de 500 mil assinaturas, o que demonstra que o apoio do candidato e o anseio de que este esteja presente em debates são dois fatores que não devem ser desconsiderados. Assim como o seu direito de também ter espaço para debater as suas ideias no mesmo patamar dos seus adversários, uma vez que o apoio recebido pelos apoiadores independe das coligações políticas que ele está envolvido – depende apenas da proximidade com as ideias ou vontade de conhecer o candidato, o que é bem diferente do cenário na TV, em que os candidatos que mais aparecem ficam mais em evidência apenas em função de terem feito maiores coligações.

Iniciativa semelhante foi feita na eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro de 2016. O candidato à prefeitura pelo PSOL, Marcelo Freixo, não podia participar dos debates no primeiro turno. Como alternativa, o candidato começou a fazer lives no momento dos debates. Apesar de não ter vencido a eleição, Freixo que até então era considerado um candidato nanico, chegou a ir para o segundo turno.

Esses são alguns exemplos, de uma nova onda, que tende a modernizar – quase que de maneira compulsória – a forma dos debates. De dar espaço a candidatos, não pelo tamanho da sua bancada, mas pelo impacto das suas ideias.

Essa maior democratização poderia contribuir de maneira positiva com uma renovação de cenários e abertura para novas ideias, do que o sistema atual que, convenhamos, parece ter sido desenhado de modo a não permitir tantas atualizações assim.

Caio Augusto
Editor do Terraço Econômico

Lucas Adriano
Editor do Terraço Econômico

 

Publicações deste artigo, que foi escrito em agosto de 2018:

– Terraço Econômico (30/08/2018): http://terracoeconomico.com.br/a-politica-brasileira-nao-muda-nem-seus-debates

– Investing.com Brasil (30/08/2018): https://br.investing.com/analysis/a-politica-brasileira-nao-muda–nem-seus-debates-200222615?preview_fp_admin_1234=this_is_1234

DACIOLO 1%, só faltam 99! Terraço em Quinze Minutos #42

Neste episódio, Lucas Goldstein, Arthur Solow, Caio Augusto e Renata Kotscho Velloso debatem sobre os seguintes temas:

1) Eleições 2018: primeiras pesquisas com candidatos oficiais
2) Chapa Lula-Haddad: como seria a transferência de votos?
3) Reação do mercado: dólar explode, chegando a R$4
4) Ex-advogado de Trump declara-se culpado por interferência nas eleições

Evento – VII Semana Acadêmica de Economia (UDESC/ESAG, Florianópolis-SC)

Semana Acadêmica de Economia da Udesc começa nesta segunda em Florianópolis

 

Semana Acadêmica de Economia - Foto por: Ana Prieto/Ascom Udesc Esag
Semana terá programação com palestras e minicursos
Foto: Ana Prieto/Ascom Udesc Esag

A 7ª Semana Acadêmica de Economia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) começa nesta segunda-feira, 13, Dia do Economista. Voltada aos estudantes do curso de graduação em Ciências Econômicas da Udesc, a programação prevê palestras e minicursos, no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), em Florianópolis.

A Semana Acadêmica é promovida pelo Departamento de Ciências Econômicas da Udesc Esag, em parceria como o Centro Acadêmico de Economia (CAdE) – representação estudantil dos estudantes do curso de graduação.

Programação

A palestra de abertura começa às 10h20 de segunda-feira, 13, no auditório da Udesc Esag, com o tema “Conjuntura Macroeconômica Brasileira – Por que somos um país pobre e nossos desafios para o futuro”. Os palestrantes são os economistas Leonardo de Siqueira Lima e Caio Augusto de Oliveira, do Terraço Econômico, um dos maiores sites independentes de economia e política do país.

Ainda na segunda-feira, a programação prevê uma mesa de egressos, em que economistas formados pelo curso de graduação da Udesc relatam suas experiências profissionais aos atuais alunos. A mesa terá os economistas Arthur Lawrence, Eduarda Korzenowski e Thiago Pinotti.

Na terça-feira, às 10h20, os alunos terão uma palestra com  Gustavo Grisa, um dos especialistas do Instituto Millenium. Na sexta-feira, das 8h20 às 11h50, os estudantes assistirão “Real – O plano por trás da história”, com a presença de Ricardo Rihan, produtor do filme.

Minicursos

Para participar dos minicursos, previstos na programação de terça a sexta-feira, os estudantes precisam se inscrever previamente. As inscrições devem ser feitas por meio de formulário on-line, disponíveis nos links abaixo:

Aplicação em R: a regra de Taylor para o Brasil
Profa. Dra. Marianne Stampe
Terça-feira, 14, 18h15-20h
Inscreva-se aqui

Introdução à Linguagem Python
Profa. Dra. Analucia Vieira Fantin
Quarta-feira, 15, 18h30-20h
Inscreva-se aqui

Introdução ao LaTex
Prof. Dr. Marcos Vinicio Wink Júnior
Quinta-feira, 16, 18h30-20h30
Inscreva-se aqui

Introdução ao Stata
Isadora Mazuco (monitora de Econometria)
Sexta-feira, 17, 18h30-20h
Inscreva-se aqui

Mais informações podem ser obtidas com o Departamento de Ciências Econômicas da Udesc Esag, pelo telefone (48) 3664-8260.

Assessoria de Comunicação da Udesc Esag
Jornalista Carlito Costa
E-mail: comunicacao.esag@udesc.br
Telefone: (48) 3664-8281

 

Evento ocorreu em 13/08, em que nosso autor esteve presente com Leonardo De Siqueira Lima – Notícia no site da UDESC

Link do evento no Facebook