SEMANA DO BRASIL: A BLACK FRIDAY VERDE AMARELA

A Semana do Brasil, idealizada pelo governo via Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM) e com apoio de mais de 4.500 estabelecimentos comerciais em todo o território nacional, chegou ao fim no último domingo, dia 15/09. Ao longo de 10 dias, várias lojas e empresas deram descontos na compra de mercadorias, produtos, imóveis e até condições especiais em investimentos. A ideia era recriar o ambiente propício para compras, assim como ocorre na Black Friday americana, aproveitando-se de um feriado nacional (dia de ação de graças); no caso brasileiro, a comemoração do 7 de setembro.

Os resultados finais da Semana do Brasil, embora tímidos, mostram futuro promissor. Nos 5 primeiros dias (6 a 10 de setembro), as compras via e-commerce totalizaram R$ 1,1 bilhão, com um crescimento nominal de 37% se comparado com o mesmo período do ano passado. Se descontado o crescimento natural do canal digital, o aumento chega próximo a 10%. Quanto aos segmentos mais procurados, destacam-se os cosméticos (19,8%), móveis e eletrodomésticos (12,6%), supermercados (4,5%) e vestuário e artigo esportivo (6,1%).

Apesar dos números expressivos, os valores observados na primeira edição da Semana do Brasil ainda são uma fração bem pequena da própria Black Friday, que ocorre em novembro, e que movimentou R$ 2,9 bilhões de reais no comércio eletrônico em 2018. Ou seja, apenas um dia resultou em mais do que o dobro da soma dos 5 primeiros dias da Semana do Brasil, o que é um resultado absolutamente normal, tendo em vista a consolidação da data no calendário de compras. Nos EUA, para se ter uma ideia, tem vendas online na faixa de R$ 25 bilhões, mais de 8 vezes o observado em terra brasilis. Afinal, poucos sabem jogar o jogo do consumo como os amigos do Tio Sam.

BLACK FRIDAY X SEMANA DO BRASIL
Algo que deve ser observado é que existe no Brasil uma diferença notável entre o perfil de consumo em relação aos EUA. Embora nos dois países existam datas comemorativas que aumentem o consumo, temos por lá uma distribuição maior do consumo durante o ano, enquanto, por aqui, essas datas servem como estímulo a uma criação desta cultura. Sinal disso é que as datas comemorativas por aqui têm ficado mais próximas (repare que, além de dia das mães, namorados, pais, natal e crianças, apenas nos últimos anos tivemos o advento da Black Friday e agora da Semana do Brasil).

A própria Black Friday, aliás, é um momento em que os estoques precisam ser baixados para que cheguem os que terão foco de venda no natal norte-americano. Diferente do modelo brasileiro (ao menos no tocante aos anúncios sobre essa questão, que tratam o caso como sendo uma oportunidade valorosa como em qualquer outra época do ano).

O padrão de consumo do brasileiro é, historicamente, atraído pelo modelo dos americanos, possivelmente como um efeito que vem sendo carregado desde nosso primeiro alinhamento mais firme com o Tio Sam, durante a segunda guerra mundial. Àquela época, as chamadas “sobras de guerra” (materiais de todo tipo produzidos por lá) vinham parar aqui – algo que começou no Estado Novo de Vargas e foi fortemente impulsionado por Dutra (e que, por mais que tenha diminuído ou bastante atacado mais adiante, nunca deixou de ser inspiração).

Um esforço mais direcionado por parte do governo em direção às melhorias da economia que envolva a atitude da iniciativa privada é louvável. De acordo com a ótica da despesa do PIB, o crescimento pode vir de uma das seguintes formas: exportações líquidas (o agro sustenta a renda, mas não é capaz de expandi-la indefinidamente), gastos do governo (dívida alta, carga tributária sufocante e perigo inflacionário caso não controle o fiscal mostram que aqui não há fôlego), consumo das famílias (endividamento e desemprego ainda altos) e investimento (ganhos ocorrem de maneira não instantânea). Na parte dos investimentos, temos um trabalho produtivo ocorrendo por parte do Ministério da Infraestrutura de permitir que a iniciativa privada faça o que o Estado não tem mais dinheiro para fazer e, pelo lado do consumo, o governo tem dado esse apoio.

Importante notar que, dentre os itens que levam ao avanço do PIB, o que tem mais foco de desenvolvimento sustentável é o investimento, que acaba por pavimentar as condições básicas de se fazer negócios (modais de transporte mais eficientes farão maravilhas neste país em termos de integração, redução de custos e aumento de possibilidades empresariais). Porém, levando em consideração ser possível não envolver um necessário aumento da despesa do governo para tocar esse tipo de programa – veja que, nesse caso, não há liberação de crédito, corte de imposto e nem nada parecido -, temos aqui uma medida positiva.

Unindo esse tipo de iniciativa (a Semana do Brasil) ao fato de que o FGTS será liberado por esses tempos e também ao observado de que tivemos uma surpresa positiva no PIB do segundo trimestre de 2019 (com os investimentos em ascensão e o consumo também), é possível afirmar que a recuperação econômica já está em curso – de maneira consideravelmente mais lenta do que muitas previsões (e ainda teremos um crescimento abaixo de 1% neste ano), mas, sem dúvidas, já está em curso.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 17/09/2019

AMAZÔNIA EM CHAMAS: ATRITOS POLÍTICOS E IMPACTOS ECONÔMICOS

Amazônia queima: uma pauta recente e dominante na mídia nacional e internacional. Os dados sobre o desmatamento causado pelas queimadas foram amplamente discutidos e diversas vezes questionados. Os “pulmões do mundo” (uma analogia cientificamente incorreta) estavam em apuros, disse o presidente francês, Emmanuel Macron. Jair Bolsonaro, seu par em terras tupiniquins, falou de ONGs e polemizou, como é de costume. Apesar do ruído envolvido nesse debate, uma coisa é certa: política ambiental importa e afeta diplomacia, comércio e negócios.

Estamos tratando de um evento significativo. Em termos territoriais, o fogo se estendeu por parte do Amazonas, Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aproximadamente 10.000 novos focos de incêndio foram identificados desde 15 de agosto. Isso desencadeou uma série de debates foram travados a respeito desses dados, mas tivemos também os desdobramentos econômicos e políticos.

Falando sobre diplomacia e comércio internacional, duas das figuras mais vocais sobre o tema foram Emmanuel Macron e Leo Varadkar (este, primeiro-ministro da Irlanda). Segundo eles, a desastrosa condução da política ambiental brasileira pode até mesmo comprometer o acordo comercial Mercosul-União Europeia. As obrigações ambientais do Brasil estão estipuladas, dentre outros lugares, no Acordo de Paris, mais um motivo de atrito diplomático no passado recente do Executivo.

Para além dos efeitos ambientais negativos observados, temos também impactos econômicos já em tramitação. Boicote de empresas, pressão dos grupos agro para adequação às melhores práticas diante de ameaças ao acordo com UE – trabalho de imagem que já vem sendo realizado há um bom tempo e pode ficar arranhado com a postura atual do governo – e desgaste diplomático internacional já são observados. Se por um lado estamos buscando fazer a lição de casa com as reformas, parece que a cortina de fumaça que se cria com polêmicas desnecessárias praticamente todos os dias acaba abafando os lentos avanços observados.

Como se não bastasse todo esse desgaste econômico, Jair Bolsonaro acabou travando uma batalha particular com Emmanuel Macron através da mídia. O francês, inclusive, capitaneou um esforço explícito pelas florestas brasileiras: o G7 (grupo composto por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia) se dispôs a fornecer £18 milhões para combater as queimadas. Contudo, o governo brasileiro rejeitou a oferta. O presidente Bolsonaro reafirmou sua posição diante do “rival” ao sinalizar que a proposta compromete a soberania nacional. Ao invés disso, preferiu enviar cerca de 40 mil soldados para as florestas, em busca dos criminosos responsáveis pelas queimadas.

Importante ressaltar que, como fato, há diversos ângulos. Não devem ser desconsiderados o fato de existir certa pressão na França por parte dos agricultores a respeito do recente acordo Mercosul-UE (e talvez essa causa seria um “empurrão a mais” para dizer que isso não seria boa ideia) e nem o ponto levantado por Macron sobre a internacionalização da Amazônia (o que, dentre muitos outros aspectos, feriria nossa soberania nacional de alguma maneira). Ah, e claro, como estamos falando de uma questão também política, há popularidade envolvida – e a impopularidade de Macron, que andava em alta, se reduziu após tal postura.

Se por um lado a aproximação do G7 foi rechaçada, os laços entre Brasil e alguns dos países latino americanos se estreitam: foi firmado um pacto pela proteção das florestas. Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname compõem a aliança com o Brasil e propõem medidas educacionais e uma maior participação das comunidades indígenas na preservação da floresta amazônica.

Em suma, a questão toda poderia ter sido tratada com maior rigor e menor negação dos dados. É realmente lamentável que em pleno 2019 tenhamos um rechaçamento à ciência neste nível – “já que não mostra o que eu quero, discordo quebrarei o termômetro, dane-se a febre”. Teria sido muito mais direto colocar em ação os recursos disponíveis assim que fosse descoberto o aumento nas queimadas. Entretanto, não podemos negar os diversos interesses internacionais existentes. No fim das contas, uma questão em que as polêmicas dominaram mais do que as ações concretas.

Que se foque na Amazônia com o respeito que ela merece – e que se foque menos nos egos exaltados ou feridos nesse “salvamento dos pulmões do mundo”.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 13/09/2019

EUA, CHINA E UM JOGO ADICIONAL DE QUASE US$200 BILHÕES

As tensões comerciais entre EUA e China não é novidade para quem acompanha o noticiário político-econômico dos últimos meses. Porém, por mais que a situação esteja instável, sabemos como brasileiros a triste verdade de que “sempre pode piorar”. Para além das taxações cruzadas entre os dois países, há um ponto importante e pouco discutido, que é o da pressão feita pelos EUA para que as empresas deixem a China – ou mesmo voltem ao seu país de origem e façam do made in USA uma realidade de novo.

Tratado ainda como algo em possibilidade remota, tal pressão envolve quase US$200 bilhões. Este valor é a soma dos Investimentos Estrangeiros Diretos dos EUA na China (US$ 107,6 bi), em Hong Kong (US$ 81,2 bi) e em Macau (US$ 2,5 bi).

Por um lado, é inimaginável que Trump recorra a estratégias mais agressivas que as atuais porque, diante de um mundo que sinaliza instabilidade e desaceleração, criar fissuras desta magnitude seria bastante danoso à economia global. Por outro, temos que a própria guerra comercial que estamos vendo seria algo inicialmente fora de termos e, com o vizinho logo abaixo (o México), tal pressão já faz seus efeitos.

clima de tensão entre EUA e China já fez com que algumas empresas norte-americanas se mudassem. Porém, no recente relatório do Conselho de Negócios EUA-China vimos que a cada 100 empresas questionadas sobre planos de mudança da China, 87 disseram que não veem isso como realidade, três dizem que voltarão aos EUA e 10 dizem que sairão da China, mas irão a outros países. O número de respondentes “não sairemos da China” é o menor desde 2016, mas, aparentemente, a maioria dos que saem da China estão se direcionando a outros países que não os EUA.

A saída da China que não é direcionada aos Estados Unidos indica basicamente dois fatores: que os custos e dificuldades de se produzir na China têm aumentado e que a pressão dos EUA pela repatriação não tem surtido os efeitos desejados (já que as empresas continuam na China ou vão para outros países quando saem de lá).

Quem “agradece” esse tipo de pressão são os demais países asiáticos, que têm recebido fábricas (ou ao menos planejamento de instalação delas) aos borbotões. Tais produtores unem o útil ao agradável ao fugirem de tributações norte-americanas e ainda reduzirem seus custos produtivos. Para além do agro brasileiro, que se beneficia aumentando suas vendas quando a China decide boicotar os EUA, talvez sejam esses os maiores “vencedores” dessa competição.

Tratando-se da estratégia externa dos EUA e da instabilidade recente que esta tem transparecido, não podemos descartar a possibilidade de que uma pressão ainda maior seja exercida sobre esse imenso grupo de empresas que permanecem na China. Isso teria efeito bastante negativo sobre a economia, principalmente agora.

Para além dos elevados montantes que sofreram com aumento de tributação cruzada, é preciso também manter atenção sobre esses bilhões de dólares pouco discutidos. A próxima grande instabilidade pode estar a um tweet de distância.

 

Publicado no blog da Guide Investimentos em 06/09/2019

PIB 2019: MENSAGENS DO SEGUNDO TRIMESTRE

Recentemente tivemos a divulgação do PIB do segundo trimestre de 2019: 0,4% de avanço em relação ao trimestre anterior. Grande avanço? Ritmo de parada? Há, na verdade, pontos a se comemorar e outros a se lamentar.

É sabido amplamente que, da virada entre 2018 e 2019 até hoje, as previsões para o PIB 2019 derreteram. Houve quem apontasse que neste ano cresceríamos pelo menos o dobro do que no ano anterior, 1%, e alguns diziam que poderia ser até o triplo. Essa reversão de expectativas trouxe, para as edições mais recentes do Boletim Focus, uma previsão de que nossa economia tenha acréscimo ao redor de 0,85% neste ano.

Porém, nem só de más notícias vive nossa recuperação econômica após a maior crise já registrada em terra brasilis. Esse resultado trimestral nos traz boas notícias, tais como: a décima alta trimestral seguida no consumo das famílias, formação bruta de capital fixo (investimentos) teve um aumento pela primeira vez após duas quedas seguidas e uma surpresa positiva pela indústria e pela construção civil. O setor de serviços continua a segurar o crescimento, enquanto o agro e a indústria pouco interferem.

Especificamente no tocante a construção civil, temos que seu crescimento é importante porque, em se tratando de um setor intensivo em mão-de-obra e em uma situação ainda muito complicada de desemprego em dois dígitos, a aceleração desse setor pode significar um arrefecimento mais intenso do desemprego no país.

Estamos saindo a passos lentos da maior crise econômica da história do Brasil. Mas, por mais que não seja o ritmo de retomada igual ao previsto por alguns economistas, não dá para negar que o fundo do poço está ficando cada vez mais para trás. Ainda bem.

 

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 03/09/2019

Reforma tributária: cuidado com o simples simplista!

Com a reforma previdenciária encaminhada ao Senado, entram no foco neste segundo semestre de 2019 outros assuntos bastante relevantes, todos envolvendo a relação entre o Estado e seu custear ao longo do tempo. Possivelmente o mais relevante destes tópicos seja a reforma tributária.

Caso o leitor desconheça — o que seria pessoalmente uma surpresa —, nosso ambiente de negócios não é para amadores. Dificuldades diversas oriundas de quaisquer aspectos alheios às atividades fins (leia-se: burocracias que tomam tempo e, é claro, dinheiro de quem produz) dominam e deixam a economia em um compasso mais moroso do que poderia ter.

O Banco Mundial se encarrega de, anualmente, analisar quase 200 países do globo em suas diversas características que envolvam o ambiente de negócios — tais quais a facilidade de conseguir financiamento, a validade dos contratos, a rigidez do mercado de trabalho e o trâmite no pagamento de taxas e impostos.

Dos 190 países analisados, pasmem: estamos na posição de número 184 no que tange ao pagamento de impostos. Nossa posição como um todo é de 109 nessa lista e, dos dez itens analisados pelo estudo, em apenas três itens estamos entre os melhores 50 países. O que melhor nos posiciona é o acesso à energia elétrica (somos o 40.º melhor país neste aspecto)?

Estarmos entre os dez piores países para se pagar impostos — o que impõe uma “facilidade”, no ranking do Doing Business, de 34,40, num score que vai de 0 a 100 — acende um alerta importante e necessário: precisamos reformar nosso sistema tributário.

Sobre a consciência de que precisamos mudar nosso sistema tributário não se há muita dúvida, trata-se de um ponto pacífico, é praticamente impossível encontrar quem, como no caso previdenciário, brade que “não há o que mudar” ou “se mudar, vai prejudicar os mais pobres”. Isso é importante.

A problemática vem sobre como essa mudança será realizada.

Dentre os projetos em formulação, já entregues ou em discussão, podemos separar dois tipos diferentes. O primeiro seria o de criar um imposto único sobre transações dentro do sistema financeiro e o segundo focaria em colocar tarifação sobre o que agrega valor econômico. O Centro de Cidadania Fiscal elaborou um quadro com os diversos aspectos das regras atuais e dos dois modelos de mudança atualmente em discussão.

Imposto único é uma ideia realmente sedutora. Qual o melhor remédio para um sistema tributário em que ninguém sabe o que se paga de tributos? Mas trata-se de uma ideia, assim como tantas outras que já vimos no Brasil (tal qual congelar preços), simples, direta, objetiva e absolutamente ineficiente.

Ela gera basicamente três grandes efeitos de distorção sobre os mercados: as cadeias produtivas mais longas acabariam por ver aumentar sua carga tributária (dado que a cada nova etapa haveria uma nova tarifação), o máximo que se puder será evitado se efetuarem transações dentro do sistema financeiro (já que o simples depositar ou transferir de dinheiro gera tributação, há incentivo para buscar outros meios a fim de evitar que a tributação ocorra) e o mercado de crédito agregaria em si um aumento de juros desnecessário (uma vez que a simples concessão e o pagamento de volta de um empréstimo gerariam tributação a cada etapa). Em suma, tal proposta é simples — mas, também, simplista.

Imposto sobre agregação de valor é aquele que mira no momento em que se tem uma transação econômica e aplica sobre isso uma tributação. Na prática, o que nos separa deste modelo idealizado e o que temos atualmente é o fato de termos milhares de modelos, regras, exceções, incentivos e obrigações acessórias. Nosso sistema tributário atual já mira nas transações econômicas, mas o faz de maneira tão mutável — foram 5,9 milhões de normas editadas neste campo de 1988 a 2018 — que é praticamente impossível de saber qual a alíquota paga, sua destinação real e como se pode cobrar efetivamente pelos serviços que ela afirma custear. Unificar normas e, como sempre diz Marcos Lisboa, “colocar os iguais como iguais”, representaria um enorme avanço ao país.

Importante ressaltar que esta questão é ampla, complexa e envolve interesses múltiplos no país. É de conhecimento geral que muitos locais do país se utilizam de políticas de incentivo fiscal para atrair empresas, gerar empregos e buscar aumento do desenvolvimento de suas regiões. Imaginar que a unificação tributária — em qualquer um dos dois sistemas em discussão — ocorrerá na mesma “pacificação” em que vemos ocorrer a discussão da reforma previdenciária é criar uma ilusão perigosa.

Tal direcionamento além de envolver muitos interesses terá de se justificar pelas similaridades entre os diferentes setores. Ou, mais diretamente: considerando que as regras serão unificadas, será preciso ter uma discussão social bastante clara a respeito das alíquotas — não há chance dessa unificação ocorrer simplesmente por mera imposição. Diversos setores afetados se manifestarão deixando a impressão de que precisam de benefícios “apesar da notória necessidade de mudança” (algo que já vimos na questão previdenciária, mas deve vir com força muito superior na tributária).

No final das contas, uma coisa precisa ficar clara: quanto menos tempo assuntos que não têm relação com as atividades fins de um negócio tomarem, maior espaço para produtividade teremos no país como um todo. Apesar disso, não podemos cair em mais uma arapuca em formato de solução. Passemos o tempo que precisar, mas equalizemos nosso sistema tributário da maneira correta.

Como diziam os mais antigos: a maior vantagem de estar em uma péssima situação é que você terá muitos exemplos bons para copiar e melhorar. No caso do Brasil, estamos agora entre a modernização de difícil discussão e a simplificação tosca. Essa escolha fará muita diferença para o futuro.

 

Publicado no Terraço Econômico em 23/08/2019

Capitalização, estados e municípios: já que ainda não foram, ficam para depois!

Paulo Guedes, ministro da Economia e atual fiador da política econômica do governo Bolsonaro, em maio já afirmava: se a reforma da Previdência virasse reforminha, pediria para sair. Logo, após a definição do texto que iria para votação na Câmara dos Deputados, este que excluía estados e municípios e deixava de lado a discussão futura sobre capitalização, novamente o ministro foi enfático ao dizer que estava decepcionado com as lapidações realizadas.

De fato, Guedes não está errado. Embora a economia (ou redução de gastos futuros) da proposta enviada ao Senado seja considerável — na ordem de R$930 bilhões de reais —, o sistema continuará o mesmo (contribuições dos trabalhadores indo para os inativos) e estados e municípios (com seus mais de 2000 regimes próprios, muitos caminhando para o colapso) não estarão presentes.

A ideia inicial da Nova Previdência era que estivesse nas novas normas a possibilidade de discussão futura sobre a capitalização e a presença de estados e municípios obedecendo aos critérios gerais aprovados. Isso não aconteceu, por isso temos que o sistema seguirá o mesmo apesar do notável fôlego fiscal para a próxima década.

Agora, a questão nas mãos dos senadores é direta: buscar a aprovação da reforma que veio da Câmara como está ou incluir estados, municípios e sistema de capitalização agora? Há pelo menos quatro motivos que indicam para a aprovação da reforma como ela está ser o melhor caminho.

Em primeiro lugar, por mais paradoxal que pareça, como o esforço feito para aprovação da reforma na Câmara não foi suficiente para incluir estes dois aspectos, não é de se imaginar que incluindo agora no Senado — e tendo de fazer o texto retornar à Câmara para nova aprovação pelos deputados — subitamente o assunto se torne palatável o suficiente. Sim, o ideal seria que tudo isso estivesse incluído, mas é possível que não houvesse aprovação caso isso tivesse sido a realidade. Fato é que estamos muito próximos de aprovar algo que há duas décadas apenas se discute (e não dá para negar que isso é um considerável avanço).

Outro motivo é que tais tópicos, por mais claros que pareçam ser, não foram devidamente explicitados à opinião pública. Tal qual a narrativa de “essa reforma vem para prejudicar os mais pobres” foi razoavelmente superada, ainda precisamos encarar o mito de que “a capitalização vai apenas beneficiar os bancos e prejudicar o trabalhador”. Que fique claro: ambos são pontos não verdadeiros levados adiante por grupos corporativistas que defendem a estabilidade de seus próprios benefícios — e pouco justificam, quando perguntados, sobre quais são suas reais razões ou fonte de informações para o que declaram ser a realidade.

Terceiro motivo: ao ser tratada numa PEC própria, a capitalização poderá ser discutida mais detalhadamente e, de maneira democrática. Assim pode ser encontrado um caminho mais adaptável ao nosso país. Por enquanto, como quase nada se propôs objetivamente a isso (a não ser a ideia de que seria discutido no futuro), narrativas como “será tão perverso aos trabalhadores quanto a previdência chilena” acabam vencendo. Discutir esse tópico em separado permitiria um detalhamento melhor do que esse plano significaria em termos práticos, desde o seu funcionamento ao longo do tempo até o aspecto de transição entre o regime atual para este novo.

Por último, mas não menos importante, temos a postura de estados e municípios diante do processo como um todo. De fato, os dois tipos de entes subnacionais se declararam partidários da aprovação, mas de uma maneira mais tímida do que poderia ter sido. Provavelmente isso é reflexo de um peso maior dado às eleições municipais do próximo ano do que aos deficits crescentes que todos enfrentam há anos. Assim como na Capitalização, ter uma PEC em separado permitiria uma discussão mais apurada sobre os benefícios de termos um regime nacional previdenciário.

A ideia de que podemos aprovar reformas uma de cada vez parecia ruim poucos meses atrás, afinal, qual o motivo de não se aproveitar até o apoio popular existente para fazer tais mudanças todas de uma vez? Porém, não nos esqueçamos de que mudanças que representem “passos maiores do que as pernas” são um problema no Brasil. Como curiosamente já disse o próprio presidente, quando ainda da tramitação da reforma em comissões da Câmara dos Deputados: “difícil o texto passar como chegou do Executivo”.

 

Publicado no Terraço Econômico em 21/08/2019

OI: DO SONHO AO PESADELO

Oi é uma daquelas empresas cuja história se confunde com a do seu próprio país de origem. Idealizada para ser uma ‘supertele’, nasceu da fusão da Telemar e a Brasil Telecom, e contou com bastante recurso público, como foi o caso da participação societária do BNDESpar, linhas de financiamento a juros subsidiados oferecidos pelo BNDES e Banco do Brasil, além de participações financeiras consideráveis de fundos de pensão de empresas públicas, do Banco do Brasil (Previ), Caixa (Funcef) e Petrobrás (Petros). Eleita uma ‘campeã nacional’, nos moldes dos governos desenvolvimentistas de Lula II e Dilma I, a Oi conseguiu dinheiro barato e tempo para fazer frente aos seus competidores.

A Oi teimava em ficar apenas na quarta posição na telefonia móvel e o mercado de telefonia fixa minguava com um todo. A operação de fusão com a Portugal Telecom em meados de 2013 foi um total fiasco, tendo apenas adicionado acionistas que não viam o resultado melhorar. Além disso, operações de compra de empresas estrangeiras, como foi o caso da Unitel em Angola, regados à recurso público, adicionaram dívida para a companhia e diversos problemas judiciais, que queimavam caixa.

E os tão esperados resultados positivos não vieram. Desde 2014, conforme mostra o gráfico abaixo -, a Oi destrói valor a uma velocidade impressionante. Tirando o efeito positivo em 2018 provocado pela aprovação do processo de Recuperação Judicial, o resultado operacional dos outros anos é uma verdadeira catástrofe corporativa. As ações da empresa (OIBR3) anteciparam a derrocada financeira da companhia e já iniciaram queda livre a partir de 2013/2014, chegando aos incríveis (e impensáveis) R$ 1,00 da última segunda-feira (19/08/2019).

*Resultado dos últimos 4 trimestres. Fonte: ADVFN (https://bit.ly/2HfP91f)

Sobre a história da companhia, podemos dizer que a Oi faz parte de algo que podemos chamar de “processo de melhoria notável que poderia ter sido ainda melhor”. Esse processo é a privatização das telecomunicações no final dos anos 1990, durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Embora tenha aumentado enormemente a base telefônica do país (de cerca de 17 milhões de linhas fixas e menos de 5 milhões de móveispara atuais quase 230 milhões de linhas móveis), o desenho da desestatização deixou a desejar porque permitiu concentração de mercado posterior.

Em processos de desestatização, o Estado deixa de ser o provedor para ser o regulador dos mercados. Ideia positiva, dentre outros motivos, porque a competição permite benesses que o setor público, com seus monopólios, estava longe de conseguir. Porém, no momento da venda das empresas públicas para a iniciativa privada, permitiu-se a possibilidade de concentração de mercado em poucas empresas. Por mais que mercados que demandam economia de escala acabam tornando-se concentrados, um desenho que encaminhe uma maior pulverização poderia amenizar o efeito de perda de excedente dos consumidores aos produtores.

Analisando com olhar mais atento, muitos setores que fizeram essa transição do público ao privado nos anos 1990 passam pelo mesmo problema hoje. A expectativa é de que o desenhar das desestatizações do atual governo seja mais adequado e que possamos ver cada vez menos tais situações.

Na Oi, a união de más medidas de gestão com uma quase manutenção de status público – dada a participação de empréstimos e capital públicos, além da própria intenção de se ter uma tal Supertele, focando mais em “investimentos amigos” do que investimentos rentáveis – faz com que a empresa seja um notável exemplo de fracasso retumbante.

E os números mostram isso, sem nenhuma sombra de dúvida. Pobre dos acionis… credores da companhia.

 

Artigo publicado no Blog da Guide Investimentos em 20/08/2019

Esforços do governo no segundo semestre: aquecer a economia

Quem acompanhou mesmo que brevemente os rumos da política econômica no primeiro semestre do governo de Jair Bolsonaro observou com clareza que a meta principal era a reforma previdenciária. Todos os esforços ficaram focados em redirecionar nossa maior despesa pública nos próximos dez anos. Mas, assim como a recorrente discussão sobre a previdência, outra parecia assombrar a equipe econômica de Paulo Guedes: o que vem além disso?

Neste segundo semestre o governo buscará atacar pontos que também possam apresentar resultados positivos e palpáveis para o curto prazo. De toda a agenda pretendida, três, apresentados a seguir, devem aparecer com frequência nas discussões. Estes pontos serão apresentados por ordem de efeito: de curto prazo a mais longo prazo.

Análogo ao que se praticou durante o governo Temer, uma medida de instantâneo retorno deve ser colocada à disposição: discute-se neste momento a possibilidade da liberação dos valores disponíveis em PIS e em FGTS (incluindo, neste último caso, as contas ativas). Assim como no governo anterior, a previsão é que estes recursos sejam usados majoritariamente para o abatimento de dívidas existentes – o que é um avanço, mas diferente de significar um incremento relevante ao PIB neste ano.

Objetivando reduzir o preço do gás natural para o consumidor final, o governo buscará neste segundo semestre abrir este mercado. A ideia é que distribuidoras e transportadoras do gás natural (atualmente todas da Petrobrás ou que a tenham como sócia) sejam vendidas e o uso dos dutos deixe de ser exclusivamente estatal. Espera-se que assim mais empresas passem a competir neste mercado e, desta forma, o custo venha a se reduzir – segundo Paulo Guedes, uma forte redução dos preços deve ocorrer nos dois anos após tal medida colocada em operação. O grande desafio nesta área é a infraestrutura deficiente de transporte e armazenamento: caso não seja conjuntamente melhorada, os ganhos com a redução de custo podem ficar fechados à cadeia produtiva (ou seja: mais empresas entram mas usam esse reduzir de custos para compensar a operação pouco eficiente).

Por falar em infraestrutura, eis o terceiro ponto relevante. O trabalho do Ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, por ora silencioso, deve ganhar relevância no avanço e finalização de obras que já estão em curso. Outro trabalho a ganhar destaque será o de Jose Salim Mattar Jr, Secretário de Desestatização e Desinvestimento, que deverá colocar no mercado uma quantidade imensa de empresas para concessão e privatização (isso sem falar em uma parte que deve ser extinta). Essas duas ações em conjunto devem ter efeito de mais longo prazo, mas são importantes por deixarem os mercados mais bem estruturados e, como já discutimos nessa coluna, permitirem que o item que possibilita o PIB realmente avançar de agora em diante (o Investimento) faça sua presença em nossas vidas.

Assim como no caso da previdência, muitos “se’s” estão no meio do caminho. Será muito bem-vindo se tais avanços venham sem condicionantes perigosos – por exemplo a queda nos preços de energia com a MP 579 de Dilma que praticamente quebrou o setor elétrico ou a queda de juros forçada no mesmo governo que virou pouco tempo depois no arrastar de uma elevada taxa de juros. Focando no que realmente faz a economia avançar, ela trata de avançar, sem truques ou insustentabilidades como outrora se fazia.

 

Publicado na edição 273 (página 32) da Revista da ACIF Franca

INVISTA SEU BÔNUS: 3 RECOMENDAÇÕES

Evitando a famigerada expressão de que “casa de ferreiro é espeto de pau”, para além de dar indicações e fazer alocações de investimentos no dia a dia, é interessante que você faça o melhor também por seu próprio dinheiro, seja ele salário, bônus ou qualquer outro.

Em finanças pessoais recomenda-se que parte dos seus ganhos seja poupada todos os meses para que vire reserva de emergência e investimento depois. Mas, o que fazer quando se trata de uma quantia que vem, apesar de em data conhecida, em valor que não se tem certeza? Se você é agraciado com esse bônus, pode aproveitar para dar um passo adiante em sua tranquilidade financeira futura.

RESERVA DE EMERGÊNCIA

Aquele bom e velho recurso para utilizar em caso de adversidades. Recomenda-se ter sempre “na agulha” entre três e seis meses de salário, porque em caso de uma demissão, acidente de trânsito ou qualquer outra adversidade, será muito útil ter esse recurso disponível. Dica de alocação: Tesouro Selic ou algum fundo de saque imediato como o Guide Cash. Não será de fato um investimento, mas te permitirá fazer investimentos imediatamente após ter essa reserva.

REFORÇAR O PATRIMÔNIO FINANCEIRO

Considerando que você já tenha uma reserva de emergência, foque nos ativos que você mais considera seguros e aumente sua posição neles. Sempre válido dar uma apimentada colocando um pedaço dessa receita em ativos um pouco mais arriscados – não precisa investir em títulos da Venezuela, mas um fundo de ações já coloca um risco maior (que pode te render um retorno mais robusto ao longo do tempo).

DIVERSIFICAR

Supondo que você já conhece, aplica e está bem posicionado (ou seja, sua casa de ferreiro é de ferro mesmo), dá pra aproveitar esse recurso extra para se posicionar em possíveis pepitas não observadas. Que tal buscar investir fora do país, em algum ETF de mercado que pode explodir (ou implodir, tá aí a definição de risco), apostar contra algo que você acredita que está para dar certo mas sempre tem uma chance de dar errado (aqui no Brasil dá pra chamar isso de “Fundo Cambial”) ou mesmo direcionar recursos para grandes reservas de valor clássicas esperando que uma grande crise esteja chegando (ETF de ouro, talvez)? Se você já tem uma base financeira considerável e segura, pode utilizar recursos adicionais para buscar multiplicar o que você já tem.

Seja para criar reserva de emergência, reforçar o que se tem atualmente ou buscar multiplicar com apostas diferentes, nunca se esqueça de pesquisar bem sobre onde você vai alocar seu dinheiro – os riscos, como funciona para investir, segurança do processo.

Certamente há caminhos adequados para além de simplesmente pegar esse dinheiro e gastar como se não houvesse amanhã – até porque há.

 

Publicado no blog da Guide Investimentos em 16/08/2019

Dicas financeiras: não é força, é jeito!

Este artigo começa fazendo uma mea culpa. Se em algum momento a coluna Dinheiro no Terraço deu a entender que a tarefa de mudar os rumos financeiros de sua vida era “para qualquer um” ou “sem dificuldades”, pedimos nossas sinceras desculpas.

Em um post recente de nosso editor Arthur Solow, a temática do “apenas os incapacitados não conseguem acertar a vida financeira e virar um sucesso” foi colocada em xeque. Recebemos, nesta postagem (que foi feita em nosso Instagram), um comentário que nos chamou bastante atenção e motivou o presente artigo. Eis o comentário:

Um fator não havia sido abordado até então nesta coluna: a adaptabilidade à regras de bolso do mundo das finanças pessoais dependem muito do momento em que você está vivendo. Na prática, isso não permite que todo mundo seja um sucesso financeiro apenas seguindo simples passos, como alguns gostam de falar.

É absolutamente normal que você esteja numa situação fora dos parâmetros ideais e descritos por diversos desses manuais. Você pode estar no meio de uma pós-graduação (o que consome mais de seu orçamento, mas por um bom motivo), talvez esteja momentaneamente desempregado (consumindo reservas caso as tenha formado nos anos anteriores), acabou de se mudar para um novo emprego e está se adaptando. São incontáveis as situações que mostram como o “qualquer um consegue” é de pouca sustentabilidade.

Para além de formar reserva financeira e garantir um futuro mais confortável para você e seus familiares, é preciso sempre parar para refletir e aproveitar os momentos da vida, algo que passa tão rapidamente.

Percentuais e dicas fechadas são um conjunto de ideias, mas o que vale mesmo é a essência básica das finanças pessoais: ao longo do tempo, verificar como o dinheiro lhe tem sido útil para todas as suas atividades. Extremos de “não ligo para o futuro então me endivido o máximo possível” e “poupo tanto que não faço nada com meus amigos e familiares” são perigosos. Aliás, como dizem os mais antigos, “tudo em excesso é prejudicial”.

Com nossa coluna e nosso conjunto de dicas não esperamos que você mude seus hábitos a ponto de um dia se arrepender. Nossa ideia aqui não é servir como aquele esquema de dieta em que, como diria Tim Maia, após passadas duas semanas você apenas percebe ter perdido 14 dias. O ponto aqui é gerar uma reflexão a respeito do que fazemos com nossos recursos financeiros e onde nossas ações de hoje poderão nos levar amanhã.

Pensar a vida em perspectiva é o ideal. Não há mágica curto-prazista que te leve até um futuro encantado de independência financeira e está longe de ser correta a afirmação de que “se você não faz como eu faço, está logicamente errado”. Mas, novamente, o importante é conseguir ter clareza sobre as atitudes tomadas a respeito de algo que, paradoxalmente, muito nos tira o sono quanto menos tempo nos dedicamos com seriedade a ele.

Viva a sua vida hoje. Pense no futuro, mas viva o hoje. Ninguém está sentado na sua cadeira — e é tão responsável — por seu futuro financeiro, familiar e social quanto você mesmo.

Caio Augusto e Arthur Solow, editores do Terraço Econômico, assinam este artigo

 

Artigo publicado no Terraço Econômico em 12/08/2019