BC DEU ALL IN OU TRUCOU SEM ZAP? no TerraçoCast #209

Nesta edição, Caio Augusto recebe Victor Candido, Renata Velloso e Rachel de Sá, sobre os seguintes assuntos:

– Victor, o que é possível analisar sobre o comunicado do COPOM a respeito da manutenção da Selic em 2%?

– Renata, apresente o Boletim Internacional desta semana!

– Rachel, a respeito das eleições nos EUA, que têm seu Dia D agora em 03 de novembro: o que podemos esperar de impactos no Brasil sobre a vitória de Trump ou Biden?

Gostou do nosso podcast? Compartilhe com quem você gosta! É com muito amor, satisfação e suor que produzimos conteúdo novo constantemente pra você.

Aliás, não se esqueça de conferir todos os conteúdos em nosso site: terracoeconomico.com.br

Esse podcast foi trazido a você pela Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo – e que agora está no Brasil. Saiba mais em http://www.binance.com !

Editado por ATHELAS Soluções em Áudio para Podcasts

Link para o episódio no Spotify

MELHORANDO NOSSO SISTEMA TRIBUTÁRIO no TerraçoCast #208

Neste episódio especial, Caio Augusto recebe Talita Ritz, Advogada e Especialista em Consultoria Tributária Empresarial, sobre os seguintes assuntos:

– Talita, em todo Doing Business (aquela pesquisa do Banco Mundial), quando falamos do aspecto tributário, estamos quase na lanterna. O que precisamos fazer para mudar essa situação?

– Em sua visão, como teria de ser uma boa reforma tributária?

– Qual a importância do planejamento tributário para quem empreende?

Gostou do nosso podcast? Compartilhe com quem você gosta! É com muito amor, satisfação e suor que produzimos conteúdo novo constantemente pra você.

Esse podcast foi trazido a você pela Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo – e que agora está no Brasil. Saiba mais em http://www.binance.com !

Aliás, não se esqueça de conferir todos os conteúdos em nosso site: terracoeconomico.com.br

Editado por ATHELAS Soluções em Áudio para Podcasts

Link para o episódio no Spotify

Novembro Azul: se cuidar é coisa de homem também!

No mês passado tivemos a tradicional campanha pela prevenção ao câncer de mama, conhecida como Outubro Rosa e, no mês que vivemos atualmente, temos novamente um período temático sobre os cuidados com outra doença, dessa vez que atinge apenas o público masculino através do câncer de próstata, o Novembro Azul.

Neste artigo você saberá mais sobre os porquês deste mês de alerta e conscientização.

Como começou o Novembro Azul?

Tudo começou em 2003, na Austrália, com o objetivo de colocar na mesa a discussão sobre o diagnóstico e a atenção com doenças que atingem o público masculino, sobretudo o câncer de próstata. A ideia surgiu de uma maneira inusitada: dois amigos, Travis Garone e Luke Slattery, se divertiam em um pub quando se questionaram se seria uma boa ideia deixarem o bigode crescer  – já que se tratava de algo fora de moda – e, inspirados na mãe de um colega deles que estava levantando fundos para uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama, decidiram então juntar amigos (foram 30 no primeiro ano) para essa causa.

O que começou como uma campanha local se espalhou e, no ano seguinte, virou a Movember Foundation, entidade que inicialmente tinha como objetivo juntar em um só lugar fotos de pessoas que participavam do movimento No-shave November (em que mais homens pelo mundo decidiam não se barbear neste mês e enviavam fotos da participação). Hoje em dia o movimento se expandiu e apresenta metas que envolvem, dentre outras coisas, diminuir a morte precoce de homens em 25% até 2030.

No Brasil, o movimento do Novembro Azul se iniciou em 2008, com o Instituto Lado a Lado Pela Vida (LAL) e a Sociedade Brasileira de Urologia. O que teve início com uma campanha chamada “Um Toque, Um Drible” naquele ano, se espalhou de maneira vigorosa pelo país e, dez anos depois, segundo a LAL, hoje já é uma campanha que alcança anualmente mais de 100 milhões de pessoas nacionalmente. O símbolo do Novembro Azul é uma fita azul (que, em virtude dessa origem que você acabou de descobrir aqui, pode vir também com um bigode junto).

Um pouco mais sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata é hoje a segunda maior ocorrência desta doença em homens, sendo superada apenas pelo câncer de pele não-melanoma. Trata-se de uma doença considerada de terceira idade, dado que 75% dos casos acontecem com homens de idades superiores a 65 anos. A estimativa de novos casos para 2020 é de cerca de 65 mil e, em relação aos óbitos, os dados mais recentes são de cerca de 15 mil (vindos esses dados de 2018).

Apesar de ser uma doença que atinge majoritariamente os homens com mais de 65 anos, a partir dos 50 o risco começa a aumentar consideravelmente. Outros fatores de risco são a ocorrência de pai ou irmão com a doença antes dos 60 anos, hábitos alimentares que levem ao acúmulo de gordura corporal e exposição prolongada a químicos como aminas aromáticas (indústrias química, mecânica e de transformação do alumínio), arsênio e produtos de petróleo. Em suma, o que pode levar a hiperplasia de próstata (termo médico para o aumento dela) são fatores difusos que envolvem justamente alterações hormonais relacionadas a testosterona (principalmente a di-hidrotestosterona), idade, histórico familiar e alterações genéticas.

A doença geralmente não apresenta muitos sintomas e avança de forma silenciosa, vindo deste motivo a importância de se prevenir com antecedência e a presença de exames como o PSA e o toque retal. Mas, apesar de não apresentar muitos sinais, alguns podem significar um alerta, todas elas relacionadas ao ato de urinar: dificuldade, diminuição do volume urinado, a presença de sangue ou mesmo uma frequência maior de idas ao banheiro. A ideia de se prevenir leva em consideração procurar anualmente fazer exames a partir dos 40 anos de idade – embora existam locais que recomendam que esta atenção maior de inicie apenas aos 50 anos.

Hoje em dia, tendo em vista que a campanha alcança uma parte considerável da população e gera muitas buscas sobre o assunto, uma parceria entre o Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer (INCA) levou à criação de alguns materiais que podem ser bastante úteis, como a cartilha Câncer de Próstata: Vamos falar sobre isso?, o vídeo Saúde do Homem, e a página orientativa sobre o câncer de próstata.

Novembro Azul com saúde em primeiro lugar e preconceito fora do páreo!

Por se tratar de uma doença rodeada de mitos e preconceitos, principalmente relacionados a um de seus exames de diagnóstico – o toque retal -, costuma, ainda que com a expansão notável do Novembro Azul, ser motivo de piadas e comentários que levam muitos homens a não procurarem agir preventivamente mesmo que estejam com alguns dos sintomas aqui apresentados.

Se você que está lendo este artigo faz parte deste grupo, tal qual o breve vídeo Saúde do Homem que está logo ali em cima, sugiro a seguinte reflexão: você vai mesmo deixar que um preconceito retrógrado te impeça de ter uma longa vida com sua família e amigos? Uma teimosia tola vale mesmo nessa magnitude? A quem você quer provar que é um “grande macho”? A moeda mais cara que existe na vida é justamente o tempo e, não tomar cuidado com uma doença que hoje em dia pode ser tratada de maneira adequada pode fazer com que o seu tempo seja abreviado – e você entre na estatística dos mais de 40 homens que morrem todos os dias em decorrência desta doença.

O objetivo deste artigo não é o de colocar medo ou algo do tipo, mas sim de levantar que essa questão é mais séria do que se imagina e que sim, faz diferença estar atento a ela para que se evite o pior.

Fica aqui a sugestão deste que escreve agora: mande este artigo para quem você conhece que geralmente levanta piadas de gosto duvidoso a respeito dessa questão. Quem sabe assim, de maneira ainda mais direta do que faz a campanha Novembro Azul, você estará ajudando a salvar vidas conhecidas – seja da ignorância ou mesmo dessa doença!

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 10/11/2020

Eleições nos EUA: America First vs Globalização De Novo

Não há muitas dúvidas de que o grande tema de 2020 será a pandemia de COVID-19, provocada pelo novo coronavírus. Porém, não dá pra negar que existe outro tópico importantíssimo e que fará muita diferença nos próximos anos: as eleições nos EUA. O que está em jogo na terra do Tio Sam?

Como funciona o sistema eleitoral nos EUA?

Em vigor desde 1787, a forma de votação no país em que 25% da produção mundial é feita todos os anos é no mínimo, peculiar. Os 50 estados tem suas votações (seja antecipada ou no dia D, 03/11/2020), e o candidato que ganha leva o número de delegados que representam o Estado, no modelo ‘winner takes all’, com a exceção dos estados do Nebraska e do Maine, que tem um modelo híbrido entre a votação total do estado mais o resultado de seus condados.

Por exemplo, na Califórnia, há 55 delegados que representam o estado da costa leste americana. Se o Biden ganhar de 51% a 49% ou de 76% a 24% pouco importa: os 55 delegados votam (na grande maioria das vezes) conforme o voto popular. Vale ressaltar que o exemplo da Califórnia em favor do Biden não é aleatório, uma vez que os democratas não perdem para os republicanos no estado desde 1992.

Nesse modelo, há uma corrida para estados-chave que tem um maior número de delegados, e que a vitória nesses locais pode ser decisiva para ganhar o pleito:

Mapa dos EUA separado por estados e o número de colégios eleitorais
Fonte: https://www.procon.org/headlines/the-electoral-college-top-3-pros-and-cons/

Ainda, há estados que são conhecidos por não terem uma preferência clara por um dos partidos, e por isso são chamados de swing states. São eles: Texas (38 delegados), Flórida (29), Pensilvânia (20), Ohio (18), Carolina do Norte (15), Arizona (11), Wisconsin (10), Minnesota (10), Iowa (6). A Flórida, inclusive, já protagonizou histórias de recontagem de votos e muita confusão na apuração por diferenças mínimas de votação, como foi o caso da eleição em 2000.

Esse modelo, portanto, pode levar a uma vitória no Colégio Eleitoral, mas uma derrota no voto popular, como aconteceu na última eleição, e também em 2000. Apesar da instituição do Colégio Eleitoral ter sido questionado nos últimos anos, ninguém pode dizer que a regra não é clara: são necessários 270 votos para vencer a disputa, considerando os 538 em disputa nos estados americanos.

E para complicar ainda mais o sistema, o resultado pode empatar (como aconteceu em 1800), ou ainda que nenhum candidato atinja o número de votos para ganhar (como aconteceu em 1824). Embora improváveis, os resultados descritos acima não são impossíveis de acontecer.

Duas plataformas diferentes em disputa

Possivelmente a grande diferença existente entre as duas plataformas em disputa é a seguinte: a reeleição de Trump significa a continuidade das políticas que colocam em primeiro lugar os EUA de um modo bastante nacionalista (America First) e a eleição de Biden pode significar uma volta no compasso de globalização (Globalização De Novo).

A plataforma America First é aquela iniciada com a entrada de Trump em 2016 que leva em consideração uma ampla renegociação de contratos com a motivação de posicionar melhor os EUA, que estariam de alguma forma sendo prejudicados em todos eles. Esse tipo de postura inclusive é o que gerou a Guerra Comercial que vem ocorrendo com a China nos últimos anos.

Já o conjunto de ideias Globalização De Novo sai dessa metodologia e busca uma retomada de alianças, sobretudo comerciais, mais amplas dos EUA com o resto do mundo. É líquido e certo que isso vá acontecer rapidamente? Não, ainda mais levando em conta o histórico recente de atitudes mais beligerantes, como por exemplo da saída do Acordo de Paris. É possível inclusive que essa “virada de mão” dê mais trabalho aos EUA do que inicialmente se imagina.

Vem recorde de eleitores por aí?

Até 31/10/2020, com três dias de distância para o dia “oficial”, mais de 90 milhões de eleitores já haviam votado. O recorde histórico será quebrado se a previsão para 2020, de 150 milhões, for atingida (e será o maior número de votos desde 1908 se isso ocorrer).

Apenas para efeito comparativo de como o interesse na eleição deste ano é notável, quatro semanas antes desse dia já haviam 3,8 milhões de votos registrados (contra apenas 75 mil no pleito de 2016). Detalhe importante: estamos falando até agora de mais de 90 milhões de votos antecipados – dado que hoje, 03/11, é o dia principal das eleições, em que uma parte considerável dos votos por todo o país são enfim depositados nas urnas.

E o Brasil com isso?

Temos com Bolsonaro um certo alinhamento com Trump, em questões diversas. Paradoxalmente, este alinhamento quase que incondicional não tem nos rendido frutos tão consideravelmente vigorosos quanto se imaginaria, a troca parece mesmo ser mais favorável ao Tio Sam – e um famigerado “amanhã a gente vê” para Terra Brasilis. A continuidade de Trump na Casa Branca tende a seguir essa estratégia.

Para o caso de uma vitória de Biden, a situação não ficaria muito melhor. Esse alinhamento quase cego a Trump em diversas pautas faz com que a diferença seja grande o suficiente para, ao menos em um primeiro momento, duvidar de uma “mudança considerável” que permita uma aproximação com algo tão diverso. Estaria colocada em xeque a política totalmente ideológica de Bolsonaro.

Ainda assim, esse cenário com Biden na Casa Branca pelos próximos quatro anos pode significar uma mudança. Por qual motivo? Bem, é só olhar a quantidade de “nunca farei” que viraram realidade no atual governo – como por exemplo a aproximação com o Centrão, que seria supostamente a fonte de todo o mal dos últimos 30 anos.

Qualquer que seja o caso, o mais importante a se pensar é que veremos uma volatilidade razoável adiante. Afinal de contas, a continuidade de Trump frustraria um certo conjunto de expectativas que estão sendo formadas por essa mudança e, ao mesmo tempo, a chegada de Biden não ocorreria sem certo custo de reversão de políticas colocadas em prática nos últimos anos. Ah, e claro: ainda existem a Guerra Comercial e a pandemia para lidarmos. Apertem os cintos.

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 03/11/2020

Independência do Banco Central e como instituições importam

Dentre as mudanças relevantes em discussão na economia brasileira em 2020, está a de tornar oficial – dentro de lei – a independência do Banco Central. Você sabe o que é isso e por qual motivo é importante?

Voltemos alguns anos. Eleições de 2014: Marina, com intenções de voto em alta após o acidente que vitimou Eduardo Campos, tinha entre suas propostas tornar o Banco Central independente; a campanha de Dilma ataca forte, colocando isso como sendo “a dominação dos banqueiros de juros, de salários e até do alimento na mesa do trabalhador”. Desonestidade pura.

Para entender a importância da independência do Banco Central vale conhecer um pouco das funções desta instituição e também as do governo e do Congresso. A autoridade monetária administra a chamada política monetária que, no fim do dia, é responsável pela estabilidade da moeda e da inflação ao longo do tempo. O Congresso e o governo são responsáveis pela política fiscal, que é a decisão sobre o orçamento público.

Temos, desde a Lei de Responsabilidade Fiscal (de maio de 2000) um acordo tácito de que o governo não interferirá no Banco Central, permitindo que este foque em sua missão de buscar a estabilidade da moeda no longo prazo independente do que pensar o governante da ocasião.

Acontece que acordo tácito, em nosso Brasil, costuma significar “está autorizado mudar a qualquer momento”. No primeiro mandato de Dilma Rousseff foi exatamente o que aconteceu: mesmo com a inflação resistente – e os juros servem justamente para fazer esse controle do nível de preços, pelo mandato do nosso Banco Central -, os juros caíram forçadamente por intenções do Executivo e, como resultado, subiram e permaneceram em um patamar elevado por um certo tempo até que a inflação pudesse se acalmar.

A partir do momento em que passarmos a ter em nossa Constituição que nenhum governo poderá interferir na atuação do Banco Central, teremos um nível maior de segurança sobre as ações dessa instituição tão técnica e séria de nosso país.

Com uma breve anedota podemos explicar a importância das instituições frente a discricionariedade dos governantes. Imagine que você e um amigo estão dirigindo dois carros e decidem a seguinte façanha: ambos vão acelerar um na direção do outro e quem virar o volante e desviar do outro primeiro terá perdido. Só há uma maneira de ganhar com certeza essa insana disputa: alinhe o seu carro e arranque o volante. Afinal de contas, assim você garante que não irá virar – e que o seu amigo irá desistir da brincadeira.

No campo das instituições a situação é análoga: é sempre preferível termos como base das decisões as regras do que a cabeça de quem está comandando naquele momento. Ao menos é o que sinalizou fortemente Douglass North (Nobel de Economia em 1993) e o que aponta Daron Acemoglu (que muitos economistas, dentre eles este que aqui escreve, acredita que ainda será laureado pelo mesmo prêmio).

Em suma: independência do Banco Central é ótima notícia, não se deixe enganar por quem falar o contrário.

Publicado na edição de Novembro de 2020 da Revista da ACIF Franca (Página 22)

Fome de poder: você tem fome de quê?

Seguindo a linha de indicações das sextas-feiras nesta coluna, hoje vamos falar sobre o filme Fome de Poder, que conta a história de como o McDonald’s virou a mundialmente conhecida franquia dos alimentos (e dos imóveis) que conhecemos hoje.

Ray Kroc, um esforçado vendedor de máquinas de milk-shake estava em sua rotina suada de convencimento para vender uma ou outra unidade quando recebe um chamado pedindo uma quantidade razoável de máquinas. Dada a dificuldade de vender uma, ele decidiu ir conferir se não era uma pegadinha. Conhece assim os irmãos McDonald, Dick e Mac.

Logo ao chegar, a surpresa: diferentemente de todas as lanchonetes daquela época, ali não parecia haver uma espera enorme entre o pedido e a chegada da comida e, para deixar tudo ainda mais surpreendente, havia uma grande fila. Em outras palavras: um baita sucesso que valia a pena ser observado mais de perto. Encontrando Mac, ouve dele “quer conhecer como a gente faz isso?”. Kroc não hesita e vai. Gosta tanto do que vê que chama os irmãos para jantar para saber mais sobre a história do negócio.

Para não dar spoiler e evitar que você fique desmotivado de assistir ao filme, falaremos não da história corrida em si, mas de algumas das lições que ele traz.

Trabalhe por processos e revolucione

É sabido que nem toda atividade dentro de um negócio pode ser padronizada, mas, ainda assim, pensar tudo como se fossem processos diferentes otimiza tudo. O grande diferencial do McDonald’s (e que, após ele, outras redes emularam) foi justamente esse: transformar o meio comum de servir comida em algo padronizado, com um caminho estabelecido e que deve ser seguido.

Pense em todas as atividades que você desempenha. Dificilmente 100% delas sejam novas todos os dias. No que você puder, coloque processos e veja como a eficiência geral aumenta.

Foque no que você é bom…

Logo ao início do filme os irmãos McDonalds contam que de um cardápio complexo com quase trinta itens notaram que 87% da receita vinha basicamente de hambúrgueres, milk-shakes, batata frita e refrigerante.

Já parou para pensar em quantas atividades diferentes você desempenha na vida que estariam só nos 13% de rendimentos enquanto algumas poucas em que há um real destaque pegam a fatia majoritária?

… mas sempre diversifique

A priori você pode pensar que o negócio do McDonald’s é a alimentação. Mas você está enganado, na verdade são os imóveis: hoje a empresa é uma das maiores detentoras de propriedades imobiliárias do mundo, porque compra as terras e faz contratos com os franqueados de modo com que eles apenas possam negociar com a própria rede.

Isso não significa que você deve forçar seus clientes a negociarem apenas com seu negócio – até porque, considerando a velocidade dos mercados, é praticamente impossível que você o faça com eficiência hoje -, mas sim que, dentro do seu campo de atividade, muito provavelmente existem oportunidades negligenciadas que poderiam ser tão rentáveis quanto o que você considera ser o campo principal hoje.

É importante alinhar as expectativas para gerar valor

A maior validação de um negócio ou processo é a realidade. Não adianta nada ter a melhor ideia do mundo se ela não tiver atratividade do mercado consumidor. Boas ideias demoram um pouco de tempo para serem aceitas, então trabalhe mais no alinhamento da visão de quem serão seus usuários do que em imaginar que eles não são inteligentes o suficiente.

Há uma parte no filme em que os irmãos McDonald, quando contando que o sistema deles dependia das pessoas irem até o balcão fazerem seus pedidos e levarem a comida embora (e não o tradicional “nossas garçonetes vão até você tirar o pedido”), disseram-se inicialmente decepcionados com a reação das pessoas diante disso. Provavelmente em algum momento do seu negócio você já passou por esse desacreditar: saiba que o melhor a se fazer é colocar quem vai usar a ideia pra ter a mesma visão sua (e tenha a humildade de reconhecer se isso não funcionar).

Delimite bem seu negócio e saiba dizer não

Nem todo negócio quer ser o maior do mundo no que faz. Nem todo negócio almeja fazer uma enorme fortuna. Ou, mais recentemente, com uma ida grande de empresas para a bolsa brasileira, é bom lembrar também que nem toda companhia quer abrir seu capital – algumas vão muito bem, são rentáveis e não querem ter mais sócios.

Negócio maduro é aquele que tem uma razoável orientação do que quer fazer e de onde pretende chegar – e, perdoem-nos o trocadilho, é aquele que sabe do que é que realmente tem fome.

Durante o filme observamos o sonho local de dois irmãos se tornar um espalhar nacional (e em seguida global) de um ambicioso empresário que trabalha na expansão. Não há problema algum de estar do lado de um ou de outro. O problema é não delimitar o que se quer fazer com seu próprio negócio antes que grandes mudanças aconteçam e seja tarde demais para dizer “não era bem isso que queríamos”.

Ah, e mesmo que pareça redundante, nunca se esqueça da importância dos contratos. Os formais, aqueles em que juridicamente você pode se apoiar. Conselho de gestão: contratos que não tem porta de saída são como verdadeiras arapucas.

Saiba com quem você faz negócios

A condição sine qua non de fazer qualquer negócio que envolva trabalhar em parceria é saber exatamente com quem você está lidando. Pode parecer uma frase forte, mas, sociedades empresariais têm mais laços que casamentos. Em um casamento, caso não dê certo, você se divorcia, define a guarda dos filhos e separa os bens. Em sociedades existem contratos, pessoas que daquilo tudo dependem, partes interessadas, metas a serem alcançadas.

A assimetria de informação sempre irá acontecer, devemos lidar com isso. Mas em toda negociação que envolva adquirir, expandir ou vender parte de seu negócio, saiba o máximo possível de quem estará contigo nessa. Ou, como costumam dizer os americanos, always know who you’re in bed with.

O filme deixa o espectador dividido entre ser Ray Kroc um gênio dos negócios ou um aproveitador. Deixemos essa avaliação a você após assistir essa verdadeira aula sobre negócios em franquias!

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 23/10/2020

MAIA AVISOU: CALAMIDADE SÓ ATÉ 31/12 no TerraçoCast #207

Nesta edição, Caio Augusto recebe Victor Candido, Renata Velloso e Rachel de Sá sobre os seguintes assuntos:

– Victor, Rodrigo Maia disse que não levará o estado de calamidade até 2021; explica pros nossos ouvintes o que isso significa!

– Renata, apresente o Boletim Internacional desta semana!

– Rachel, em O Brasil e O Fiscal de hoje: parte importante da nossa dívida pública vence no primeiro quadrimestre de 2021, e agora?

Gostou do nosso podcast? Compartilhe com quem você gosta! É com muito amor, satisfação e suor que produzimos conteúdo novo constantemente pra você.

Aliás, não se esqueça de conferir todos os conteúdos em nosso site: terracoeconomico.com.br

Esse podcast foi trazido a você pela Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo – e que agora está no Brasil. Saiba mais em http://www.binance.com !

Editado por ATHELAS Soluções em Áudio para Podcasts

Link para o episódio no Spotify

GRUPO DE MERCADO FINANCEIRO (UNICAMP) no TerraçoCast #206

Neste episódio especial, Caio Augusto recebe Pedro Sousa e Paulo, do Grupo de Mercado Financeiro, entidade estudantil da Unicamp focada ao público que quer ter maior contato e conhecimento sobre o mercado financeiro, sobre os seguintes assuntos:

– Paulo, conta pros nossos ouvintes um pouco da história do GMF Unicamp e como ele se posiciona hoje;

– Pedro, qual o diferencial da entidade para os estudantes que decidem fazer parte dela?

– Paulo, quais são os projetos da entidade que atingem a comunidade fora da Unicamp? E qual o impacto desses projetos?

Gostou do nosso podcast? Compartilhe com quem você gosta! É com muito amor, satisfação e suor que produzimos conteúdo novo constantemente pra você.

Esse podcast foi trazido a você pela Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo – e que agora está no Brasil. Saiba mais em http://www.binance.com !

Aliás, não se esqueça de conferir todos os conteúdos em nosso site: terracoeconomico.com.br

Editado por ATHELAS Soluções em Áudio para Podcasts

Link para o episódio no Spotify

“A corrupção acabou”?

O ano de 2018 colocou em pauta duas propostas que pareciam ser bastante diferentes entre si. De um lado, algo que parecia querer resgatar o Brasil de tempos anteriores colocando na mesa a memória de governos petistas, reforçando o crescimento ocorrido nos anos 2000 e deixando um pouco de lado os anos 2010. De outro, a ideia era apresentar um novo modelo geral para o país, baseando-se em um conjunto de ideias fortemente amparado pela justiça e pela economia (que teriam dois super ministros) que iriam, nas palavras de quem representava essa mudança, “mudar isso daí” (o que quer que isso significasse). Essas propostas disputaram o segundo turno, sendo que a última venceu.

Estamos em outubro de 2020 e é pelo menos questionável analisar o quanto as coisas realmente mudaram em relação ao oferecido/prometido em 2018.

Aquele que representaria a isenção da justiça e sua retidão em todos os processos, Sergio Moro, saiu do governo no final de abril e a notícia reverberou mundialmente. O motivo apontado por ele teria sido uma mudança que o presidente pretendia fazer no comando da Polícia Federal que, “por um acaso do destino” envolvia alguém com certa proximidade com seus filhos – sendo um “mero detalhe” que um deles é investigado justamente pelo mesmo órgão… Mas, detalhe, e daí?

Mais recentemente, a questão foi de apresentar explicitamente e nas palavras do próprio presidente que agora não há mais necessidade de ter uma Lava Jato – e, portanto, ele havia literalmente acabado com ela – porque em teoria não existe mais corrupção no governo. De fato vice-líder no Senado não representa governo stricto sensu, porém, literalmente uma semana após tal declaração “de salvação”, o velho e tradicional dinheiro na cueca foi encontrado justamente com esse articulador do Congresso.

Aumenta-se a capacidade de aprovar reformas, mas…

Uma parte considerável das razões pelas quais Bolsonaro alterou sua ideia em relação a essas cruzadas contra a corrupção tem a ver com uma mudança na base política de apoio. O presidente, que quando eleito imaginava algo como “sou o representante do povo e não preciso de apoio nenhum” (apesar de ter passado quase trinta anos justamente do lado que toca os projetos, o legislativo), mais recentemente parece ter compreendido que precisa estar mais em paz com os outros poderes para conseguir alcançar o que seu governo almeja em torno de reformas econômicas.

Sob essa ótica e visualizando de uma maneira bem fria, de fato aumentam as possibilidades de que reformas econômicas possam ser colocadas na mesa e serem aprovadas.

A grande problemática aqui está em outro aspecto: pelo visto a outra perna de grande mudança, a econômica, parece não ter tantas ideias revolucionárias quanto se imaginava. Três simples aspectos diretamente relacionados a reformas ajudam a compreender isso. No começo de setembro, após mais de um ano de “semana que vem mandamos o projeto”, saiu a reforma administrativa que, em um panorama geral, pega uma questão imediata e apenas joga para o futuro.

Ao final de setembro, colocada na mesa uma parte da reforma tributária – e, sem surpresas, o restante viria na “semana que vem”, que ainda não chegou. E a recente cereja no bolo: questionado sobre soluções para a área tributária e o porquê de ser uma nova CPMF algo tão em voga, Paulo Guedes foi taxativo: “enquanto não vierem com ideia melhor prefiro esse imposto de merda”.

Aparentemente o Posto Ipiranga, com todas as soluções na cartola, descobriu ser menos útil do que o da memorável propaganda.

… não há almoço grátis

Apesar de ter prometido uma literal “voadora no pescoço” de quem se envolver em corrupção em seu governo, há, com essa movimento de “acabamos com a corrupção, então esqueçam isso aí” um certo aceno aos novos amigos conquistados – aquele Centrão que há poucos meses representava tudo de pior na política brasileira parece ter virado algo nem tão ruim assim.

Mais uma vez: de fato todo governo deve sim levar em consideração que não operacionaliza tudo sozinho, ele, no máximo, propõe as mudanças e as articula junto ao Congresso, que tem a missão de discutir e avalizar ou não para que se transforme na letra da lei e ao STF, que pode sempre apontar discordâncias daquele projeto em relação ao texto constitucional. Porém, o modo pelo qual isso vem acontecendo recentemente aponta que, junto dessa governabilidade (lembram-se dessa palavra tão popular até outros dias?) vem uma cegueira em relação a eventuais atos de corrupção.

Não é só pela Lava Jato!

A Operação Lava Jato praticamente se tornou um personagem do Brasil nos últimos anos. Desnudou esquemas que envolviam literalmente bilhões de reais em desvios e deixou visíveis esquemas que ocorriam há um bom tempo no país.

Ela tem seus méritos apesar de todas as críticas que possam ser feitas.

Aparentemente não se pode jamais falar em acabar com uma operação dessas, por se levar em conta que ela ainda não alcançou seu objetivo em “limpar a corrupção do país”. Mas, não se enganem: em primeiro lugar, a corrupção é inerente aos incentivos existentes e ao próprio ser humano (então é ilusório imaginar que ela simplesmente acabe); porém, é justamente por isso que órgãos de controle bem apurados e aparelhados devem estar sempre de olho. Não necessariamente em uma mesma operação “sem hora pra acabar”.

O mundo já tem olhado o Brasil com desconfiança em relação a essa nova trajetória do combate à corrupção. E não podemos nos esquecer que o conjunto de informações que faz com que se pense em nosso país como alternativa de investimento inclui também como funcionam essas regras.

Respondendo ao questionamento que dá título a este artigo: não, a corrupção não acabou, ela sempre estará por aí. Fazemos agora uma nova pergunta: será que está para acabar também o arcabouço que investiga onde ela acontece e a pune?

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 19/10/2020

O homem mais rico da Babilônia

“Uma parte de todos os seus ganhos pertence exclusivamente a você”

O que um livro de 1926 pode fazer para melhorar a sua relação com as finanças? Parece estranho, mas uma história escrita 100 anos atrás pode mudar a forma que você pensa sobre dinheiro.

Estamos falando do livro ‘O homem mais rico da Babilônia’, cuja última edição é de 2017. Em uma história envolvente, o autor George Clason escolhe contar seus ensinamentos justamente no local onde existia um mercado próspero e cheio de gente, ainda antes da Era Cristã.

Do mesmo jeito que havia milionários, donos dos mercados e produtos, havia também pessoas humildes e trabalhadoras, que compartilhavam um problema em comum: apesar de ganhar um dinheirinho no final do mês, não conseguiam poupar nada do que ganhavam.

É assim que começa a história…

O homem que desejava ouro

O autor nos apresenta Bansir, um humilde fabricante de carruagens e seu amigo Kobbi, um músico sem muito prestígio. Sem entender muito bem a relação entre seus ganhos mensais e a acumulação de riqueza ao longo do tempo, os dois conseguem um horário para conversar com Arkad, reconhecido por todos da redondeza como o homem mais rico da Babilônia.

Em uma conversa franca com os participantes (em torno de 15 pessoas), além de Kobbi e Bansir, Arkad é muito claro em suas colocações: para qualquer quantia arrecadada com seu trabalho, uma parte (10%) deve ser guardada para a formação de um patrimônio.

Muito mais do que a quantia (que pode ser pequena no início da vida profissional), a ideia é que o hábito é o mais importante. Por diversas vezes, as histórias contadas no livro enfatizam o papel da mudança de mentalidade como fator determinante parauma evolução real no padrão de vida.

Até porque, na saída dessa primeira visita a Arkad, três grupos se formaram: aqueles que sequer entenderam o assunto, outros que não acreditaram nos ensinamentos transmitidos fazendo até chacota com a situação e um terceiro grupo que continuou visitando Arkad e mudou a sua mentalidade e, consequentemente, a sua visão e comportamento sobre o dinheiro e acumulação de patrimônio.

Os 7 ensinamentos para a falta de dinheiro e mais histórias

Em seguida, o autor nos apresenta, detalhadamente, as 7 lições para que nunca falte dinheiro em nossas vidas. São elas:

  1. 1. Comece a fazer seu dinheiro crescer
  2. 2. Controle seus gastos
  3. 3. Multiplique seus rendimentos
  4. 4. Proteja seu tesouro contra a perda
  5. 5. Faça do lar um investimento lucrativo
  6. 6. Assegure uma renda para o futuro
  7. 7. Aumente sua capacidade para ganhar

Cada um desses ensinamentos é tratado em um capítulo à parte. Apesar de parecerem óbvios, muitos não se atentam a dificuldade que é ser disciplinado a ponto de formar um patrimônio ao longo da vida e poder usufruir disso no futuro. Parece fácil, mas na prática, não é.

Por meio de exemplos, o autor consegue dar leveza ao assunto ao discutir as 7 lições. E mais do que isso: há outras histórias em seguida para reforçar a importância da formação de um patrimônio, como é o caso das cinco leis de ouro, contada pelo filho de Arkad.

Nela, Nomasir, teve que provar o seu valor para ser digno de participar do testamento do pai e receber a sua grande herança. Mas seu Arkad não deixou o filho desprovido de recursos: lhe deu um saco com moedas de ouro, e uma tábuade argila gravada com as 5 leis de ouro.


Será que Nomasir conseguiu provar o seu valor?

Uma obra dos anos 1920, mas com conexões mais próximas do que você imagina

Apesar de tais lições serem praticamente atemporais como o leitor já deve ter notado, é interessante observar que elas também se relacionam com expoentes do pensamento sobre uma vida financeira mais confortável dos dias mais recentes. Isso pode ser verificado quando em certos momentos a obra trata sobre a real necessidade das despesas que temos – e como a vaidade pode significar um corroer do que acumulamos pela vida.

Duas dessas ligações que podemos fazer são com Robert Kyiosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre e Warren Buffet, que inclusive tem um documentário sobre sua vida que já abordamos aqui nesta coluna.

Nos dois temos a preocupação com o encontrar de um estilo de vida que supra suas necessidades, não a dos outros. Gastar e investir no que a gente gosta – e não no que aquilo que as pessoas que gostamos gostam – faz uma diferença imensa ao longo dos anos. Ainda, importante lembrar outra indicação que fizemos aqui: os Axiomas de Zurique: também um livro antigo mais como lições extremamente atuais.

Sem mais spoilers e uma reflexão

As finanças têm evoluído em uma velocidade impressionante. Se antes tínhamos apenas algumas opções de investimento, hoje temos uma infinidade de produtos e serviços financeiros disponíveis a apenas um toque.

Mas o que O homem mais rico da Babilônia tenta mostrar é que muitas vezes não importa a quantidade de opções de investimento que temos, mas sim se a nossa mentalidade e ações decorrentes dela estão preparadas para iniciar o processo de enriquecimento via acumulação recorrente de patrimônio.

Embora sutil, esse ‘virada de chave’ é primordial para mudar a nossa relação com o dinheiro e com as finanças pessoais.

Publicado no Blog da Guide Investimentos em 16/10/2020